Endovascular São Paulo
Núcleo de Dor Pélvica

Adenomiose: sintomas, diagnóstico e tratamento

A adenomiose é uma doença ginecológica benigna. Nela, um tecido parecido com o endométrio, a camada que reveste o útero por dentro, aparece no miométrio, a camada muscular do útero. Isso pode aumentar o volume do útero e causar cólicas menstruais intensas e sangramento menstrual aumentado.

Texto
Dra. Simone Denise David — Ginecologia — CRM-SP 106.281 · RQE 24136
Revisão
Prof. Dr. Igor Rafael Sincos — Médico | CRM-SP 117.876 | Cirurgia Vascular RQE 52745 | Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular RQE 527451

Publicado e atualizado em 12 de outubro de 2026

O que é adenomiose?

A adenomiose pode ser focal, quando atinge uma região delimitada do músculo do útero, ou difusa, quando compromete áreas mais extensas do miométrio.

focalAtinge uma região delimitada do músculo do útero.
difusaCompromete áreas mais extensas do miométrio.

Esquema fora de escala. Os pontos marcam o tecido parecido com o endométrio dentro do músculo do útero.

Quais são os sintomas da adenomiose?

Os sintomas variam conforme a extensão da doença. Algumas mulheres não têm sintomas. Outras podem ter:

  • cólicas menstruais intensas;
  • sangramento menstrual abundante ou prolongado;
  • dor pélvica crônica;
  • dor durante a relação sexual;
  • aumento do volume do útero;
  • dificuldade para engravidar, em alguns casos.

A intensidade dos sintomas nem sempre corresponde à extensão da doença nos exames de imagem.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico se apoia na avaliação clínica e nos exames de imagem.

O ultrassom transvaginal costuma ser o primeiro exame. A ressonância magnética da pelve pode ser indicada quando o ultrassom não é conclusivo ou quando é preciso detalhar a localização e a extensão da doença.

Saber se a forma é focal ou difusa ajuda a orientar a escolha do tratamento.

Quais são os tratamentos para adenomiose?

O tratamento é individual. Leva em conta os sintomas, a idade, a extensão da doença, o desejo de engravidar e a preferência da paciente.

Tratamento com remédios

O tratamento clínico pode controlar o sangramento e aliviar a dor, sobretudo para quem quer evitar procedimentos invasivos. As opções incluem:

  • sistema intrauterino liberador de levonorgestrel (DIU hormonal);
  • progestagênios, como o dienogeste;
  • anticoncepcionais hormonais combinados, quando apropriados;
  • anti-inflamatórios, para aliviar a dor;
  • análogos do GnRH em situações selecionadas, em geral como tratamento de segunda linha.

A escolha depende das características clínicas e das contraindicações de cada paciente.

Embolização das artérias uterinas

É um procedimento minimamente invasivo, realizado pela equipe de cirurgia endovascular, angiorradiologia e radiologia intervencionista. Por um cateter colocado numa artéria, são injetadas partículas que reduzem o fluxo de sangue para o tecido-alvo.

A embolização é uma forma de tratamento quando a adenomiose está associada a miomas. É considerada em pacientes cuidadosamente selecionadas, sobretudo quando há sintomas relevantes, desejo de preservar o útero e nenhuma intenção de engravidar no futuro.

A indicação considera a localização e as características da lesão, os sintomas, os tratamentos anteriores e as alternativas disponíveis. A paciente deve saber que a resposta clínica pode variar e que os resultados reprodutivos depois do procedimento ainda são incertos.

A evidência específica para indicar a embolização só na forma focal ainda é limitada. Por isso, ela deve ser discutida caso a caso, em conjunto com a equipe de ginecologia e a de cirurgia endovascular, angiorradiologia e radiologia intervencionista.

Ablação percutânea

Na adenomiose focal, a localizada, a lesão pode ser tratada por ablação percutânea: uma agulha, guiada por imagem, leva energia térmica até a lesão, sem necessidade de retirar o útero. A indicação é individual e discutida em conjunto com a equipe de ginecologia.

Cirurgia conservadora

Em casos selecionados de adenomiose focal, é possível retirar só a lesão, numa cirurgia chamada adenomiomectomia, com o objetivo de preservar o útero.

A indicação depende da localização, do tamanho e da profundidade da lesão, e do desejo de engravidar. O procedimento deve ser feito por equipe experiente, considerando os riscos da cirurgia e as possíveis repercussões em futuras gestações.

Histerectomia

A retirada do útero é uma opção definitiva para pacientes com sintomas importantes que não desejam engravidar e para quem as outras alternativas não foram eficazes ou não são adequadas. A cirurgia minimamente invasiva, por videolaparoscopia ou robótica, costuma ser a via de escolha.

A decisão deve vir depois de uma conversa individual sobre benefícios, riscos e opções de tratamento.

Como escolher o melhor tratamento?

Não existe um tratamento ideal único para todas as mulheres com adenomiose. A escolha depende da apresentação clínica, da localização e da extensão da doença, da resposta a tratamentos anteriores e dos planos de gravidez.

Uma avaliação ginecológica individual permite discutir as alternativas mais apropriadas para controlar os sintomas e preservar a qualidade de vida.

Núcleo de Dor Pélvica

Ginecologia, cirurgia vascular e radiologia intervencionista avaliando juntas a causa da dor.

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico. Publicado e revisado em 12 de outubro de 2026.

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