Embolização de Varicocele: tratamento sem cirurgia, coberto pelo convênio
A embolização de varicocele é um procedimento minimamente invasivo, feito por punção, que trata a varicocele bloqueando por dentro a veia responsável pelo represamento de sangue — sem cortes e sem os dias de afastamento típicos da cirurgia. É indicada tanto para quem já tem indicação de tratamento (dor, alteração no espermograma, dificuldade para engravidar) quanto para quem já operou e a varicocele voltou, situação em que vale investigar uma causa que a primeira cirurgia pode não ter considerado. O procedimento consta no Rol de Procedimentos da ANS e tem cobertura obrigatória pelos planos de saúde hospitalares e de referência. Como em qualquer escolha entre duas técnicas, embolização e cirurgia têm vantagens e desvantagens próprias — a melhor opção depende do caso, avaliado em consulta.
Revisado por Prof. Dr. Igor Rafael Sincos — Médico | CRM-SP 117.876 | Cirurgia Vascular RQE 126.825 | Cirurgia Endovascular RQE 132.643 · Publicado e atualizado em 5 de setembro de 2026
Achado num exame de rotina, ou a varicocele voltou depois da cirurgia?
Boa parte de quem chega até este guia está em uma de duas situações bem diferentes. A primeira: a varicocele apareceu num exame físico ou de imagem de rotina, sem queixa nenhuma — entre 2% e 10% dos homens com varicocele relatam dor, então descobrir a condição sem sintoma é mais comum do que se pensa. A segunda: já foi operado, e a varicocele voltou, ou nunca melhorou de fato. As duas situações levam à mesma pergunta — vale tratar, e se sim, como — mas a segunda merece uma investigação própria, que esta página também aborda mais abaixo.
O que é varicocele, rapidamente
Varicocele é a dilatação das veias do plexo pampiniforme, a rede venosa que envolve o testículo. Ocorre quase sempre à esquerda, por uma predisposição anatômica na forma como a veia espermática esquerda drena. O sangue que deveria retornar à circulação represa nessas veias dilatadas, o que pode gerar desconforto, sensação de peso no testículo, alteração de parâmetros no espermograma ou, em alguns casos, atrofia testicular progressiva. Nem toda varicocele exige tratamento — a decisão depende dos sintomas, do espermograma e dos planos reprodutivos de cada paciente.
Cirurgia ou embolização: como cada uma funciona
As duas técnicas têm o mesmo objetivo — interromper o refluxo na veia espermática dilatada —, mas por caminhos diferentes. A varicocelectomia cirúrgica liga ou secciona essa veia por um acesso na virilha, no abdome (via laparoscópica) ou, na técnica considerada padrão-ouro, por microcirurgia subinguinal com magnificação óptica. A embolização é feita por punção de uma veia periférica: um cateter fino é guiado por imagem até a veia espermática, onde molas (coils) ou outro material embolizante bloqueiam o fluxo por dentro — sem cortes, com sedação e anestesia local.
Um estudo prospectivo que comparou as duas técnicas diretamente encontrou vantagens práticas para a embolização: nenhuma complicação registrada no grupo embolizado, contra 3 casos (2 infecções de ferida operatória, 1 hematoma escrotal) no grupo cirúrgico; afastamento médio do trabalho de 1,5 dia contra 6,8 dias; e dor pós-procedimento menor (1,5 vs. 2,1 em escala de 5 pontos) (Bou Nasr et al., 2017). A taxa de gravidez do casal, no mesmo estudo, foi semelhante entre os grupos (33,3% vs. 36,7%) — a diferença prática entre as técnicas está mais na recuperação do que no resultado reprodutivo.
Quando o tratamento é indicado — e o papel do grau da varicocele
Ao exame físico, a varicocele é classificada em três graus: grau I, palpável apenas durante a manobra de Valsalva (esforço); grau II, palpável mesmo sem esforço, mas não visível; e grau III, visível a olho nu através da pele do escroto. O grau ajuda a orientar a investigação, mas a indicação de tratamento não depende só dele — depende também de haver dor, alteração relevante no espermograma associada a dificuldade para engravidar, ou assimetria e atrofia testicular progressiva. Varicocele subclínica (não palpável, achado só em ultrassom) raramente é indicação isolada de tratamento.
Varicocele, fertilidade e a alternativa à FIV
A varicocele é uma das causas tratáveis mais comuns de infertilidade masculina, e uma revisão sistemática de estudos com embolização por coils mostrou melhora significativa em dois parâmetros seminais: a concentração espermática subiu, em média, de 10,8 para 28,3 milhões/ml, e a motilidade, de 28,8% para 42,8% (Belczak et al., 2021). A morfologia espermática não teve dado suficiente nos estudos avaliados para uma conclusão — por isso não citamos número para esse parâmetro específico.
Isso não é promessa de gravidez — a fertilidade depende de múltiplos fatores, do casal como um todo, não só do parâmetro seminal. Mas para o casal que já está no caminho da reprodução assistida, tratar a varicocele preserva a via natural e pode evitar, em casos selecionados, a necessidade de recorrer à fertilização in vitro antes de investigar e corrigir a causa vascular.
Sua varicocele voltou depois da cirurgia? Vale investigar uma causa que pode ter passado despercebida
Uma varicocele que reaparece depois de uma cirurgia bem feita não é, necessariamente, uma falha da técnica — em parte dos casos, existe uma causa associada que não foi investigada na primeira avaliação. Uma delas é a síndrome de Nutcracker, a compressão da veia renal esquerda entre duas artérias, que pode represar sangue por uma via alternativa e alimentar a varicocele mesmo depois da veia espermática original ter sido tratada. Se sua varicocele voltou, ou nunca melhorou de fato, vale mapear essa possibilidade por imagem antes de decidir o próximo passo — no homem, o Nutcracker costuma se manifestar exatamente assim, como varicocele recidivante à esquerda; na mulher, o mesmo mecanismo causa congestão pélvica, um tema que tratamos em detalhe no guia sobre síndromes venosas abdominais.
Como em qualquer escolha entre duas técnicas, há uma troca a considerar. A revisão sistemática mais robusta sobre o tema, com mais de 5 mil participantes, ainda considera incerto se a embolização tem taxa de recidiva maior que a cirurgia — os estudos disponíveis não permitem afirmar essa diferença com segurança (Persad et al., 2021). Uma meta-análise mais recente, ainda não confirmada por outras revisões, sugere que pode haver, sim, uma chance um pouco maior de a varicocele reaparecer após a embolização — mas encontrou, na mesma comparação, bem menos complicações e menos hidrocele do que na cirurgia (Chen et al., 2025). Não existe técnica sem contrapartida: para alguns pacientes, evitar complicação cirúrgica e voltar mais rápido às atividades pesa mais; para outros, minimizar ao máximo a chance de um segundo procedimento é a prioridade. Essa ponderação é feita na consulta, de forma individual — não há uma resposta universal.
Embolização de varicocele é coberta pelo convênio
A embolização de varicocele consta no Rol de Procedimentos da ANS e tem cobertura obrigatória pelos planos de saúde hospitalares e de referência. A cobertura não se estende, hoje, a planos estritamente ambulatoriais, e como qualquer procedimento do rol, está sujeita a análise e autorização da operadora, conforme o plano contratado.
Como é feito o procedimento
Por uma punção — geralmente na virilha ou no braço —, um cateter fino é guiado por imagem até a veia espermática dilatada. Ali, molas (coils) ou outro agente embolizante bloqueiam o fluxo na veia doente, interrompendo o refluxo. É feito com sedação e anestesia local, sem necessidade de internação prolongada — a maioria dos pacientes tem alta no mesmo dia.
Tratamento de varicocele em São Paulo
A Clínica Endovascular São Paulo realiza o diagnóstico por imagem e o tratamento por embolização de varicocele, com equipe de cirurgiões vasculares titulados. O planejamento é individualizado, incluindo a investigação de causas associadas em casos de recidiva pós-cirúrgica.
A clínica atende os convênios Omint Premium, SulAmérica Executivo e SulAmérica Prestige, além de pacientes particulares.
Agende sua avaliaçãoSobre o autor
Prof. Dr. Igor Rafael Sincos é cirurgião vascular e endovascular, Doutor e Pós-Doutor pela Universidade de São Paulo (USP), com fellowship em Harvard Medical School. Médico — CRM-SP 117.876 · Cirurgia Vascular RQE 126.825 · Cirurgia Endovascular RQE 132.643. Atua no diagnóstico e tratamento endovascular da varicocele em São Paulo.
Referências
- Makris GC, Efthymiou E, Little M, Boardman P, Anthony S, Uberoi R, Tapping C. Safety and effectiveness of the different types of embolic materials for the treatment of testicular varicoceles: a systematic review. Br J Radiol. 2018;91(1088):20170445.
- de Grae MNM, Al-khattab M, Alkadhimi A, Springael M, O'Sullivan G. A fifteen-year retrospective analysis of varicocele embolization: evaluating success, recurrence rates and embolic agents. CVIR Endovasc. 2025;8:59.
- Bilreiro C, Donato P, Costa JF, Agostinho A, Carvalheiro V, Caseiro-Alves F. Varicocele embolization with glue and coils: A single center experience. Diagn Interv Imaging. 2017;98(7-8):529-534.
- Persad E, O'Loughlin CAA, Kaur S, Wagner G, Matyas N, Hassler-Di Fratta MR, Nussbaumer-Streit B. Surgical or radiological treatment for varicoceles in subfertile men. Cochrane Database Syst Rev. 2021;4:CD000479.
- Chen H, Liu K, Liu M, Jin T, Zhou L. Comparison of sclero-embolization and surgical ligation for varicocele treatment: a systematic review and meta-analysis. World J Urol. 2025;43(1):627.
- Belczak SQ, Stefaniak V, Góes LG, Coelho F, de Araújo WJB, da Silva NAC. Improvement of semen parameters after coil embolization of varicoceles: a systematic review. J Vasc Bras. 2021;20:e20200137.
- Bou Nasr E, Binhazzaa M, Almont T, Rischmann P, Soulie M, Huyghe E. Subinguinal microsurgical varicocelectomy vs. percutaneous embolization in infertile men: Prospective comparison of reproductive and functional outcomes. Basic Clin Androl. 2017;27:11.
- Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, Anexo I, vigente (RN 465/2021 + RN 678/2026), p. 169.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico. Publicado e revisado em 5 de setembro de 2026.
Perguntas frequentes
As duas bloqueiam o fluxo da veia espermática dilatada, por caminhos diferentes: a cirurgia (varicocelectomia) liga essa veia por um corte na virilha ou no abdome, com anestesia geral ou raquidiana; a embolização passa um cateter fino por uma veia periférica, guiado por imagem, e libera um material que bloqueia o fluxo por dentro, sem cortes, com sedação e anestesia local. Um estudo comparativo prospectivo registrou recuperação mais rápida com embolização: em média 1,5 dia de afastamento do trabalho contra 6,8 dias após a cirurgia (Bou Nasr et al., 2017).
É feita com sedação e anestesia local, então o desconforto durante o procedimento costuma ser mínimo. No mesmo estudo comparativo, a dor pós-procedimento média foi de 1,5 em uma escala de 5 pontos após a embolização, contra 2,1 após a cirurgia (Bou Nasr et al., 2017) — a maioria dos pacientes retoma a rotina em poucos dias.
A embolização preserva a via natural: não remove nem interrompe estruturas além da veia doente. Uma revisão sistemática mostrou melhora significativa da concentração e da motilidade espermática após o procedimento (Belczak et al., 2021). Isso não é garantia de gravidez — a fertilidade depende de múltiplos fatores —, mas pode evitar, em casos selecionados, a necessidade de recorrer à fertilização in vitro antes de tratar a causa vascular.
Consta no Rol de Procedimentos da ANS (Anexo I, RN 465/2021 + RN 678/2026) e tem cobertura obrigatória pelos planos de saúde hospitalares e de referência. A cobertura não se estende a planos estritamente ambulatoriais, e está sujeita a análise e autorização da operadora, conforme o plano contratado.
Sim — qualquer tratamento de varicocele, cirúrgico ou por embolização, tem uma taxa de recidiva, e a comparação entre as técnicas ainda gera debate na literatura médica atual. Se sua varicocele voltou depois de uma cirurgia, vale investigar se existe uma causa associada que não foi considerada na primeira avaliação — é o assunto da seção sobre recidiva mais abaixo nesta página.
Estudos publicados descrevem taxa de sucesso técnico entre 90% e 96%, dependendo do material e da técnica usados (Makris et al., 2018; de Grae et al., 2025). Sucesso técnico significa que a veia foi bloqueada como planejado; o sucesso clínico — melhora do sintoma ou do parâmetro que motivou o tratamento — foi de 93,75% dos casos tecnicamente bem-sucedidos numa coorte com 8 anos de seguimento médio (de Grae et al., 2025).
Não. A varicocele por si só nem sempre causa sintomas — entre 2% e 10% dos homens com varicocele relatam dor, e muitos descobrem a condição em exame de rotina, sem queixa. O tratamento costuma ser considerado quando há dor, alteração relevante no espermograma associada a dificuldade para engravidar, ou assimetria/atrofia testicular. A decisão é individualizada, feita em consulta com avaliação clínica e de imagem.
Quem confia na Endovascular SP
Avaliações publicadas por pacientes no Google, sobre a experiência de atendimento na clínica.
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De uma maneira geral, excelente! Tudo, exatamente tudo é de muita qualidade. Profissionais excelentes, desde a portaria até ao médico.
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Desde o início, encontrei no Dr. Igor e em sua equipe aquilo que esperamos encontrar quando nossa saúde está verdadeiramente em jogo: enorme competência técnica, segurança nas decisões e, acima de tudo, humanidade.
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Superou nossa expectativa. Toda a equipe muito atenciosa e muito profissional.
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