Anos de dor pélvica sem diagnóstico: o guia sobre varizes pélvicas e congestão venosa
Se você sente dor pélvica crônica há meses ou anos, já fez exames que 'não mostraram nada' e ninguém deu uma resposta definitiva, vale considerar uma causa que raramente entra na investigação inicial: as varizes pélvicas, também chamadas de síndrome da congestão pélvica. São veias dilatadas na pelve — muitas vezes ao redor do útero e dos ovários — que represam sangue em vez de drená-lo direito, causando dor que piora ao ficar muito tempo em pé, durante ou depois da relação sexual e no período pré-menstrual. Respondem por 16 a 31% dos casos de dor pélvica crônica, mas seguem subdiagnosticadas porque nem sempre aparecem nos exames pedidos primeiro. O diagnóstico é feito por ultrassom Doppler e confirmado por angiotomografia ou angiorressonância, e o tratamento — quando indicado — é a embolização: um procedimento minimamente invasivo, por punção, com bons resultados descritos na literatura.
Revisado por Prof. Dr. Igor Rafael Sincos — Médico | CRM-SP 117.876 | Cirurgia Vascular RQE 126.825 | Cirurgia Endovascular RQE 132.643 · Publicado e atualizado em 4 de setembro de 2026
Não é coisa da sua cabeça
Se você já ouviu que "está tudo normal" nos exames, mas a dor continua, não é raro. Dor pélvica crônica atinge uma parcela significativa das mulheres em idade reprodutiva, e até 60% delas nunca recebem um diagnóstico específico — parte porque a causa é vascular, não ginecológica, e fica fora dos exames pedidos primeiro. As varizes pélvicas são exatamente esse tipo de causa: reconhecida na literatura médica, mas pouco investigada na prática.
O que são varizes pélvicas (síndrome da congestão pélvica)?
São veias dilatadas e com refluxo na pelve — principalmente as veias ovarianas e as veias ao redor do útero — que represam sangue em vez de drená-lo de volta à circulação. Esse acúmulo de sangue gera uma sensação de peso e dor pélvica crônica, definida como dor com mais de 6 meses de duração.

A síndrome da congestão pélvica responde por 16% a 31% dos casos de dor pélvica crônica (Corrêa et al., 2019). É diagnosticada com mais frequência entre a terceira e a quarta década de vida — em geral, em mulheres que já tiveram uma ou mais gestações, já que cada gestação aumenta a pressão sobre as veias pélvicas.
Quais são os sintomas?
- Dor pélvica crônica, com mais de 6 meses de duração, que piora ao ficar muito tempo em pé ou sentada;
- Dor que piora durante ou depois da relação sexual (dispareunia);
- Dor que se intensifica no período pré-menstrual;
- Sensação de peso ou pressão na pelve, às vezes irradiando para a região lombar;
- Varizes visíveis na vulva, na virilha, nos glúteos ou na parte interna da coxa.
Varizes na vulva ou na virilha na gravidez: quando investigar
É comum surgirem varizes na vulva ou na virilha durante a gravidez — o aumento do volume sanguíneo e a compressão do útero sobre as veias pélvicas favorecem isso. Na maior parte dos casos, elas regridem entre 3 e 4 meses depois do parto, com o uso de meias de compressão nesse período.
O que raramente é dito: quando essas varizes não desaparecem depois desse prazo, vale investigar a congestão pélvica como causa persistente — não é só uma questão estética que "não tem mais jeito", é um sinal de que o refluxo venoso continua ativo.
Por que seu ginecologista pode não ter visto isso
Não é falha de ninguém — é uma questão de qual exame investiga qual parte do problema. O ultrassom pélvico transvaginal de rotina foi desenhado para avaliar o útero, os ovários e a anatomia ginecológica; ele não mapeia refluxo em veias ovarianas e pélvicas com a mesma precisão de um ultrassom Doppler vascular dirigido. Em relatos reais de pacientes, é comum a investigação ginecológica não encontrar nada, e a avaliação vascular ser o que finalmente identifica a causa.
Como é feito o diagnóstico?
O primeiro exame é o ultrassom Doppler pélvico e transvaginal, dirigido especificamente para avaliar refluxo nas veias ovarianas e pélvicas — peça esse exame por nome, não apenas "ultrassom pélvico". Para confirmar o diagnóstico e planejar o tratamento, usamos angiotomografia ou angiorressonância, que mapeiam a extensão das varizes e ajudam a identificar se há uma causa associada, como a compressão da veia renal esquerda — a síndrome de Nutcracker.
Como funciona a embolização de varizes pélvicas?
Por uma punção — sem cortes —, um cateter fino é guiado até as veias ovarianas e pélvicas dilatadas. Ali, são liberadas molas (coils) ou outro material embolizante que bloqueia o fluxo nas veias doentes, interrompendo o refluxo que causava a dor.

É um procedimento minimamente invasivo, feito com sedação e anestesia local, com alta no mesmo dia ou no dia seguinte na maioria dos casos. A literatura descreve melhora da dor em cerca de 90% das pacientes acompanhadas por um ano após a embolização (Guirola et al., 2018), e séries de casos com seguimento mais longo mostram resultado mantido (Kim et al., 2006) — os resultados variam conforme cada caso.
Recuperação e acompanhamento
A recuperação costuma ser rápida, com retorno às atividades habituais em poucos dias. O acompanhamento no pós-operatório inclui reavaliação clínica da dor e, quando indicado, ultrassom de controle — a melhora dos sintomas costuma ser progressiva nas semanas seguintes ao procedimento, não imediata.
Quando procurar um cirurgião vascular?
Vale buscar avaliação vascular quando a dor pélvica persiste por mais de 6 meses sem diagnóstico definitivo, especialmente se piora ao ficar em pé, na relação sexual ou no período pré-menstrual — ou quando varizes na vulva ou na virilha aparecidas na gravidez não desaparecem meses depois do parto. É uma investigação complementar à ginecológica, não uma substituição dela.
Tratamento de varizes pélvicas em São Paulo
A Clínica Endovascular São Paulo realiza o diagnóstico por imagem — incluindo Doppler dirigido, angiotomografia e angiorressonância — e o tratamento por embolização das varizes pélvicas, com equipe de cirurgiões vasculares titulados. O planejamento é individualizado, em conjunto com o ginecologista de cada paciente quando aplicável.
A clínica atende os convênios Omint Premium, SulAmérica Executivo e SulAmérica Prestige, além de pacientes particulares. Veja também o panorama completo das síndromes venosas abdominais que tratamos, incluindo a síndrome de May-Thurner e Cockett, que em alguns casos coexiste com a congestão pélvica. Se o que você tem são varizes comuns nas pernas, sem dor pélvica associada, veja nosso guia sobre varizes.
Agende sua avaliaçãoSobre o autor
Prof. Dr. Igor Rafael Sincos é cirurgião vascular e endovascular, Doutor e Pós-Doutor pela Universidade de São Paulo (USP), com fellowship em Harvard Medical School. Médico — CRM-SP 117.876 · Cirurgia Vascular RQE 126.825 · Cirurgia Endovascular RQE 132.643. Atua no diagnóstico e tratamento das síndromes venosas abdominais em São Paulo.
Referências
- Corrêa MP, Bianchini L, Saleh JN, Noel RS, Bajerski JC. Síndrome da congestão pélvica e embolização de varizes pélvicas. J Vasc Bras. 2019;18:e20190061.
- Borghi C, Dell'Atti L. Pelvic congestion syndrome: the current state of the literature. Arch Gynecol Obstet. 2016;293:291-301.
- Kim HS, Malhotra AD, Rowe PC, Lee JM, Venbrux AC. Embolotherapy for pelvic congestion syndrome: long-term results. J Vasc Interv Radiol. 2006;17(2 Pt 1):289-297.
- Guirola JA, et al. A Randomized Trial of Endovascular Embolization Treatment in Pelvic Congestion Syndrome: Fibered Platinum Coils versus Vascular Plugs with 1-Year Clinical Outcomes. J Vasc Interv Radiol. 2018;29(1):45-53.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico. Publicado e revisado em 4 de setembro de 2026.
Perguntas frequentes
Pode. As varizes pélvicas (síndrome da congestão pélvica) respondem por 16 a 31% dos casos de dor pélvica crônica na literatura médica, mas costumam ficar de fora da investigação inicial porque os exames ginecológicos de rotina nem sempre mostram veias dilatadas na pelve.
Porque as varizes pélvicas não são uma doença ginecológica — são uma condição vascular. O ultrassom pélvico transvaginal de rotina é ótimo para avaliar útero e ovários, mas não foi desenhado para mapear refluxo em veias ovarianas e pélvicas, que exige um Doppler vascular dirigido. Não é falha de ninguém: é uma questão de qual especialista, com qual exame, investiga cada parte do problema.
É comum aparecerem varizes vulvares ou na virilha durante a gravidez, por causa do aumento de volume sanguíneo e da compressão das veias pélvicas pelo útero. Na maioria dos casos, regridem em 3 a 4 meses após o parto com o uso de meias de compressão. Quando não desaparecem depois desse período, vale investigar congestão pélvica — é um sinal que a concorrência raramente conecta, mas que muda a conduta.
Começa pelo ultrassom Doppler pélvico e transvaginal, dirigido para avaliar refluxo nas veias ovarianas e pélvicas — diferente do ultrassom ginecológico de rotina. A confirmação e o planejamento do tratamento usam angiotomografia ou angiorressonância, que mapeiam a extensão das varizes antes da embolização.
Por uma punção, um cateter fino é guiado até as veias ovarianas e pélvicas dilatadas, onde são liberadas molas (coils) ou outro material embolizante que bloqueia o refluxo. O procedimento não exige cortes, é feito com sedação e anestesia local, e estudos publicados descrevem melhora da dor em cerca de 90% das pacientes acompanhadas por um ano.
São condições diferentes, mas podem estar relacionadas: em algumas mulheres, o mesmo refluxo venoso pélvico alimenta varizes atípicas nas pernas, na vulva ou nos glúteos. Se o que você tem são varizes comuns na perna, sem dor pélvica associada, veja nosso guia específico sobre varizes.
Sim, em alguns casos. A compressão da veia renal esquerda (síndrome de Nutcracker) pode represar sangue que acaba drenando pelas veias ovarianas, alimentando varizes pélvicas do lado esquerdo. É um dos motivos pelos quais o mapeamento por imagem antes da embolização é importante — identifica se há uma causa associada que muda o planejamento.
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