Trombose não é só de quem está internado: o risco é a soma dos fatores
A trombose venosa profunda raramente tem uma causa só. O risco costuma nascer da soma de fatores: horas sem se mexer, obesidade, hormônio com estrogênio, gravidez e pós-parto, cirurgia ou internação, câncer e trombose anterior. Uma viagem longa, sozinha, quase nunca basta. A avaliação com cirurgião vascular ajuda a enxergar essa soma antes do coágulo e a acompanhar a perna depois dele.

Por Dra. Andrea Klepacz — Cirurgiã Vascular · CRM 128.575 · RQE 51.419
Atualizado em 18 de outubro de 2026
Quando se fala em trombose, a imagem que vem à cabeça costuma ser a de alguém internado, parado numa cama de hospital ou se recuperando de uma cirurgia grande. Esse continua sendo um cenário de risco importante, mas não é o único. Boa parte das tromboses começa fora do hospital, na combinação de coisas comuns do dia a dia.
O que a Dra. Andrea escreveu na CNN Brasil
Em outubro de 2026, perto do Dia Mundial da Trombose, a Dra. Andrea Klepacz, cirurgiã vascular da nossa equipe, escreveu sobre isso na CNN Brasil. A ideia central do texto é que a pergunta mais útil nem sempre é qual foi a causa da trombose, e sim quais fatores estavam presentes quando ela aconteceu. Trabalhar sentado, por exemplo, não significa que alguém vai ter trombose. A imobilidade pesa de verdade quando se soma a outros fatores.
Já teve trombose ou tem vários fatores de risco ao mesmo tempo?
Uma consulta com cirurgião vascular avalia o seu risco e, se já houve trombose, acompanha a perna depois dela.
Os fatores que entram na conta
Raramente existe uma explicação única. Estes são os fatores que mais pesam na conta:
- Horas sem se mexer: viagens longas, trabalho sentado, imobilização depois de uma lesão. O sangue fica mais tempo parado nas veias da perna.
- Obesidade e idade mais avançada.
- Hormônios com estrogênio, como alguns anticoncepcionais e algumas terapias hormonais. Isso não quer dizer que toda mulher deva evitá-los: quer dizer que histórico pessoal e familiar, idade, peso e tabagismo precisam ser avaliados antes e durante o uso.
- Gravidez e, principalmente, o período depois do parto.
- Câncer e o tratamento dele, com risco que varia conforme o tipo e o estágio do tumor.
- Cirurgia, trauma, internação e trombose anterior, pessoal ou na família, além de algumas alterações hereditárias da coagulação.
É essa soma que define quem merece mais atenção. Em algumas situações, estimular o movimento e evitar longos períodos parado é suficiente. Em pessoas de maior risco, sobretudo depois de algumas cirurgias ou durante uma internação, pode haver indicação de prevenção com remédio anticoagulante. A decisão é sempre individual.
Sinais que pedem atendimento no mesmo dia
Alguns sinais não esperam consulta marcada:
- Uma perna só inchada, dolorida ou mais quente e avermelhada que a outra, principalmente na panturrilha.
- Falta de ar de repente, dor no peito que piora ao respirar, tosse com sangue ou desmaio: nesse caso, vá ao pronto-socorro ou ligue 192.
Depois da trombose, a perna também precisa de acompanhamento
Tratar a fase aguda é impedir que o coágulo cresça, evitar uma nova trombose e reduzir o risco de embolia pulmonar. Mas o cuidado não termina aí. Parte das pessoas desenvolve, meses ou anos depois, a síndrome pós-trombótica: a perna fica inchada, pesada ou dolorida, podem aparecer varizes, alterações da pele e, nos casos mais graves, feridas. Estudos estimam que ela aconteça em 20% a 50% das pessoas depois de uma trombose venosa profunda.
Nem toda síndrome pós-trombótica pode ser evitada. Diagnosticar a trombose cedo, usar o anticoagulante corretamente quando indicado e prevenir um novo episódio fazem parte do cuidado, assim como o acompanhamento com exame clínico e, quando indicado, ultrassom com Doppler.
Guia completo relacionado:
Trombose e embolia pulmonar: riscos reais, tratamentos eficazes! →Quer se aprofundar?
Guias gratuitos da clínica →Fontes e leitura complementar:
- Klepacz A. Trombose: fatores de risco que vão além da internação e muita gente ignora. CNN Brasil, 13/10/2026.
- Kakkos SK et al. European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2021 Clinical Practice Guidelines on the Management of Venous Thrombosis. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2021;61(1):9-82.
- Kahn SR et al. The postthrombotic syndrome: evidence-based prevention, diagnosis, and treatment strategies. A scientific statement from the American Heart Association. Circulation. 2014;130(18):1636-61.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico.
Perguntas frequentes
Para uma pessoa saudável, uma viagem longa costuma representar risco muito baixo. O risco aumenta quando as horas parado se somam a outros fatores, como obesidade, cirurgia recente, hormônio com estrogênio, gravidez, câncer ou trombose anterior.
Anticoncepcionais com estrogênio podem aumentar o risco de trombose. Isso não significa que toda mulher deva evitá-los. Histórico pessoal e familiar, idade, peso e tabagismo precisam ser avaliados antes e durante o uso.
É o conjunto de sintomas que pode aparecer meses ou anos depois de uma trombose venosa profunda: inchaço, peso, dor, varizes, alterações da pele e, nos casos mais graves, feridas. Acontece porque a trombose pode deixar obstrução e danificar as válvulas das veias.
