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Varizes: sintomas, causas, classificação e tratamento

Varizes são veias dilatadas e tortuosas, geralmente com 3 mm ou mais, causadas por falha das válvulas venosas que faz o sangue refluir. Não são apenas estética: fazem parte da doença venosa crônica, que é progressiva. O tratamento padrão atual é a termoablação por laser ou radiofrequência, guiada pelo mapeamento do ultrassom Doppler, com retorno rápido às atividades.

Revisado por Prof. Dr. Igor Rafael Sincos — Médico | CRM-SP 117.876 | Cirurgia Vascular RQE 126.825 | Cirurgia Endovascular RQE 132.643 · Publicado e atualizado em 19 de agosto de 2026

O que são varizes?

Varizes são veias subcutâneas dilatadas e tortuosas — em geral com 3 mm ou mais de diâmetro — que surgem quando as válvulas dentro das veias deixam de funcionar (ESVS 2022). Nas pernas, o sangue precisa vencer a gravidade para voltar ao coração; quando as válvulas falham, parte dele reflui e fica represada, aumentando a pressão dentro da veia, que se dilata progressivamente. Na maioria dos casos, o problema começa nas veias safenas e em seus ramos. No CID-10, as varizes dos membros inferiores são classificadas sob o código I83.

Varizes não são apenas uma questão estética: são a face visível da doença venosa crônica, uma condição progressiva. No estudo populacional de Bonn, cerca de um terço dos pacientes com varizes e refluxo de safena evoluiu para um estágio mais avançado da doença em 6 anos. Tratar no momento certo interrompe essa progressão.

O problema é extremamente comum: o principal estudo brasileiro encontrou varizes em cerca de metade dos adultos avaliados — incluindo mais de um terço dos homens (Maffei et al., Botucatu-SP).

Quais são os sintomas de varizes?

Além das veias visíveis, os sintomas mais comuns são sensação de peso e cansaço nas pernas (pior no fim do dia), dor, queimação, inchaço no tornozelo, cãibras noturnas e coceira. Em muitas pessoas os sintomas pioram no calor, antes da menstruação e após longos períodos em pé.

Sinais de que a doença avançou — procure avaliação com prioridade

  • Escurecimento da pele perto do tornozelo (dermatite ocre) ou pele endurecida;
  • Ferida que não cicatriza na perna (úlcera venosa);
  • Veia dolorosa, endurecida e avermelhada — pode ser tromboflebite;
  • Sangramento a partir de uma variz — comprima o local, eleve a perna e procure atendimento.

O que causa varizes? Fatores de risco

  • História familiar — um dos fatores mais fortes: varizes têm importante componente genético;
  • Sexo feminino, hormônios e gestações — cada gravidez aumenta o risco;
  • Idade — a prevalência sobe década a década;
  • Obesidade e longos períodos em pé ou sentado no trabalho.

Cruzar as pernas e usar salto alto não estão entre as causas — são mitos comuns, sem evidência científica. E ao contrário do que se pensa, homem também tem varizes, e com frequência chega ao consultório em estágios mais avançados por adiar a avaliação.

Vasinhos, veias reticulares e varizes: qual a diferença?

A medicina classifica a doença venosa crônica pela escala CEAP, usada nas diretrizes do mundo todo (revisão de 2020). Entender o seu estágio ajuda a entender o tratamento:

ClasseO que significa
C0Sem sinais visíveis (pode haver sintomas)
C1Vasinhos (telangiectasias) e veias reticulares finas
C2Varizes propriamente ditas (≥ 3 mm)
C3Inchaço (edema) de origem venosa
C4Alterações de pele: escurecimento, eczema, endurecimento
C5Úlcera venosa cicatrizada
C6Úlcera venosa ativa

Vasinhos (C1) têm tratamento essencialmente estético, com escleroterapia ou laser transdérmico. A partir de C2, existe doença venosa que merece investigação — e quanto mais avançada a classe, maior o benefício de tratar a causa.

Como é feito o diagnóstico?

O exame de escolha é o ultrassom Doppler venoso (eco-Doppler), indicado pelas diretrizes como primeira linha para todo paciente com suspeita de doença venosa (ESVS 2022; SBACV 2023). Realizado com o paciente em pé, ele mapeia quais veias têm refluxo — pelos critérios internacionais, um refluxo acima de 0,5 segundo nas safenas indica insuficiência (SVS/AVF 2022). É esse mapa que define qual técnica trata o seu caso, e por isso ele é feito antes de qualquer decisão.

Quando operar varizes? Toda variz precisa de cirurgia?

Não. O plano depende da classe CEAP, dos sintomas e do mapeamento do Doppler. Mas um ponto importante das diretrizes: a meia de compressão alivia sintomas, porém não trata a causa — o refluxo continua lá. A diretriz britânica NICE orienta não oferecer a meia como tratamento definitivo quando o paciente é candidato à correção do refluxo, e a diretriz americana sugere não exigir meses de "teste de meia" antes de autorizar o tratamento (NICE CG168; SVS/AVF 2022).

Onde cada medida conservadora ajuda de verdade:

  • Meias de compressão: alívio de sintomas, espera do procedimento, pós-operatório, gestação e tratamento de úlceras;
  • Medicamentos flebotônicos (como diosmina-hesperidina): podem reduzir edema e sintomas (SBACV 2023) — não eliminam varizes;
  • Exercício físico regular e controle de peso: recomendação formal da diretriz brasileira para todos os estágios.

Quais são os tratamentos para varizes?

O tratamento moderno é individualizado pelo mapa do Doppler — e as três principais diretrizes (europeia, americana e brasileira) convergem: para insuficiência das safenas, a termoablação endovenosa por laser ou radiofrequência é a primeira escolha, preferível à cirurgia convencional (ESVS 2022, recomendação Classe I; NICE CG168; SBACV 2023, Nível A).

Termoablação por laser (EVLA) ou radiofrequência

Uma fibra fina é introduzida na veia doente por punção guiada por ultrassom, e a energia térmica sela a veia por dentro — sem cortes. O procedimento usa anestesia local com sedação na maioria dos casos, a caminhada é imediata e o retorno a atividades leves costuma ocorrer em 1 a 2 dias. A diretriz brasileira cita cerca de 92% de sucesso na oclusão da safena magna (SBACV 2023), com resultados que se mantêm em estudos de 5 anos.

Escleroterapia com espuma ecoguiada

Injeção de um agente que fecha a veia, guiada por ultrassom. É menos invasiva e útil em casos selecionados (veias tortuosas, recidivas, pacientes que não podem operar), mas tem maior taxa de reabertura da veia — cerca de 1 em cada 5 pacientes precisa de retratamento no primeiro ano (SBACV 2023) — por isso é classificada como segunda linha para as safenas.

Cirurgia convencional (safenectomia)

A retirada da safena por incisões ainda tem indicações — anatomia desfavorável à termoablação, veias muito superficiais ou tortuosas — com bons resultados de longo prazo, ao custo de recuperação mais lenta e mais hematomas. As microvarizes visíveis costumam ser retiradas por microincisões (flebectomia) no mesmo procedimento, qualquer que seja a técnica principal.

Comparação entre as técnicas

Laser / RadiofrequênciaEspuma ecoguiadaCirurgia convencional
Posição nas diretrizes1ª escolha (ESVS I; SBACV A)2ª linha (SBACV IIb)Alternativa (SBACV IIa)
CortesNão — punçãoNão — injeçãoIncisões
Retorno a atividades leves~1–2 diasQuase imediatoDias a ~2 semanas
Oclusão da veia tratada~92% na safena magna (SBACV 2023)Menor; ~20% retratam em 1 anoAlta, comprovada em décadas
Indicação típicaInsuficiência de safenaRecidivas, casos selecionadosAnatomia desfavorável à fibra

Fontes: ESVS 2022; NICE CG168; SBACV 2023. A indicação final é individual, definida pelo mapeamento do Doppler.

Como é o pós-operatório do tratamento de varizes?

Depois da termoablação, você caminha no mesmo dia — e isso faz parte do tratamento: a movimentação ajuda a circulação e reduz o risco de trombose. A meia de compressão é usada por um período definido pela equipe, em geral de alguns dias a algumas semanas, e hematomas, endurecimento no trajeto da veia e sensação de repuxamento são esperados e regridem ao longo das primeiras semanas.

O retorno ao trabalho depende muito mais do tipo de atividade do que da técnica em si:

Tipo de trabalhoRetorno típico após termoablação
Escritório, home office, atividades leves1 a 2 dias
Trabalho longos períodos em pé (comércio, sala cirúrgica)Poucos dias, com meia de compressão e pausas
Esforço físico intenso ou levantamento de pesoLiberação progressiva, geralmente após 2 a 3 semanas

Faixas típicas relatadas em séries clínicas e na prática — a liberação é sempre individual, definida na consulta de retorno. Após cirurgia convencional, os prazos costumam ser maiores.

Procure a equipe antes do retorno agendado se aparecer dor intensa e progressiva na panturrilha, inchaço súbito de toda a perna, febre, vermelhidão que se espalha ou falta de ar — sinais que precisam ser avaliados sem esperar.

O convênio cobre o tratamento de varizes?

A cirurgia de varizes com indicação médica é um procedimento consolidado no sistema de saúde brasileiro. A cobertura da técnica endovenosa (laser ou radiofrequência) varia conforme o plano e as regras vigentes — em geral, casos com sintomas e refluxo documentado no Doppler têm caminho de autorização mais direto do que tratamentos puramente estéticos (vasinhos), que os planos normalmente não cobrem. Nossa equipe avalia o seu caso e orienta o processo junto ao convênio.

Varizes na gravidez: o que fazer?

A gestação é um dos principais gatilhos de varizes — pelo efeito hormonal e pela compressão do útero sobre as veias do abdome. Durante a gravidez, o tratamento é conservador: meias de compressão, elevação das pernas e atividade física orientada. Vasinhos e veias pequenas podem regredir nos primeiros meses após o parto; veias maiores com refluxo raramente regridem por completo. O que persistir pode ser tratado, em geral a partir de 3 a 6 meses do pós-parto, com o mapeamento refeito. Varizes que surgem na gravidez merecem avaliação também para investigar as veias pélvicas — veja nossa página sobre varizes pélvicas e síndromes venosas.

Varizes voltam depois do tratamento?

As veias tratadas são fechadas ou removidas e raramente reabrem — mas a predisposição continua. Estudos de acompanhamento de 5 anos mostram que aproximadamente metade dos pacientes desenvolve alguma variz nova nesse período — independentemente da técnica usada, inclusive cirurgia convencional. Isso raramente significa refazer tudo: em geral são veias novas e menores, tratadas de forma simples nas revisões. O acompanhamento periódico é o que mantém o resultado ao longo da vida.

Quando procurar um cirurgião vascular?

  • Suas pernas doem, pesam ou incham com frequência, mesmo sem veias muito visíveis;
  • Você notou veias dilatadas ou tortuosas novas;
  • manchas escuras, coceira persistente ou endurecimento da pele perto do tornozelo;
  • Você tem ferida na perna que não cicatriza em poucas semanas;
  • Suas varizes surgiram ou pioraram na gravidez e persistem após o parto.

O cirurgião vascular é o especialista que conduz desde o diagnóstico com Doppler até todas as técnicas de tratamento — clínicas, estéticas e cirúrgicas.

Tratamento de varizes em São Paulo

A Clínica Endovascular São Paulo realiza o diagnóstico e o tratamento completo das varizes — termoablação por laser e radiofrequência, escleroterapia, espuma ecoguiada e cirurgia — com equipe de cirurgiões vasculares titulados e mapeamento por ultrassom Doppler. O plano é individualizado e discutido com transparência, incluindo o que o seu caso realmente precisa (e o que não precisa).

A clínica atende os convênios Omint Premium, SulAmérica Executivo e SulAmérica Prestige, além de pacientes particulares. Conheça também nossa página de tratamento estético de varizes e vasinhos e o cuidado com úlceras e feridas.

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Sobre o autor

Prof. Dr. Igor Rafael Sincos é cirurgião vascular e endovascular, Doutor e Pós-Doutor pela Universidade de São Paulo (USP), com fellowship em Harvard Medical School. Médico — CRM-SP 117.876 · Cirurgia Vascular RQE 126.825 · Cirurgia Endovascular RQE 132.643.

Referências

  1. De Maeseneer MG, et al. ESVS 2022 Clinical Practice Guidelines on the Management of Chronic Venous Disease of the Lower Limbs. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2022.
  2. Diretrizes da SBACV — Doença venosa crônica / varizes dos membros inferiores. J Vasc Bras. 2023.
  3. NICE. Varicose veins: diagnosis and management (CG168). 2013 (vigente).
  4. Gloviczki P, et al. SVS/AVF/AVLS guidelines for the management of varicose veins — Part I (2022) e Part II (2023). J Vasc Surg Venous Lymphat Disord.
  5. Lurie F, et al. The 2020 update of the CEAP classification. J Vasc Surg Venous Lymphat Disord. 2020.
  6. Rabe E, et al. Bonn Vein Study — progressão da doença venosa crônica. 2010.
  7. Maffei FH, et al. Prevalência de varizes e insuficiência venosa crônica em adultos — Botucatu, SP.
  8. Van der Velden SK, et al. Ensaio randomizado de 5 anos: EVLA vs cirurgia convencional. Br J Surg. 2015.

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico. Publicado e revisado em 19 de agosto de 2026.

FAQ

Perguntas frequentes

As veias tratadas são fechadas ou removidas e, na grande maioria dos casos, não reabrem. Porém, a doença venosa crônica é uma predisposição que permanece: novas varizes podem surgir com os anos, o que não significa falha do tratamento. Por isso o acompanhamento periódico faz parte do cuidado.

Na termoablação por laser ou radiofrequência, a caminhada é imediata e o retorno ao trabalho costuma ocorrer em 1 a 2 dias para atividades leves. Na cirurgia convencional, a recuperação é mais lenta — dias a cerca de duas semanas. Trabalhos com grande esforço físico podem exigir prazos maiores, definidos na consulta.

O tratamento de varizes com indicação médica é um procedimento consolidado no sistema de saúde. A cobertura da técnica endovenosa (laser/radiofrequência) varia conforme o plano e o rol vigente; nossa equipe avalia seu caso e orienta o processo de autorização junto ao convênio.

Sim. As técnicas atuais permitem tratamento em qualquer estação — a diferença prática é o uso da meia elástica no pós-operatório, que costuma ser mais confortável em dias frios, e a recomendação de proteger a pele do sol enquanto houver manchas ou hematomas em absorção.

Sim. Estudos populacionais mostram varizes em cerca de um terço ou mais dos homens adultos. Como muitos procuram avaliação tardiamente, é comum chegarem com estágios mais avançados — os sinais e o tratamento são os mesmos.

A doença venosa é progressiva: parte dos pacientes evolui ao longo dos anos para inchaço persistente, escurecimento e endurecimento da pele e, nos estágios finais, úlcera venosa. Também podem ocorrer tromboflebite e sangramento de uma variz. Tratar no estágio certo evita as fases avançadas.

Não há evidência de que cruzar as pernas ou usar salto cause varizes. Os fatores reais são genética, hormônios femininos, gestações, idade, obesidade e longos períodos em pé. O hábito de se movimentar e o controle do peso ajudam na prevenção dos sintomas.

Após a termoablação, caminhadas são liberadas — e recomendadas — desde o primeiro dia. Exercícios de maior impacto ou carga costumam ser liberados de forma progressiva nas primeiras semanas, conforme a avaliação no retorno.

A termoablação é feita com anestesia local (com ou sem sedação) e a maioria dos pacientes relata desconforto pequeno durante e após o procedimento, controlado com analgesia simples. Sensação de repuxamento ao longo do trajeto da veia tratada é comum nas primeiras semanas e vai cedendo.

Quem faz sedação não deve dirigir no mesmo dia. Nos dias seguintes, dirigir costuma ser liberado assim que você conseguir acionar os pedais sem dor e não estiver usando medicação que cause sonolência — combine o momento exato no seu retorno.

Voos curtos costumam ser liberados em poucos dias e voos longos exigem um intervalo maior, definido individualmente. Em qualquer viagem prolongada, valem as orientações de hidratação, movimentação das pernas e uso da meia de compressão indicada pela equipe.

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