Tratamento de mioma uterino: todas as opções, da embolização à cirurgia
Miomas uterinos são tumores benignos do músculo do útero, muito comuns e, na maioria das vezes, sem necessidade de tratamento. Quando causam sangramento intenso, dor ou compressão, existem hoje várias opções que preservam o útero: a embolização das artérias uterinas, a ablação por radiofrequência, a retirada do mioma por histeroscopia e a miomectomia. A histerectomia — retirada do útero — deixou de ser a resposta única e passou a ser uma escolha entre outras, com indicações próprias. O que define o melhor caminho não é o tamanho isolado do mioma, mas onde ele está, quais sintomas provoca e se existe desejo de engravidar.
Revisado por Prof. Dr. Igor Rafael Sincos — Médico | CRM-SP 117.876 | Cirurgia Vascular RQE 126.825 | Cirurgia Endovascular RQE 132.643 · Publicado e atualizado em 28 de agosto de 2026
Do mioma à embolização, passo a passo
A animação mostra onde cada tipo de mioma se instala no útero e o que acontece durante a embolização — do cateter chegando às artérias uterinas até a redução do mioma. Ative as legendas para acompanhar cada etapa.
O que são miomas uterinos?
Miomas são tumores benignos formados a partir do músculo liso da parede do útero. Também são chamados de leiomiomas ou fibromas, e recebem o código D25 na Classificação Internacional de Doenças. Benigno, aqui, significa que não são câncer e não se transformam em câncer na prática clínica — a transformação maligna é considerada rara e, quando existe malignidade, em geral ela já estava presente desde o início, e não surgiu de um mioma preexistente.
São extremamente comuns. Estudos de base populacional nos Estados Unidos estimam que cerca de 70% das mulheres brancas e 80% das mulheres negras terão pelo menos um mioma até os 50 anos. A maioria absoluta nunca causará sintoma nenhum e será descoberta por acaso, num ultrassom de rotina.
Eles dependem de estímulo hormonal para crescer. Por isso surgem na idade reprodutiva, podem aumentar durante a gestação e tendem a estabilizar ou regredir após a menopausa, quando cai a produção de estrogênio e progesterona.
Quais são os sintomas do mioma?
Quando o mioma dá sintomas, os mais frequentes são:
- Sangramento menstrual intenso ou prolongado — o sintoma mais comum, e o que mais leva ao tratamento. Pode causar anemia, cansaço e falta de ar aos esforços.
- Cólicas e dor pélvica, que podem aparecer fora do período menstrual.
- Sensação de peso ou aumento do volume abdominal, às vezes confundida com ganho de peso.
- Vontade frequente de urinar ou dificuldade para esvaziar a bexiga, quando o mioma comprime estruturas vizinhas; mais raramente, constipação por compressão do intestino.
- Dor durante a relação sexual, dependendo da posição do mioma.
- Dificuldade para engravidar ou perdas gestacionais de repetição, especialmente quando o mioma deforma a cavidade do útero.
Vale um alerta prático: sangramento que encharca absorventes em menos de duas horas, que dura mais de sete dias ou que vem com coágulos grandes não é "normal" nem deve ser tolerado por anos. Anemia por sangramento menstrual é uma causa frequente — e tratável — de cansaço crônico em mulheres.
O que causa miomas? Fatores de risco
A causa exata não é conhecida. Sabe-se que o mioma nasce de uma única célula muscular que passa a se multiplicar, e que hormônios femininos e fatores genéticos determinam seu crescimento. Os fatores associados a maior risco são:
- Idade reprodutiva, com pico entre os 30 e os 50 anos
- História familiar — ter mãe ou irmã com miomas aumenta o risco
- Ascendência afrodescendente, com miomas em geral mais precoces e mais numerosos
- Obesidade e sobrepeso
- Nunca ter engravidado
Nada disso é culpa da paciente nem consequência de comportamento. São fatores de probabilidade, não de causa direta.
Como é feito o diagnóstico?
O exame inicial é o ultrassom pélvico ou transvaginal, que identifica a maioria dos miomas e mede o útero. Ele responde bem à primeira pergunta: existem miomas e de que tamanho?
Quando o planejamento do tratamento exige mais precisão, entram outros exames:
- Ressonância magnética — mapeia com exatidão o número, o tamanho e, sobretudo, a posição de cada mioma. É o exame que melhor orienta a escolha entre as técnicas, e o preferido antes da embolização, porque também avalia a irrigação dos miomas e ajuda a diferenciar de outras condições, como a adenomiose.
- Histeroscopia — uma câmera fina examina a cavidade do útero por dentro. É diagnóstica e, em muitos casos, já permite tratar no mesmo tempo.
- Exames de sangue — hemograma para verificar anemia, que muda a urgência da conduta.
Onde o mioma está muda mais do que o tamanho
Esta é a informação que mais confunde as pacientes — e a que mais importa. Duas mulheres com miomas do mesmo tamanho podem ter tratamentos completamente diferentes, porque o que determina o sintoma e a técnica é a posição do mioma na parede do útero.
A classificação internacional da FIGO organiza os miomas em nove tipos, de 0 a 8, conforme a profundidade em que estão. Na prática, três grupos resumem a lógica:
| Grupo | Tipos FIGO | Onde fica | O que costuma causar |
|---|---|---|---|
| Submucoso | 0, 1, 2 | Projeta-se para dentro da cavidade do útero | Sangramento intenso e impacto na fertilidade, mesmo quando pequeno |
| Intramural | 3, 4 | Dentro da parede muscular | Sangramento, cólica e aumento do volume uterino |
| Subseroso | 5, 6, 7 | Cresce para fora do útero | Compressão da bexiga e do intestino, peso pélvico; sangra pouco |
O tipo 8 reúne os miomas que não se ligam diretamente à parede uterina, como os cervicais. Os tipos 0 e 7 são os "pediculados" — presos por uma haste fina, para dentro ou para fora do útero.
A consequência prática é direta: um mioma submucoso de 2 cm pode causar sangramento incapacitante e ser resolvido por histeroscopia, enquanto um subseroso de 8 cm pode não provocar sangramento algum. Por isso não existe um "tamanho a partir do qual se opera" — a pergunta correta é onde ele está e o que ele está causando.
Todo mioma precisa ser tratado?
Não. Mioma sem sintoma, em geral, não precisa de tratamento — apenas de acompanhamento periódico. Tratar um mioma que não incomoda expõe a paciente aos riscos de um procedimento sem benefício correspondente.
O tratamento passa a ser indicado quando existe:
- Sangramento intenso, com ou sem anemia
- Dor ou pressão pélvica que atrapalham a rotina
- Compressão de bexiga ou intestino
- Infertilidade ou perdas gestacionais associadas a mioma que deforma a cavidade
- Crescimento rápido ou características atípicas na imagem, que exigem investigação
Para sangramento associado a miomas menores que 3 cm que não deformam a cavidade uterina, a diretriz britânica NICE (NG88) orienta considerar primeiro o DIU hormonal com levonorgestrel, antes de qualquer procedimento. É um passo simples que resolve muitos casos e costuma ser pulado.
Quais são os tratamentos para mioma hoje?
O cenário mudou nas últimas duas décadas. Antes, o caminho para o mioma sintomático terminava com frequência na retirada do útero. Hoje há um leque de opções que preservam o órgão, e a histerectomia passou a ser uma escolha entre outras — reservada a situações específicas.
| Técnica | Como é feita | Melhor indicação |
|---|---|---|
| Embolização das artérias uterinas | Por punção, sem cortes, com cateter | Miomas múltiplos ou volumosos, com sangramento e compressão, em quem quer preservar o útero |
| Ablação por radiofrequência | Calor aplicado dentro do mioma, por via vaginal ou laparoscópica | Miomas em número limitado, intramurais ou submucosos selecionados |
| Miomectomia histeroscópica | Pela vagina, com câmera, sem cortes na barriga | Miomas submucosos (FIGO 0, 1 e 2) |
| Miomectomia laparoscópica ou aberta | Cirurgia que retira o mioma e reconstrói o útero | Miomas intramurais ou subserosos, sobretudo com desejo de gestação |
| Histerectomia | Retirada do útero | Falha das demais, suspeita de malignidade ou escolha informada da paciente |
Como funciona a embolização das artérias uterinas?
A embolização parte de uma observação simples: o mioma depende de um suprimento de sangue próprio e abundante para crescer. Se esse suprimento for interrompido, ele perde volume e para de sangrar — enquanto o útero, que recebe sangue por outras vias, continua irrigado.
O procedimento é endovascular. Por uma punção — no punho ou na virilha —, um cateter muito fino é guiado por raios X até as artérias uterinas. Chegando lá, são liberadas microesferas calibradas que ocluem seletivamente os ramos que alimentam os miomas. Não há cortes, e a anestesia é local com sedação. Quem realiza é a equipe endovascular, em conjunto com o ginecologista que acompanha a paciente.
O que a evidência mostra
É uma técnica com décadas de uso e ensaios clínicos randomizados. Séries brasileiras descrevem sucesso técnico em torno de 97% dos casos, melhora dos sintomas em mais de 90% das pacientes e redução expressiva do volume uterino nos primeiros meses.
No ensaio randomizado FEMME, publicado no New England Journal of Medicine em 2020, embolização e miomectomia foram comparadas diretamente em mulheres que não queriam retirar o útero. Ambas melhoraram muito a qualidade de vida em dois anos, com vantagem modesta para a miomectomia — uma diferença de cerca de 8 pontos numa escala de 100.
E há o dado de longo prazo, que precisa ser dito com honestidade: no estudo EMMY, com dez anos de seguimento, aproximadamente uma em cada três mulheres tratadas por embolização acabou fazendo histerectomia ao longo do período. Dito de outro modo, a maioria evitou a cirurgia definitiva por pelo menos dez anos — o que, para muitas pacientes, é exatamente o objetivo — mas a embolização não garante que nenhuma outra intervenção será necessária no futuro.
Quando a embolização costuma ser a melhor escolha
- Miomas múltiplos, em que retirar um a um seria uma cirurgia extensa
- Útero volumoso com sintomas de compressão
- Desejo claro de preservar o útero
- Contraindicação ou recusa a cirurgia de maior porte
- Recidiva de sintomas após miomectomia prévia
Quando ela não é a indicação
- Suspeita de malignidade — que precisa ser esclarecida antes de qualquer tratamento
- Infecção pélvica ativa
- Miomas pediculados subserosos com haste muito fina, pelo risco de desprendimento
- Forte desejo de engravidar, situação em que a miomectomia costuma ser preferida
E a ablação por radiofrequência?
É a opção mais recente entre as que preservam o útero. Em vez de bloquear a circulação, ela trata o mioma diretamente: uma agulha-eletrodo é posicionada dentro do nódulo, guiada por ultrassom, e libera calor por radiofrequência que destrói o tecido do mioma de dentro para fora. O organismo reabsorve esse tecido ao longo dos meses seguintes, e o mioma diminui.
Há duas vias de acesso:
- Transcervical — o dispositivo entra pela vagina e pelo colo do útero, sem nenhuma incisão. É a via menos invasiva das técnicas que tratam o mioma diretamente.
- Laparoscópica — por pequenas incisões no abdome, com a agulha posicionada sob visão direta e ultrassom. Útil para miomas de acesso difícil pela via vaginal.
Os dados de médio prazo são consistentes. No estudo pivotal SONATA, da ablação transcervical, a taxa de reintervenção cirúrgica foi de 8,2% em três anos, com satisfação de 94% das pacientes em dois anos; um seguimento posterior mais longo descreveu reintervenção de 11,8% após cerca de cinco anos em média.
A ablação por radiofrequência funciona melhor quando os miomas são em número limitado e podem ser individualmente alcançados. Para úteros com muitos nódulos, a embolização costuma resolver o conjunto de uma só vez. As duas técnicas se complementam, e a escolha depende do mapa de imagem — número, tamanho e posição dos nódulos.
A disponibilidade dos dispositivos de ablação uterina ainda é restrita no Brasil. Na Endovascular São Paulo, a ablação por radiofrequência é realizada pela equipe de radiologia intervencionista, com o Dr. Márcio dos Santos Meira (CRM 172.049 · RQE 760.601), que atua em procedimentos de ablação guiados por imagem. A indicação é definida caso a caso, após o mapeamento por ressonância ou ultrassom.
Quando a histeroscopia é a melhor escolha?
Para miomas submucosos — os tipos 0, 1 e 2 da FIGO —, a miomectomia histeroscópica é o tratamento de escolha. São os miomas que se projetam para dentro da cavidade uterina e que, mesmo pequenos, causam os sangramentos mais intensos e o maior impacto sobre a fertilidade.
O procedimento é feito pela vagina, com uma óptica fina e um instrumento que ressecta ou vaporiza o mioma. Não há corte na barriga, a recuperação é rápida e a paciente costuma voltar às atividades em poucos dias. Quem realiza é o ginecologista.
A extensão do componente que fica dentro da parede muscular limita a técnica: quanto mais o mioma se aprofunda no miométrio — tipo 2, principalmente —, maior a chance de ser necessário mais de um tempo cirúrgico ou de a via histeroscópica não ser suficiente.
Quando a miomectomia cirúrgica é indicada?
A miomectomia retira o nódulo e reconstrói a parede do útero, preservando o órgão. Pode ser feita por laparoscopia, por cirurgia robótica ou por via aberta, conforme o tamanho, o número e a posição dos miomas.
É a opção preferida principalmente em duas situações:
- Desejo forte de engravidar, sobretudo com miomas que deformam a cavidade uterina — a literatura mostra melhores desfechos reprodutivos com miomectomia do que com embolização.
- Poucos miomas bem delimitados, em que a retirada resolve o problema de forma direta.
Como toda cirurgia, tem contrapartidas: sangramento intraoperatório, aderências, recuperação mais longa que a das técnicas percutâneas e, dependendo da profundidade da sutura no útero, indicação de parto cesáreo em gestações futuras. Novos miomas também podem surgir com o tempo, já que a cirurgia trata os nódulos existentes, não a tendência a formá-los.
Quando a histerectomia ainda faz sentido?
A retirada do útero é o único tratamento que elimina definitivamente a possibilidade de novos miomas. Ela deixou de ser a primeira resposta — e é justamente por isso que precisa ser apresentada com clareza, e não como fracasso ou como ameaça.
Continua sendo a indicação correta quando há:
- Suspeita de malignidade uterina
- Sangramento grave que não respondeu às demais opções, com repercussão clínica
- Útero muito volumoso com sintomas importantes e falha ou contraindicação das alternativas
- Prolapso uterino ou outras doenças associadas que já indicariam a cirurgia
- Escolha informada da paciente que não deseja mais engravidar e prefere a solução definitiva
No estudo EMMY, que comparou embolização e histerectomia, ambas melhoraram significativamente a qualidade de vida — a diferença está no caminho, no tempo de recuperação e no que cada mulher considera aceitável para a sua vida. Uma decisão bem tomada é a que a paciente compreende inteiramente, com as opções sobre a mesa.
E quem quer engravidar?
Esse ponto merece uma resposta cuidadosa, porque durante anos foi tratado como se houvesse uma saída única — e a evidência acumulada nas últimas duas décadas conta uma história diferente.
Comecemos pelo que não mudou: nem todo mioma atrapalha a fertilidade. Os submucosos, que deformam a cavidade uterina, são os que reduzem as chances de gravidez e aumentam o risco de perda gestacional. Os subserosos, em geral, não interferem.
O que mudou é o que se sabe sobre engravidar depois da embolização. A técnica preserva o útero por definição — esse é o seu princípio — e as séries de longo prazo mostram gestações espontâneas em números expressivos.
O maior conjunto de dados vem de Portugal. Uma coorte do Hospital de São Luís com a Universidade Nova de Lisboa acompanhou 359 mulheres com miomas que não conseguiam engravidar, por uma mediana de quase seis anos. Depois da embolização, 149 engravidaram e 131 tiveram filhos — 150 bebês ao todo. Para 85,5% delas, era a primeira gestação. A probabilidade de gravidez espontânea foi de 29,5% em um ano e 40,1% em dois anos; a de gravidez com nascimento vivo, 24,4% e 36,7% (Radiology, 2017).
Dois achados desse estudo merecem destaque. O primeiro contraria o receio mais comum: ter um mioma submucoso dominante associou-se a maior chance de gravidez espontânea após a embolização. O segundo é técnico — em 160 pacientes foi realizada a embolização parcial, em que apenas os pequenos vasos que alimentam o mioma são ocluídos, preservando os vasos maiores, com o objetivo explícito de proteger a fertilidade. Nesse grupo, as complicações foram menores (14,6% contra 23,1%).
Não se trata de um resultado isolado. Uma revisão sistemática com metanálise de 24 estudos encontrou gestação em 40,5% das mulheres que desejavam engravidar após a embolização (Cardiovascular and Interventional Radiology, 2020), com taxas de perda gestacional e de complicações obstétricas próximas às da população geral da mesma faixa etária.
Nada disso significa que a embolização seja sempre a escolha certa para quem quer engravidar. A miomectomia continua sendo uma excelente opção, sobretudo diante de poucos miomas bem delimitados que deformam a cavidade, e parte das diretrizes ainda a coloca como preferência nesse cenário específico. O que a evidência atual sustenta é que a embolização deixou de ser um caminho fechado para quem deseja gestação: preserva o útero, tem gestações e nascimentos documentados em série grande, e pode ser a melhor alternativa quando os miomas são múltiplos, quando a miomectomia seria uma cirurgia extensa ou quando já houve cirurgia uterina prévia.
A decisão é individual e precisa envolver o ginecologista: idade, reserva ovariana, tempo de tentativa, número e posição dos miomas e cirurgias anteriores pesam tanto quanto a técnica escolhida.
Como é a recuperação de cada tratamento?
| Técnica | Anestesia | Internação | Retorno às atividades |
|---|---|---|---|
| Embolização | Local com sedação | Cerca de 1 dia | 1 a 2 semanas |
| Ablação por radiofrequência | Geral ou sedação | Curta, por vezes no mesmo dia | Poucos dias a 1 semana |
| Histeroscopia | Geral ou sedação | Geralmente no mesmo dia | Poucos dias |
| Miomectomia laparoscópica | Geral | 1 a 2 dias | 2 a 4 semanas |
| Miomectomia aberta | Geral | 2 a 3 dias | 4 a 6 semanas |
| Histerectomia | Geral | 1 a 3 dias | 4 a 6 semanas |
São faixas médias, não promessas: a recuperação real varia com o caso, o porte do procedimento e as condições clínicas de cada paciente.
Quando procurar avaliação?
Vale marcar uma consulta se você tem sangramento menstrual intenso ou prolongado, anemia sem causa definida, dor pélvica persistente, aumento do volume abdominal, sintomas urinários associados ao período menstrual, ou se já recebeu o diagnóstico de mioma e não teve as opções de tratamento apresentadas por inteiro.
Procure atendimento imediato em caso de sangramento muito intenso com tontura, desmaio, palidez ou falta de ar, ou dor pélvica súbita e forte.
Tratamento de mioma em São Paulo
Na Endovascular São Paulo, a avaliação de mioma começa pelo mapeamento por imagem e pela conversa sobre o que incomoda e o que a paciente deseja para o futuro reprodutivo. A embolização das artérias uterinas e a ablação por radiofrequência são realizadas pela equipe endovascular e de radiologia intervencionista, sempre em articulação com o ginecologista que acompanha o caso — e, quando a melhor indicação é histeroscopia, miomectomia ou histerectomia, esse encaminhamento é feito com a mesma clareza.
Atendemos nas unidades do Jardim Paulista e do Jardim Anália Franco, com procedimentos realizados em hospitais de referência de São Paulo. Conheça a página sobre embolização de mioma ou veja os convênios atendidos.
Referências
- Munro MG, et al. FIGO classification system (PALM-COEIN) for causes of abnormal uterine bleeding. Int J Gynaecol Obstet. 2011.
- Manyonda I, et al. Uterine-Artery Embolization or Myomectomy for Uterine Fibroids (FEMME trial). N Engl J Med. 2020.
- de Bruijn AM, et al. Uterine artery embolization vs hysterectomy: 10-year outcomes from the randomized EMMY trial. Am J Obstet Gynecol. 2016.
- Miller CE, et al. Three-Year Results of the SONATA Pivotal Trial of Transcervical Fibroid Ablation. 2020.
- Pisco JM, et al. Spontaneous Pregnancy with a Live Birth after Conventional and Partial Uterine Fibroid Embolization. Radiology. 2017. (coorte de Lisboa, 359 mulheres)
- Ghanaati H, et al. Pregnancy and its Outcomes in Patients After Uterine Fibroid Embolization: A Systematic Review and Meta-Analysis. Cardiovasc Intervent Radiol. 2020.
- NICE. Heavy menstrual bleeding: assessment and management (NG88).
- Tratamento endovascular da miomatose uterina: uma revisão sistemática. J Vasc Bras.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico. A indicação de cada técnica é individual e depende de avaliação presencial. Publicado e revisado em 28 de agosto de 2026.
Perguntas frequentes
Não. Mioma que não causa sintomas e não compromete a fertilidade geralmente só precisa de acompanhamento. O tratamento é indicado quando há sangramento intenso, anemia, dor, compressão de bexiga ou intestino, ou quando o mioma interfere na gravidez. Crescimento rápido ou achados atípicos exigem investigação específica.
Sim. A embolização bloqueia apenas os vasos que alimentam os miomas; o útero continua irrigado por outras vias e é preservado. É justamente esse o objetivo da técnica, e o motivo de ela ser uma alternativa à histerectomia para muitas mulheres.
Depende do caso, e as duas funcionam. No ensaio randomizado FEMME (NEJM, 2020), as duas melhoraram muito a qualidade de vida em dois anos, com vantagem modesta para a miomectomia. A embolização evita cortes e tem recuperação mais curta; a miomectomia retira o mioma e tem melhores resultados reprodutivos. A decisão é compartilhada entre a paciente, o ginecologista e a equipe endovascular.
Sim, e há dados robustos sobre isso. Numa coorte portuguesa de 359 mulheres que não conseguiam engravidar, 149 engravidaram e 131 tiveram filhos após a embolização, com probabilidade de gravidez espontânea de 40,1% em dois anos (Radiology, 2017). Uma metanálise de 24 estudos encontrou gestação em 40,5% das mulheres que desejavam engravidar. A embolização preserva o útero; a escolha entre ela e a miomectomia é individual e deve ser discutida com o ginecologista.
O procedimento é feito com sedação e anestesia local, por punção, sem cortes. Nos primeiros dias são esperadas cólicas — resposta do mioma à interrupção do suprimento de sangue — controladas com analgesia. A internação costuma ser de um dia e o retorno às atividades acontece, em geral, em uma a duas semanas.
A redução é progressiva ao longo de semanas a meses, não imediata. Séries brasileiras descrevem melhora dos sintomas em mais de 90% das pacientes já nos primeiros meses e redução expressiva do volume uterino. A melhora do sangramento costuma ser percebida antes da mudança de tamanho.
Quando há suspeita de malignidade, sangramento grave que não responde a outros tratamentos, útero muito volumoso com falha das alternativas, ou quando a própria paciente, informada das opções, prefere a solução definitiva e não deseja mais engravidar. Deixou de ser a primeira resposta, mas continua sendo a resposta certa em situações específicas.
Os miomas tratados regridem, mas novos miomas podem surgir enquanto houver função ovariana — isso vale para qualquer tratamento conservador. Nos estudos de longo prazo, uma parte das pacientes tratadas por embolização acaba precisando de outro procedimento anos depois. O acompanhamento ginecológico continua após qualquer técnica.
A embolização de miomas uterinos consta no rol de procedimentos com cobertura obrigatória pelos planos regulamentados, quando há indicação médica, assim como as cirurgias ginecológicas. A autorização depende da análise de cada operadora, e nossa equipe orienta a documentação necessária.
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