# Endovascular São Paulo — Conteúdo completo (llms-full.txt) > Guias completos referenciados em /llms.txt, com o texto integral para leitura direta por agentes de IA. Cirurgia vascular e endovascular em São Paulo, Prof. Dr. Igor Rafael Sincos (CRM-SP 117.876). --- # Varizes: sintomas, causas, classificação e tratamento Varizes são veias dilatadas e tortuosas, geralmente com 3 mm ou mais, causadas por falha das válvulas venosas que faz o sangue refluir. Não são apenas estética: fazem parte da doença venosa crônica, que é progressiva. O tratamento padrão atual é a termoablação por laser ou radiofrequência, guiada pelo mapeamento do ultrassom Doppler, com retorno rápido às atividades. Revisado por Prof. Dr. Igor Rafael Sincos — Médico | CRM-SP 117.876 | Cirurgia Vascular RQE 52745 | Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular RQE 527451 · Publicado e atualizado em 19 de agosto de 2026 ## O que são varizes? Varizes são veias subcutâneas dilatadas e tortuosas — em geral com 3 mm ou mais de diâmetro — que surgem quando as válvulas dentro das veias deixam de funcionar (ESVS 2022). Nas pernas, o sangue precisa vencer a gravidade para voltar ao coração; quando as válvulas falham, parte dele reflui e fica represada, aumentando a pressão dentro da veia, que se dilata progressivamente. Na maioria dos casos, o problema começa nas veias safenas e em seus ramos. No CID-10, as varizes dos membros inferiores são classificadas sob o código I83. Varizes não são apenas uma questão estética: são a face visível da **doença venosa crônica**, uma condição progressiva. No estudo populacional de Bonn, cerca de um terço dos pacientes com varizes e refluxo de safena evoluiu para um estágio mais avançado da doença em 6 anos. Tratar no momento certo interrompe essa progressão. O problema é extremamente comum: o principal estudo brasileiro encontrou varizes em cerca de metade dos adultos avaliados — incluindo mais de um terço dos homens (Maffei et al., Botucatu-SP). ## Quais são os sintomas de varizes? Além das veias visíveis, os sintomas mais comuns são sensação de peso e cansaço nas pernas (pior no fim do dia), dor, queimação, inchaço no tornozelo, cãibras noturnas e coceira. Em muitas pessoas os sintomas pioram no calor, antes da menstruação e após longos períodos em pé. Emergência médica Quando procurar atendimento sem esperar **Sangramento a partir de uma variz**: deite, eleve a perna, comprima o local com pano limpo e procure atendimento. **Veia dolorosa, endurecida e avermelhada**, ou **inchaço súbito de toda a perna com falta de ar**, também exigem avaliação imediata — ligue **192** se houver falta de ar. ### Sinais de que a doença avançou — procure avaliação com prioridade - **Escurecimento da pele** perto do tornozelo (dermatite ocre) ou pele endurecida; - **Ferida que não cicatriza** na perna (úlcera venosa); - **Veia dolorosa, endurecida e avermelhada** — pode ser tromboflebite; - **Sangramento a partir de uma variz** — comprima o local, eleve a perna e procure atendimento. ## O que causa varizes? Fatores de risco - **História familiar** — um dos fatores mais fortes: varizes têm importante componente genético; - **Sexo feminino, hormônios e gestações** — cada gravidez aumenta o risco; - **Idade** — a prevalência sobe década a década; - **Obesidade** e **longos períodos em pé ou sentado** no trabalho. Cruzar as pernas e usar salto alto não estão entre as causas — são mitos comuns, sem evidência científica. E ao contrário do que se pensa, homem também tem varizes, e com frequência chega ao consultório em estágios mais avançados por adiar a avaliação. ## Vasinhos, veias reticulares e varizes: qual a diferença? A medicina classifica a doença venosa crônica pela escala **CEAP**, usada nas diretrizes do mundo todo (revisão de 2020). Entender o seu estágio ajuda a entender o tratamento: | Classe | O que significa | | --- | --- | | C0 | Sem sinais visíveis (pode haver sintomas) | | C1 | Vasinhos (telangiectasias) e veias reticulares finas | | C2 | Varizes propriamente ditas (≥ 3 mm) | | C3 | Inchaço (edema) de origem venosa | | C4 | Alterações de pele: escurecimento, eczema, endurecimento | | C5 | Úlcera venosa cicatrizada | | C6 | Úlcera venosa ativa | Vasinhos (C1) têm tratamento essencialmente estético, com escleroterapia ou laser transdérmico. A partir de C2, existe doença venosa que merece investigação — e quanto mais avançada a classe, maior o benefício de tratar a causa. ## Como é feito o diagnóstico? O exame de escolha é o **ultrassom Doppler venoso** (eco-Doppler), indicado pelas diretrizes como primeira linha para todo paciente com suspeita de doença venosa (ESVS 2022; SBACV 2023). Realizado com o paciente em pé, ele mapeia quais veias têm refluxo — pelos critérios internacionais, um refluxo acima de 0,5 segundo nas safenas indica insuficiência (SVS/AVF 2022). É esse mapa que define qual técnica trata o seu caso, e por isso ele é feito antes de qualquer decisão. ## Quando operar varizes? Toda variz precisa de cirurgia? Não. O plano depende da classe CEAP, dos sintomas e do mapeamento do Doppler. Mas um ponto importante das diretrizes: **a meia de compressão alivia sintomas, porém não trata a causa** — o refluxo continua lá. A diretriz britânica NICE orienta não oferecer a meia como tratamento definitivo quando o paciente é candidato à correção do refluxo, e a diretriz americana sugere não exigir meses de "teste de meia" antes de autorizar o tratamento (NICE CG168; SVS/AVF 2022). Onde cada medida conservadora ajuda de verdade: - Meias de compressão: alívio de sintomas, espera do procedimento, pós-operatório, gestação e tratamento de úlceras; - Medicamentos flebotônicos (como diosmina-hesperidina): podem reduzir edema e sintomas (SBACV 2023) — não eliminam varizes; - Exercício físico regular e controle de peso: recomendação formal da diretriz brasileira para todos os estágios. ## Quais são os tratamentos para varizes? O tratamento moderno é individualizado pelo mapa do Doppler — e as três principais diretrizes (europeia, americana e brasileira) convergem: para insuficiência das safenas, a **termoablação endovenosa por laser ou radiofrequência é a primeira escolha**, preferível à cirurgia convencional (ESVS 2022, recomendação Classe I; NICE CG168; SBACV 2023, Nível A). ### Termoablação por laser (EVLA) ou radiofrequência Uma fibra fina é introduzida na veia doente por punção guiada por ultrassom, e a energia térmica sela a veia por dentro — sem cortes. O procedimento usa anestesia local com sedação na maioria dos casos, a caminhada é imediata e o retorno a atividades leves costuma ocorrer em 1 a 2 dias. A diretriz brasileira cita cerca de 92% de sucesso na oclusão da safena magna (SBACV 2023), com resultados que se mantêm em estudos de 5 anos. ### Escleroterapia com espuma ecoguiada Injeção de um agente que fecha a veia, guiada por ultrassom. É menos invasiva e útil em casos selecionados (veias tortuosas, recidivas, pacientes que não podem operar), mas tem maior taxa de reabertura da veia — cerca de 1 em cada 5 pacientes precisa de retratamento no primeiro ano (SBACV 2023) — por isso é classificada como segunda linha para as safenas. ### Cirurgia convencional (safenectomia) A retirada da safena por incisões ainda tem indicações — anatomia desfavorável à termoablação, veias muito superficiais ou tortuosas — com bons resultados de longo prazo, ao custo de recuperação mais lenta e mais hematomas. As microvarizes visíveis costumam ser retiradas por microincisões (flebectomia) no mesmo procedimento, qualquer que seja a técnica principal. ### Comparação entre as técnicas | | Laser / Radiofrequência | Espuma ecoguiada | Cirurgia convencional | | --- | --- | --- | --- | | Posição nas diretrizes | 1ª escolha (ESVS I; SBACV A) | 2ª linha (SBACV IIb) | Alternativa (SBACV IIa) | | Cortes | Não — punção | Não — injeção | Incisões | | Retorno a atividades leves | \~1–2 dias | Quase imediato | Dias a \~2 semanas | | Oclusão da veia tratada | \~92% na safena magna (SBACV 2023) | Menor; \~20% retratam em 1 ano | Alta, comprovada em décadas | | Indicação típica | Insuficiência de safena | Recidivas, casos selecionados | Anatomia desfavorável à fibra | Fontes: ESVS 2022; NICE CG168; SBACV 2023. A indicação final é individual, definida pelo mapeamento do Doppler. ## Como é o pós-operatório do tratamento de varizes? Depois da termoablação, você caminha no mesmo dia — e isso faz parte do tratamento: a movimentação ajuda a circulação e reduz o risco de trombose. A meia de compressão é usada por um período definido pela equipe, em geral de alguns dias a algumas semanas, e hematomas, endurecimento no trajeto da veia e sensação de repuxamento são esperados e regridem ao longo das primeiras semanas. O retorno ao trabalho depende muito mais do tipo de atividade do que da técnica em si: | Tipo de trabalho | Retorno típico após termoablação | | --- | --- | | Escritório, home office, atividades leves | 1 a 2 dias | | Trabalho longos períodos em pé (comércio, sala cirúrgica) | Poucos dias, com meia de compressão e pausas | | Esforço físico intenso ou levantamento de peso | Liberação progressiva, geralmente após 2 a 3 semanas | Faixas típicas relatadas em séries clínicas e na prática — a liberação é sempre individual, definida na consulta de retorno. Após cirurgia convencional, os prazos costumam ser maiores. **Procure a equipe antes do retorno agendado** se aparecer dor intensa e progressiva na panturrilha, inchaço súbito de toda a perna, febre, vermelhidão que se espalha ou falta de ar — sinais que precisam ser avaliados sem esperar. ## O convênio cobre o tratamento de varizes? A cirurgia de varizes com indicação médica é um procedimento consolidado no sistema de saúde brasileiro. A cobertura da técnica endovenosa (laser ou radiofrequência) varia conforme o plano e as regras vigentes — em geral, casos com sintomas e refluxo documentado no Doppler têm caminho de autorização mais direto do que tratamentos puramente estéticos (vasinhos), que os planos normalmente não cobrem. Nossa equipe avalia o seu caso e orienta o processo junto ao [convênio](https://endovascularsp.com.br/convenios). ## Varizes na gravidez: o que fazer? A gestação é um dos principais gatilhos de varizes — pelo efeito hormonal e pela compressão do útero sobre as veias do abdome. Durante a gravidez, o tratamento é conservador: meias de compressão, elevação das pernas e atividade física orientada. Vasinhos e veias pequenas podem regredir nos primeiros meses após o parto; veias maiores com refluxo raramente regridem por completo. O que persistir pode ser tratado, em geral a partir de 3 a 6 meses do pós-parto, com o mapeamento refeito. Varizes que surgem na gravidez merecem avaliação também para investigar as veias pélvicas — veja nossa página sobre [varizes pélvicas e síndromes venosas](https://endovascularsp.com.br/sindromes-venosas). ## Varizes voltam depois do tratamento? As veias tratadas são fechadas ou removidas e raramente reabrem — mas a predisposição continua. Estudos de acompanhamento de 5 anos mostram que aproximadamente metade dos pacientes desenvolve alguma variz nova nesse período — independentemente da técnica usada, inclusive cirurgia convencional. Isso raramente significa refazer tudo: em geral são veias novas e menores, tratadas de forma simples nas revisões. O acompanhamento periódico é o que mantém o resultado ao longo da vida. ## Quando procurar um cirurgião vascular? - Suas pernas **doem, pesam ou incham** com frequência, mesmo sem veias muito visíveis; - Você notou **veias dilatadas ou tortuosas** novas; - Há **manchas escuras, coceira persistente ou endurecimento da pele** perto do tornozelo; - Você tem **ferida na perna** que não cicatriza em poucas semanas; - Suas varizes surgiram ou pioraram **na gravidez** e persistem após o parto. O cirurgião vascular é o especialista que conduz desde o diagnóstico com Doppler até todas as técnicas de tratamento — clínicas, estéticas e cirúrgicas. ## Tratamento de varizes em São Paulo A Clínica Endovascular São Paulo realiza o diagnóstico e o tratamento completo das varizes — termoablação por laser e radiofrequência, escleroterapia, espuma ecoguiada e cirurgia — com equipe de cirurgiões vasculares titulados e mapeamento por ultrassom Doppler. O plano é individualizado e discutido com transparência, incluindo o que o seu caso realmente precisa (e o que não precisa). Conheça também nossa [página de tratamento estético de varizes e vasinhos](https://endovascularsp.com.br/varizes) e o cuidado com [úlceras e feridas](https://endovascularsp.com.br/ulceras). [Agende sua avaliação](#contato) Sobre o autor **Prof. Dr. Igor Rafael Sincos** é cirurgião vascular e endovascular, Doutor e Pós-Doutor pela Universidade de São Paulo (USP), com fellowship em Harvard Medical School. Médico — CRM-SP 117.876 · Cirurgia Vascular RQE 52745 · Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular RQE 527451. Referências 1. De Maeseneer MG, et al. ESVS 2022 Clinical Practice Guidelines on the Management of Chronic Venous Disease of the Lower Limbs. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2022. 2. Diretrizes da SBACV — Doença venosa crônica / varizes dos membros inferiores. J Vasc Bras. 2023. 3. NICE. Varicose veins: diagnosis and management (CG168). 2013 (vigente). 4. Gloviczki P, et al. SVS/AVF/AVLS guidelines for the management of varicose veins — Part I (2022) e Part II (2023). J Vasc Surg Venous Lymphat Disord. 5. Lurie F, et al. The 2020 update of the CEAP classification. J Vasc Surg Venous Lymphat Disord. 2020. 6. Rabe E, et al. Bonn Vein Study — progressão da doença venosa crônica. 2010. 7. Maffei FH, et al. Prevalência de varizes e insuficiência venosa crônica em adultos — Botucatu, SP. 8. Van der Velden SK, et al. Ensaio randomizado de 5 anos: EVLA vs cirurgia convencional. Br J Surg. 2015. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico. Publicado e revisado em 19 de agosto de 2026. Depoimentos ## Quem confia na Endovascular SP Avaliações publicadas por pacientes no Google, sobre a experiência de atendimento na clínica. " > Impossível ser menos que 5 estrelas. A clínica é completa. Excelentes profissionais. * Lucia M.Google · 10/2025* " > Excelente, frequento esta clínica há um bom tempo. Profissionais competentes, colaboradores atenciosos e muita organização. * Maria TeresaGoogle · 08/2026* " > Superou nossa expectativa. Toda a equipe muito atenciosa e muito profissional. * Erica B.Google · 07/2026* " > Clínica multidisciplinar excepcional! Muito recomendo. Profissionais super competentes, assertivos e acolhedores. * Cristina S.Google · 07/2026* [Ver todas as avaliações no Google](https://www.google.com/maps/search/?api=1&query=Clinica+Endovascular+S%C3%A3o+Paulo+Avenida+Rep%C3%BAblica+do+L%C3%ADbano+577+S%C3%A3o+Paulo) FAQ ## Perguntas frequentes Varizes têm cura?+ As veias tratadas são fechadas ou removidas e, na grande maioria dos casos, não reabrem. Porém, a doença venosa crônica é uma predisposição que permanece: novas varizes podem surgir com os anos, o que não significa falha do tratamento. Por isso o acompanhamento periódico faz parte do cuidado. Quantos dias de afastamento cada técnica exige?+ Na termoablação por laser ou radiofrequência, a caminhada é imediata e o retorno ao trabalho costuma ocorrer em 1 a 2 dias para atividades leves. Na cirurgia convencional, a recuperação é mais lenta — dias a cerca de duas semanas. Trabalhos com grande esforço físico podem exigir prazos maiores, definidos na consulta. O convênio cobre a cirurgia de varizes a laser?+ O tratamento de varizes com indicação médica é um procedimento consolidado no sistema de saúde. A cobertura da técnica endovenosa (laser/radiofrequência) varia conforme o plano e o rol vigente; nossa equipe avalia seu caso e orienta o processo de autorização junto ao convênio. Posso tratar varizes no verão?+ Sim. As técnicas atuais permitem tratamento em qualquer estação — a diferença prática é o uso da meia elástica no pós-operatório, que costuma ser mais confortável em dias frios, e a recomendação de proteger a pele do sol enquanto houver manchas ou hematomas em absorção. Homem também tem varizes?+ Sim. Estudos populacionais mostram varizes em cerca de um terço ou mais dos homens adultos. Como muitos procuram avaliação tardiamente, é comum chegarem com estágios mais avançados — os sinais e o tratamento são os mesmos. O que acontece se eu não tratar as varizes?+ A doença venosa é progressiva: parte dos pacientes evolui ao longo dos anos para inchaço persistente, escurecimento e endurecimento da pele e, nos estágios finais, úlcera venosa. Também podem ocorrer tromboflebite e sangramento de uma variz. Tratar no estágio certo evita as fases avançadas. Salto alto ou cruzar as pernas causam varizes?+ Não há evidência de que cruzar as pernas ou usar salto cause varizes. Os fatores reais são genética, hormônios femininos, gestações, idade, obesidade e longos períodos em pé. O hábito de se movimentar e o controle do peso ajudam na prevenção dos sintomas. Quando posso voltar a malhar depois do tratamento?+ Após a termoablação, caminhadas são liberadas — e recomendadas — desde o primeiro dia. Exercícios de maior impacto ou carga costumam ser liberados de forma progressiva nas primeiras semanas, conforme a avaliação no retorno. O tratamento de varizes dói?+ A termoablação é feita com anestesia local (com ou sem sedação) e a maioria dos pacientes relata desconforto pequeno durante e após o procedimento, controlado com analgesia simples. Sensação de repuxamento ao longo do trajeto da veia tratada é comum nas primeiras semanas e vai cedendo. Posso dirigir depois do procedimento?+ Quem faz sedação não deve dirigir no mesmo dia. Nos dias seguintes, dirigir costuma ser liberado assim que você conseguir acionar os pedais sem dor e não estiver usando medicação que cause sonolência — combine o momento exato no seu retorno. Posso viajar de avião depois de tratar varizes?+ Voos curtos costumam ser liberados em poucos dias e voos longos exigem um intervalo maior, definido individualmente. Em qualquer viagem prolongada, valem as orientações de hidratação, movimentação das pernas e uso da meia de compressão indicada pela equipe. Contato --- # Aneurisma da Aorta Abdominal: sintomas, diagnóstico e tratamento O aneurisma da aorta abdominal é uma dilatação localizada da aorta — a maior artéria do corpo — que atinge 3,0 cm ou mais de diâmetro. Ele afeta principalmente homens acima de 65 anos com histórico de tabagismo e, na maioria dos casos, não causa nenhum sintoma. Tem tratamento: aneurismas pequenos são acompanhados com ultrassom periódico, e os maiores podem ser corrigidos por cirurgia endovascular ou cirurgia aberta — técnicas bem estabelecidas, com riscos conhecidos e resultados previsíveis quando indicadas no momento certo. Revisado por Prof. Dr. Igor Rafael Sincos — Médico | CRM-SP 117.876 | Cirurgia Vascular RQE 52745 | Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular RQE 527451 · Publicado e atualizado em 18 de agosto de 2026 Assista ## Como é o tratamento endovascular do aneurisma da aorta? Neste vídeo, o Prof. Dr. Igor Sincos apresenta um caso clínico real de correção endovascular (EVAR) e mostra como a endoprótese exclui o aneurisma da circulação. [Agende sua avaliação](#contato) ## O que é o aneurisma da aorta abdominal? O aneurisma da aorta abdominal (AAA) é uma dilatação permanente e localizada da aorta no seu trajeto dentro do abdome, definida pelas diretrizes como um diâmetro igual ou maior que 3,0 cm — cerca de 50% acima do tamanho normal, que é de aproximadamente 2,0 cm (SBACV 2023; SVS 2018). Dilatações menores que isso costumam aparecer nos laudos como "ectasia" da aorta e também merecem acompanhamento. A aorta é a artéria que sai do coração e leva sangue para todo o corpo. No abdome, ela passa na frente da coluna e se divide, na altura do umbigo, nas duas artérias ilíacas que irrigam as pernas. Quando a parede da aorta enfraquece, a pressão do sangue faz com que ela se dilate progressivamente nesse segmento — como uma câmara de pneu que forma uma bolha. Quanto maior o diâmetro, mais fina e frágil a parede fica. Receber o diagnóstico de aneurisma assusta. A boa notícia é que a grande maioria dos aneurismas é descoberta pequena e cresce lentamente — em média cerca de 2 mm por ano nos aneurismas menores, acelerando à medida que o diâmetro aumenta (AAFP 2022). Isso permite acompanhar com segurança por anos antes de qualquer cirurgia, quando ela chega a ser necessária. O AAA é a forma mais comum de aneurisma de aorta. Estudos populacionais mostram prevalência de 1,2% a 3,3% em homens acima de 60 anos, e cerca de 1% em mulheres (USPSTF 2019; AAFP 2022). No Brasil, a diretriz da SBACV registra cerca de 38 mil mortes por ruptura de aneurisma de aorta abdominal entre 2000 e 2016 — a maioria em pessoas que não sabiam ter a doença (SBACV 2023). É esse cenário que o diagnóstico precoce busca evitar. ## Quais são os sintomas do aneurisma da aorta abdominal? Na grande maioria dos casos, o aneurisma da aorta abdominal não causa sintoma nenhum. Ele costuma ser descoberto por acaso, em um ultrassom ou tomografia feitos por outro motivo — e é por isso que o rastreamento com ultrassom é tão importante para quem tem fatores de risco. Quando presentes, os sinais podem incluir: - **Massa pulsátil no abdome** — uma sensação de "coração batendo" perto do umbigo, mais perceptível em pessoas magras, deitadas; - **Dor abdominal ou lombar persistente**, contínua, que não melhora com mudança de posição; - **Dor que irradia para as costas ou flancos**. Emergência médica Sinais de ruptura do aneurisma A ruptura é uma emergência com risco de vida. Procure imediatamente um pronto-socorro ou ligue **192** diante de: - dor abdominal ou lombar súbita, intensa e contínua; - palidez, suor frio, desmaio ou pressão muito baixa; - em quem já sabe ter aneurisma: qualquer dor abdominal nova e forte. Um aneurisma que passa a doer, mesmo sem romper, também exige avaliação urgente com cirurgião vascular: dor nova é um dos critérios de indicação de cirurgia, independentemente do tamanho (SVS 2018; SBACV 2023). ## O que causa o aneurisma? Fatores de risco O aneurisma da aorta abdominal resulta de um enfraquecimento progressivo da parede arterial, ligado principalmente ao envelhecimento, ao tabagismo e à predisposição genética. Os fatores com maior peso, segundo a diretriz brasileira da SBACV (2023), são: - **História familiar** — ter pai, mãe ou irmão com aneurisma é o fator isolado mais forte (aumenta o risco em cerca de 9 a 10 vezes); - **Sexo masculino** — homens têm risco 4 a 8 vezes maior que mulheres; - **Tabagismo** — fumantes e ex-fumantes têm cerca de 3 vezes mais risco; estima-se que o cigarro responda por até 75% dos casos (AAFP 2022); - **Idade acima de 65 anos**; - **Hipertensão arterial** e **doença coronariana**. Um dado que surpreende: **diabetes não aumenta o risco de aneurisma** — os estudos não mostram associação significativa (SBACV 2023). Isso não muda a importância de controlar o diabetes por todas as outras razões cardiovasculares. O tabagismo, vale lembrar, também é o principal fator da [doença arterial periférica](https://endovascularsp.com.br/doenca-arterial-periferica) — as doenças das artérias costumam andar juntas, e a avaliação vascular olha o conjunto. ## Como é feito o diagnóstico? O diagnóstico do aneurisma da aorta abdominal é feito por exame de imagem — o exame físico isolado não é suficiente, especialmente em pessoas com sobrepeso. - **Ultrassom (ecografia) de aorta abdominal**: é o exame de escolha para diagnóstico e acompanhamento. Simples, sem radiação, sem contraste e indolor: um gel é aplicado no abdome e o aparelho mede o diâmetro da aorta em poucos minutos. - **Angiotomografia (angioTC)**: tomografia com contraste que mostra o aneurisma em detalhe tridimensional — forma, extensão, relação com as artérias renais e ilíacas. É o exame usado para planejar a cirurgia e escolher a técnica. - **Angiorressonância**: alternativa à tomografia em pacientes que não podem receber contraste iodado. ### Quem deve fazer ultrassom de rastreamento? O rastreamento identifica o aneurisma antes de qualquer sintoma — e é uma das recomendações mais bem estabelecidas da cirurgia vascular. Um único ultrassom de aorta é recomendado para: - **Homens de 65 a 75 anos que fumam ou já fumaram** — recomendação grau B da força-tarefa americana (USPSTF 2019); - **Homens a partir de 65 anos**, mesmo sem tabagismo, na diretriz brasileira (SBACV 2023, recomendação I-A); - **Homens e mulheres de 65 a 75 anos com história familiar de aneurisma** (SVS 2018; SBACV 2023); - **Parentes de primeiro grau de quem tem aneurisma de aorta** e **portadores de aneurismas em outras artérias** (como as poplíteas, atrás dos joelhos), com momento definido em avaliação individual (ESVS 2024). Se você se encaixa em um desses grupos e nunca mediu sua aorta, converse com seu médico sobre um ultrassom de rastreamento. O exame é rápido e pode ser feito junto com outros check-ups. ## Todo aneurisma precisa de cirurgia? Não. Essa é uma das perguntas mais frequentes no consultório, e a resposta das diretrizes é clara: aneurismas pequenos não devem ser operados — devem ser acompanhados. Abaixo de 5,5 cm em homens e 5,0 cm em mulheres, o risco anual de ruptura é menor que o risco da cirurgia, e os grandes estudos mostram que operar cedo não traz benefício (ESVS 2024; SBACV 2023). O acompanhamento é feito com ultrassom periódico, em intervalos definidos pelo tamanho do aneurisma (ESVS 2024): | Diâmetro do aneurisma | Intervalo do ultrassom | | --- | --- | | 3,0 a 3,9 cm | a cada 3 anos | | 4,0 a 4,9 cm | a cada 12 meses | | 5,0 a 5,4 cm | a cada 6 meses | | Mulheres: a partir de 4,5 cm | a cada 6 meses | Durante o acompanhamento, o tratamento clínico reduz o risco cardiovascular e ajuda a frear o crescimento (ESVS 2024, recomendações Classe I): - **Parar de fumar** — a medida com maior evidência para reduzir a velocidade de crescimento do aneurisma; - **Controlar a pressão arterial**; - **Estatina** (medicação para colesterol) e **antiagregante plaquetário** (medicação que inibe a formação de coágulos, como a aspirina), conforme prescrição médica, pelo risco cardiovascular associado; - **Atividade física regular e alimentação saudável** — exercício não é proibido; pelo contrário, é recomendado. Nenhum medicamento, até hoje, comprovou reduzir o crescimento do aneurisma em si — quem faz esse papel é o acompanhamento correto e a cirurgia no momento certo (ESVS 2024). ### Quando a cirurgia é indicada? As diretrizes atuais indicam a correção eletiva quando pelo menos um destes critérios está presente: - **Diâmetro ≥ 5,5 cm em homens** ou **≥ 5,0 cm em mulheres** (ESVS 2024; SVS 2018; SBACV 2023); - **Crescimento rápido** — mais de 0,5 cm em 6 meses (SVS 2018; SBACV 2023) ou 1 cm em 1 ano (NICE 2020); - **Sintomas** — aneurisma que passou a doer, independentemente do tamanho (SVS 2018; SBACV 2023). O racional é objetivo: a partir de 5,5 cm, o risco anual de ruptura sobe de forma acentuada — de cerca de 3 a 15% ao ano na faixa de 5 a 6 cm para 20% ou mais acima de 7 cm (SVS 2018; AAFP 2022). A cirurgia eletiva, planejada, existe justamente para tratar o aneurisma antes que ele alcance essas faixas de risco. Explicamos os critérios em detalhe no artigo ["Qual o tamanho de aneurisma que precisa operar?"](https://endovascularsp.com.br/blog/qual-tamanho-aneurisma-precisa-operar). ## Quais são os tratamentos para o aneurisma da aorta abdominal? Existem duas técnicas consolidadas para corrigir o aneurisma: a cirurgia endovascular (EVAR) e a cirurgia aberta convencional. As duas funcionam; a escolha depende da anatomia do aneurisma, da idade e das condições clínicas de cada paciente — e deve ser discutida individualmente com o cirurgião vascular. ### Como é feita a cirurgia endovascular (EVAR)? EVAR (do inglês *endovascular aneurysm repair*) é a correção do aneurisma por dentro da artéria, sem abrir o abdome. Por punções ou pequenas incisões na virilha, o cirurgião navega com cateteres até a aorta e implanta uma **endoprótese** — um tubo de tecido especial sustentado por uma malha metálica. O sangue passa a fluir por dentro da endoprótese, e o aneurisma, excluído da circulação, deixa de ser pressurizado. - Anestesia geral ou mesmo regional, conforme o caso; - Internação típica de 2 a 4 dias; - Retorno às atividades habituais em cerca de 1 a 2 semanas; - Mortalidade nos primeiros 30 dias em torno de 1,7%, menor que a da cirurgia aberta no mesmo período (estudo EVAR-1, Lancet 2004; metanálise de 4 ensaios randomizados, Br J Surg 2017). As contrapartidas, com a mesma honestidade: a endoprótese exige **acompanhamento com exames de imagem por toda a vida**, porque pode ocorrer vazamento para dentro do saco aneurismático (**endoleak**) ou migração do dispositivo ao longo dos anos, com necessidade de reintervenção em parte dos pacientes. Há ainda riscos ligados às punções (hematoma, lesão das artérias de acesso) e ao contraste. E nem toda anatomia é adequada — o "colo" do aneurisma (segmento de aorta sadia abaixo das artérias renais) e as artérias de acesso precisam ter medidas compatíveis com as especificações do dispositivo (ESVS 2024). ### Como é a cirurgia aberta? Na cirurgia aberta, o cirurgião acessa a aorta por uma incisão no abdome e substitui o segmento dilatado por um enxerto de Dacron — um tubo de tecido sintético — costurado no lugar. É uma técnica com mais de 60 anos de resultados conhecidos. - Mortalidade nos primeiros 30 dias em torno de 4,7% nos estudos comparativos (EVAR-1, Lancet 2004); - Internação típica de 4 a 7 dias, parte em UTI; - Recuperação plena em 6 a 12 semanas; - Riscos principais do porte da operação: eventos cardíacos e pulmonares, isquemia intestinal e disfunção sexual, discutidos caso a caso na avaliação pré-operatória; - Em compensação: resultado muito duradouro, com muito menos necessidade de exames de seguimento e menos reintervenções tardias. ### EVAR ou cirurgia aberta: qual é melhor? Nenhuma das duas é "melhor" em abstrato — cada uma é melhor para um perfil de paciente. A comparação, com base nos ensaios clínicos randomizados (EVAR-1, DREAM, OVER, ACE) e nas diretrizes: | | Endovascular (EVAR) | Cirurgia aberta | | --- | --- | --- | | Mortalidade em 30 dias | \~1,7% | \~4,7% | | Sobrevida em longo prazo (15 anos) | semelhante | semelhante | | Internação | 2–4 dias | 4–7 dias | | Recuperação | 1–2 semanas | 6–12 semanas | | Seguimento com imagem | por toda a vida | mínimo | | Reintervenções tardias | mais frequentes | menos frequentes | | Exigência anatômica | colo e acessos adequados | quase qualquer anatomia | Fontes: EVAR-1, Lancet 2004; metanálise Br J Surg 2017; ESVS 2024. A diretriz europeia ESVS 2024 recomenda a via endovascular como preferencial para a maioria dos pacientes com anatomia adequada, dentro das especificações do fabricante da endoprótese; a diretriz brasileira SBACV 2023 considera as duas vias aceitáveis, com preferência pelo EVAR pela menor mortalidade precoce. Há divergência honesta na literatura: a diretriz britânica NICE (2020) prefere a cirurgia aberta em pacientes de baixo risco cirúrgico, pela durabilidade — posição minoritária, mas que ilustra por que pacientes jovens e de baixo risco merecem discutir as duas opções. Essa é exatamente a conversa da consulta, com a angiotomografia na tela. ## Como é a recuperação e o acompanhamento? **Após EVAR:** alta em poucos dias, caminhando. Desconforto leve nas virilhas por alguns dias. Retorno a atividades leves em dias e às habituais em 1 a 2 semanas. O seguimento inclui angiotomografia no primeiro mês e depois exames de imagem periódicos — se tudo estiver bem, com intervalos progressivamente maiores, mas sem abandonar o acompanhamento (ESVS 2024). Faltar às revisões é o principal erro após um EVAR bem-sucedido. **Após cirurgia aberta:** recuperação mais lenta nas primeiras semanas — evitar esforço abdominal e carga por cerca de 6 semanas. Depois de recuperado, o paciente costuma precisar de pouco seguimento de imagem. **Nos dois casos:** manter o tratamento clínico (pressão, estatina, não fumar) e o acompanhamento com o cirurgião vascular. Os tempos acima são faixas típicas relatadas em séries e materiais hospitalares — o seu caso é individualizado na consulta. ## Quem tem aneurisma pode fazer exercício e ter vida normal? Pode — e deve. A diretriz europeia ESVS 2024 é explícita: não há indicação de restringir atividade física nem atividade sexual em quem tem aneurisma da aorta abdominal. A ideia de que um esforço "estoura" o aneurisma é um mito; o que determina o risco de ruptura é o diâmetro e a velocidade de crescimento, não o exercício. Atividade física regular é, inclusive, recomendada como parte do controle cardiovascular. Viagens, trabalho e rotina normal estão liberados para a imensa maioria dos pacientes em acompanhamento. Casos específicos (aneurismas grandes aguardando cirurgia, profissões de esforço extremo) merecem orientação individualizada na consulta. ## Quando procurar um cirurgião vascular? Procure avaliação especializada se: - um exame de imagem mostrou **qualquer dilatação da aorta** (mesmo "ectasia" ou aorta "no limite superior"); - você tem **65 anos ou mais e fumou**, e nunca fez ultrassom da aorta; - você tem **pai, mãe ou irmão com aneurisma** de aorta; - você já tem diagnóstico de aneurisma e quer uma **segunda opinião** sobre acompanhar ou operar; - você tem aneurisma e apareceu **dor abdominal ou lombar nova** (nesse caso, com urgência). O cirurgião vascular é o especialista que conduz desde o acompanhamento do aneurisma pequeno até a cirurgia — a mesma equipe que decide *se* e *quando* operar é a que domina *como* operar pelas duas técnicas. ## Tratamento do aneurisma da aorta abdominal em São Paulo A Clínica Endovascular São Paulo realiza o diagnóstico, o acompanhamento e o tratamento endovascular e aberto do aneurisma da aorta abdominal, com equipe de cirurgiões vasculares titulados e atuação em hospitais parceiros em São Paulo. O planejamento é feito caso a caso, com angiotomografia e discussão transparente das opções — incluindo a opção de não operar e acompanhar. Conheça também nosso [centro de tratamento de aneurismas](https://endovascularsp.com.br/aneurismas). [Agende sua avaliação](#contato) Material gratuito ### Ebook: Aneurismas — Guia do Paciente Leve este conteúdo com você: um guia em PDF, em linguagem clara, sobre aneurismas da aorta, poplíteos e viscerais — com o que perguntar ao seu médico em cada etapa. [Baixar o guia gratuito](https://endovascularsp.com.br/ebook-aneurismas) Sobre o autor **Prof. Dr. Igor Rafael Sincos** é cirurgião vascular e endovascular, Doutor e Pós-Doutor pela Universidade de São Paulo (USP), com fellowship em Harvard Medical School. Médico — CRM-SP 117.876 · Cirurgia Vascular RQE 52745 · Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular RQE 527451. Atua no diagnóstico e tratamento de doenças da aorta em São Paulo. Referências 1. Wanhainen A, et al. ESVS 2024 Clinical Practice Guidelines on the Management of Abdominal Aorto-Iliac Artery Aneurysms. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2024. 2. Chaikof EL, et al. SVS practice guidelines on the care of patients with an abdominal aortic aneurysm. J Vasc Surg. 2018. 3. Diretrizes da SBACV — Aneurisma da aorta abdominal. J Vasc Bras. 2023. 4. USPSTF. Screening for Abdominal Aortic Aneurysm: Recommendation Statement. 2019. 5. NICE. Abdominal aortic aneurysm: diagnosis and management (NG156). 2020. 6. EVAR trial participants. Comparison of endovascular aneurysm repair with open repair (EVAR-1), 30-day operative mortality. Lancet. 2004. 7. Powell JT, et al. Meta-analysis of individual-patient data from EVAR-1, DREAM, OVER and ACE trials. Br J Surg. 2017. 8. AAFP. Abdominal Aortic Aneurysm. Am Fam Physician. 2022. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico. Publicado e revisado em 18 de agosto de 2026. FAQ ## Perguntas frequentes Aneurisma da aorta abdominal tem cura?+ Tem tratamento definitivo. A cirurgia — endovascular ou aberta — exclui o aneurisma da circulação e reduz drasticamente o risco de ruptura. Após o tratamento, o paciente mantém acompanhamento periódico justamente para conservar esse resultado, e leva vida normal. Qual tamanho de aneurisma precisa de cirurgia?+ Em geral, a partir de 5,5 cm em homens e 5,0 cm em mulheres, segundo as diretrizes atuais (ESVS 2024; SBACV 2023). Crescimento rápido (mais de 0,5 cm em 6 meses) ou dor também indicam cirurgia, independentemente do tamanho. Aneurisma pequeno vai crescer para sempre?+ Aneurismas crescem em média cerca de 2 mm por ano quando pequenos, e a velocidade tende a aumentar com o diâmetro — mas alguns ficam estáveis por anos. Por isso o acompanhamento com ultrassom em intervalos definidos pelo tamanho é a conduta recomendada, e parar de fumar é a medida que mais reduz o crescimento. Esforço físico pode romper o aneurisma?+ Não há evidência disso. A diretriz europeia ESVS 2024 orienta expressamente não restringir exercício nem atividade sexual. O risco de ruptura depende do diâmetro do aneurisma, não do esforço. Quais as chances de sobreviver à ruptura de um aneurisma?+ A ruptura é gravíssima: a mortalidade global chega a cerca de 80%, e muitos pacientes não chegam ao hospital. É por isso que o objetivo de todo o acompanhamento é operar eletivamente, de forma planejada, antes que a ruptura seja uma possibilidade real. A endoprótese dura para a vida toda?+ Os dispositivos atuais têm boa durabilidade, mas exigem vigilância com exames de imagem por toda a vida, porque uma parte dos pacientes pode precisar de ajustes ou reintervenções ao longo dos anos. Com acompanhamento correto, problemas são detectados e tratados precocemente. Aneurisma da aorta é hereditário?+ Há forte componente familiar: ter parente de primeiro grau com aneurisma aumenta o risco em cerca de 9 a 10 vezes. Por isso, filhos e irmãos de portadores devem fazer ultrassom de rastreamento, com o momento certo definido em avaliação com o cirurgião vascular. O convênio cobre a cirurgia de aneurisma?+ A correção do aneurisma da aorta abdominal, incluindo a técnica endovascular, é um procedimento consolidado no sistema de saúde brasileiro. A cobertura de cada caso depende do plano e da indicação médica; nossa equipe orienta o processo de autorização junto ao convênio. Depoimentos ## Quem confia na Endovascular SP Avaliações publicadas por pacientes no Google, sobre a experiência de atendimento na clínica. " > Atendimento profissional e personalizado. Instalações ótimas com equipamentos de qualidade. Recomendo. * Sandro B.Google · 08/2026* " > Clínica multidisciplinar excepcional! Muito recomendo. Profissionais super competentes, assertivos e acolhedores. * Cristina S.Google · 07/2026* " > Equipe médica competente e atenciosa. Serviço de alta qualidade. * Semíramis R.Google · 07/2026* " > Excelente atendimento médico, com explicações muito detalhadas sobre o meu caso. Todos os funcionários são muito atenciosos e prestativos. 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Miomas são tumores **benignos** formados a partir do músculo liso da parede do útero. Também são chamados de leiomiomas ou fibromas, e recebem o código D25 na Classificação Internacional de Doenças. Benigno, aqui, significa que não são câncer e não se transformam em câncer na prática clínica — a transformação maligna é considerada rara e, quando existe malignidade, em geral ela já estava presente desde o início, e não surgiu de um mioma preexistente. São extremamente comuns. Estudos de base populacional nos Estados Unidos estimam que cerca de 70% das mulheres brancas e 80% das mulheres negras terão pelo menos um mioma até os 50 anos. A maioria absoluta nunca causará sintoma nenhum e será descoberta por acaso, num ultrassom de rotina. Eles dependem de estímulo hormonal para crescer. Por isso surgem na idade reprodutiva, podem aumentar durante a gestação e tendem a estabilizar ou regredir após a menopausa, quando cai a produção de estrogênio e progesterona. ## Quais são os sintomas do mioma? Quando o mioma dá sintomas, os mais frequentes são: - **Sangramento menstrual intenso ou prolongado** — o sintoma mais comum, e o que mais leva ao tratamento. Pode causar anemia, cansaço e falta de ar aos esforços. - **Cólicas e dor pélvica**, que podem aparecer fora do período menstrual. - **Sensação de peso ou aumento do volume abdominal**, às vezes confundida com ganho de peso. - **Vontade frequente de urinar** ou dificuldade para esvaziar a bexiga, quando o mioma comprime estruturas vizinhas; mais raramente, constipação por compressão do intestino. - **Dor durante a relação sexual**, dependendo da posição do mioma. - **Dificuldade para engravidar ou perdas gestacionais de repetição**, especialmente quando o mioma deforma a cavidade do útero. Vale um alerta prático: sangramento que encharca absorventes em menos de duas horas, que dura mais de sete dias ou que vem com coágulos grandes não é "normal" nem deve ser tolerado por anos. Anemia por sangramento menstrual é uma causa frequente — e tratável — de cansaço crônico em mulheres. ## O que causa miomas? Fatores de risco A causa exata não é conhecida. Sabe-se que o mioma nasce de uma única célula muscular que passa a se multiplicar, e que hormônios femininos e fatores genéticos determinam seu crescimento. Os fatores associados a maior risco são: - Idade reprodutiva, com pico entre os 30 e os 50 anos - História familiar — ter mãe ou irmã com miomas aumenta o risco - Ascendência afrodescendente, com miomas em geral mais precoces e mais numerosos - Obesidade e sobrepeso - Nunca ter engravidado Nada disso é culpa da paciente nem consequência de comportamento. São fatores de probabilidade, não de causa direta. ## Como é feito o diagnóstico? O exame inicial é o **ultrassom pélvico ou transvaginal**, que identifica a maioria dos miomas e mede o útero. Ele responde bem à primeira pergunta: existem miomas e de que tamanho? Quando o planejamento do tratamento exige mais precisão, entram outros exames: - **Ressonância magnética** — mapeia com exatidão o número, o tamanho e, sobretudo, a posição de cada mioma. É o exame que melhor orienta a escolha entre as técnicas, e o preferido antes da embolização, porque também avalia a irrigação dos miomas e ajuda a diferenciar de outras condições, como a adenomiose. - **Histeroscopia** — uma câmera fina examina a cavidade do útero por dentro. É diagnóstica e, em muitos casos, já permite tratar no mesmo tempo. - **Exames de sangue** — hemograma para verificar anemia, que muda a urgência da conduta. ## Onde o mioma está muda mais do que o tamanho Esta é a informação que mais confunde as pacientes — e a que mais importa. Duas mulheres com miomas do mesmo tamanho podem ter tratamentos completamente diferentes, porque o que determina o sintoma e a técnica é a **posição** do mioma na parede do útero. A classificação internacional da FIGO organiza os miomas em nove tipos, de 0 a 8, conforme a profundidade em que estão. Na prática, três grupos resumem a lógica: | Grupo | Tipos FIGO | Onde fica | O que costuma causar | | --- | --- | --- | --- | | Submucoso | 0, 1, 2 | Projeta-se para dentro da cavidade do útero | Sangramento intenso e impacto na fertilidade, mesmo quando pequeno | | Intramural | 3, 4 | Dentro da parede muscular | Sangramento, cólica e aumento do volume uterino | | Subseroso | 5, 6, 7 | Cresce para fora do útero | Compressão da bexiga e do intestino, peso pélvico; sangra pouco | O tipo 8 reúne os miomas que não se ligam diretamente à parede uterina, como os cervicais. Os tipos 0 e 7 são os "pediculados" — presos por uma haste fina, para dentro ou para fora do útero. A consequência prática é direta: um mioma submucoso de 2 cm pode causar sangramento incapacitante e ser resolvido por histeroscopia, enquanto um subseroso de 8 cm pode não provocar sangramento algum. Por isso não existe um "tamanho a partir do qual se opera" — a pergunta correta é onde ele está e o que ele está causando. ## Todo mioma precisa ser tratado? Não. Mioma sem sintoma, em geral, não precisa de tratamento — apenas de acompanhamento periódico. Tratar um mioma que não incomoda expõe a paciente aos riscos de um procedimento sem benefício correspondente. O tratamento passa a ser indicado quando existe: - Sangramento intenso, com ou sem anemia - Dor ou pressão pélvica que atrapalham a rotina - Compressão de bexiga ou intestino - Infertilidade ou perdas gestacionais associadas a mioma que deforma a cavidade - Crescimento rápido ou características atípicas na imagem, que exigem investigação Para sangramento associado a miomas menores que 3 cm que não deformam a cavidade uterina, a diretriz britânica NICE (NG88) orienta considerar primeiro o DIU hormonal com levonorgestrel, antes de qualquer procedimento. É um passo simples que resolve muitos casos e costuma ser pulado. ## Quais são os tratamentos para mioma hoje? O cenário mudou nas últimas duas décadas. Antes, o caminho para o mioma sintomático terminava com frequência na retirada do útero. Hoje há um leque de opções que preservam o órgão, e a histerectomia passou a ser uma escolha entre outras — reservada a situações específicas. | Técnica | Como é feita | Melhor indicação | | --- | --- | --- | | Embolização das artérias uterinas | Por punção, sem cortes, com cateter | Miomas múltiplos ou volumosos, com sangramento e compressão, em quem quer preservar o útero | | Ablação por radiofrequência | Calor aplicado dentro do mioma, por via vaginal ou laparoscópica | Miomas em número limitado, intramurais ou submucosos selecionados | | Miomectomia histeroscópica | Pela vagina, com câmera, sem cortes na barriga | Miomas submucosos (FIGO 0, 1 e 2) | | Miomectomia laparoscópica ou aberta | Cirurgia que retira o mioma e reconstrói o útero | Miomas intramurais ou subserosos, sobretudo com desejo de gestação | | Histerectomia | Retirada do útero | Falha das demais, suspeita de malignidade ou escolha informada da paciente | ## Como funciona a embolização das artérias uterinas? A embolização parte de uma observação simples: o mioma depende de um suprimento de sangue próprio e abundante para crescer. Se esse suprimento for interrompido, ele perde volume e para de sangrar — enquanto o útero, que recebe sangue por outras vias, continua irrigado. O procedimento é endovascular. Por uma punção — no punho ou na virilha —, um cateter muito fino é guiado por raios X até as artérias uterinas. Chegando lá, são liberadas microesferas calibradas que ocluem seletivamente os ramos que alimentam os miomas. Não há cortes, e a anestesia é local com sedação. Quem realiza é a equipe endovascular, em conjunto com o ginecologista que acompanha a paciente. ### O que a evidência mostra É uma técnica com décadas de uso e ensaios clínicos randomizados. Séries brasileiras descrevem sucesso técnico em torno de 97% dos casos, melhora dos sintomas em mais de 90% das pacientes e redução expressiva do volume uterino nos primeiros meses. No ensaio randomizado FEMME, publicado no *New England Journal of Medicine* em 2020, embolização e miomectomia foram comparadas diretamente em mulheres que não queriam retirar o útero. Ambas melhoraram muito a qualidade de vida em dois anos, com vantagem modesta para a miomectomia — uma diferença de cerca de 8 pontos numa escala de 100. E há o dado de longo prazo, que precisa ser dito com honestidade: no estudo EMMY, com dez anos de seguimento, aproximadamente uma em cada três mulheres tratadas por embolização acabou fazendo histerectomia ao longo do período. Dito de outro modo, a maioria evitou a cirurgia definitiva por pelo menos dez anos — o que, para muitas pacientes, é exatamente o objetivo — mas a embolização não garante que nenhuma outra intervenção será necessária no futuro. ### Quando a embolização costuma ser a melhor escolha - Miomas múltiplos, em que retirar um a um seria uma cirurgia extensa - Útero volumoso com sintomas de compressão - Desejo claro de preservar o útero - Contraindicação ou recusa a cirurgia de maior porte - Recidiva de sintomas após miomectomia prévia ### Quando ela não é a indicação - Suspeita de malignidade — que precisa ser esclarecida antes de qualquer tratamento - Infecção pélvica ativa - Miomas pediculados subserosos com haste muito fina, pelo risco de desprendimento - Forte desejo de engravidar, situação em que a miomectomia costuma ser preferida ## E a ablação por radiofrequência? É a opção mais recente entre as que preservam o útero. Em vez de bloquear a circulação, ela trata o mioma diretamente: uma agulha-eletrodo é posicionada dentro do nódulo, guiada por ultrassom, e libera calor por radiofrequência que destrói o tecido do mioma de dentro para fora. O organismo reabsorve esse tecido ao longo dos meses seguintes, e o mioma diminui. Há duas vias de acesso: - **Transcervical** — o dispositivo entra pela vagina e pelo colo do útero, sem nenhuma incisão. É a via menos invasiva das técnicas que tratam o mioma diretamente. - **Laparoscópica** — por pequenas incisões no abdome, com a agulha posicionada sob visão direta e ultrassom. Útil para miomas de acesso difícil pela via vaginal. Os dados de médio prazo são consistentes. No estudo pivotal SONATA, da ablação transcervical, a taxa de reintervenção cirúrgica foi de 8,2% em três anos, com satisfação de 94% das pacientes em dois anos; um seguimento posterior mais longo descreveu reintervenção de 11,8% após cerca de cinco anos em média. A ablação por radiofrequência funciona melhor quando os miomas são em número limitado e podem ser individualmente alcançados. Para úteros com muitos nódulos, a embolização costuma resolver o conjunto de uma só vez. As duas técnicas se complementam, e a escolha depende do mapa de imagem — número, tamanho e posição dos nódulos. A disponibilidade dos dispositivos de ablação uterina ainda é restrita no Brasil. Na Endovascular São Paulo, a ablação por radiofrequência é realizada pela equipe de radiologia intervencionista, com o [Dr. Márcio dos Santos Meira](https://endovascularsp.com.br/equipe/marcio-meira) (CRM 172.049 · RQE 760.601), que atua em procedimentos de ablação guiados por imagem. A indicação é definida caso a caso, após o mapeamento por ressonância ou ultrassom. ## Quando a histeroscopia é a melhor escolha? Para miomas submucosos — os tipos 0, 1 e 2 da FIGO —, a miomectomia histeroscópica é o tratamento de escolha. São os miomas que se projetam para dentro da cavidade uterina e que, mesmo pequenos, causam os sangramentos mais intensos e o maior impacto sobre a fertilidade. O procedimento é feito pela vagina, com uma óptica fina e um instrumento que ressecta ou vaporiza o mioma. Não há corte na barriga, a recuperação é rápida e a paciente costuma voltar às atividades em poucos dias. Quem realiza é o ginecologista. A extensão do componente que fica dentro da parede muscular limita a técnica: quanto mais o mioma se aprofunda no miométrio — tipo 2, principalmente —, maior a chance de ser necessário mais de um tempo cirúrgico ou de a via histeroscópica não ser suficiente. ## Quando a miomectomia cirúrgica é indicada? A miomectomia retira o nódulo e reconstrói a parede do útero, preservando o órgão. Pode ser feita por laparoscopia, por cirurgia robótica ou por via aberta, conforme o tamanho, o número e a posição dos miomas. É a opção preferida principalmente em duas situações: - **Desejo forte de engravidar**, sobretudo com miomas que deformam a cavidade uterina — a literatura mostra melhores desfechos reprodutivos com miomectomia do que com embolização. - **Poucos miomas bem delimitados**, em que a retirada resolve o problema de forma direta. Como toda cirurgia, tem contrapartidas: sangramento intraoperatório, aderências, recuperação mais longa que a das técnicas percutâneas e, dependendo da profundidade da sutura no útero, indicação de parto cesáreo em gestações futuras. Novos miomas também podem surgir com o tempo, já que a cirurgia trata os nódulos existentes, não a tendência a formá-los. ## Quando a histerectomia ainda faz sentido? A retirada do útero é o único tratamento que elimina definitivamente a possibilidade de novos miomas. Ela deixou de ser a primeira resposta — e é justamente por isso que precisa ser apresentada com clareza, e não como fracasso ou como ameaça. Continua sendo a indicação correta quando há: - Suspeita de malignidade uterina - Sangramento grave que não respondeu às demais opções, com repercussão clínica - Útero muito volumoso com sintomas importantes e falha ou contraindicação das alternativas - Prolapso uterino ou outras doenças associadas que já indicariam a cirurgia - Escolha informada da paciente que não deseja mais engravidar e prefere a solução definitiva No estudo EMMY, que comparou embolização e histerectomia, ambas melhoraram significativamente a qualidade de vida — a diferença está no caminho, no tempo de recuperação e no que cada mulher considera aceitável para a sua vida. Uma decisão bem tomada é a que a paciente compreende inteiramente, com as opções sobre a mesa. ## E quem quer engravidar? Esse ponto merece uma resposta cuidadosa, porque durante anos foi tratado como se houvesse uma saída única — e a evidência acumulada nas últimas duas décadas conta uma história diferente. Comecemos pelo que não mudou: nem todo mioma atrapalha a fertilidade. Os submucosos, que deformam a cavidade uterina, são os que reduzem as chances de gravidez e aumentam o risco de perda gestacional. Os subserosos, em geral, não interferem. O que mudou é o que se sabe sobre engravidar depois da embolização. A técnica preserva o útero por definição — esse é o seu princípio — e as séries de longo prazo mostram gestações espontâneas em números expressivos. O maior conjunto de dados vem de Portugal. Uma coorte do Hospital de São Luís com a Universidade Nova de Lisboa acompanhou **359 mulheres com miomas que não conseguiam engravidar**, por uma mediana de quase seis anos. Depois da embolização, **149 engravidaram e 131 tiveram filhos** — 150 bebês ao todo. Para 85,5% delas, era a primeira gestação. A probabilidade de gravidez espontânea foi de 29,5% em um ano e 40,1% em dois anos; a de gravidez com nascimento vivo, 24,4% e 36,7% (Radiology, 2017). Dois achados desse estudo merecem destaque. O primeiro contraria o receio mais comum: ter um mioma submucoso dominante associou-se a *maior* chance de gravidez espontânea após a embolização. O segundo é técnico — em 160 pacientes foi realizada a embolização parcial, em que apenas os pequenos vasos que alimentam o mioma são ocluídos, preservando os vasos maiores, com o objetivo explícito de proteger a fertilidade. Nesse grupo, as complicações foram menores (14,6% contra 23,1%). Não se trata de um resultado isolado. Uma revisão sistemática com metanálise de 24 estudos encontrou gestação em **40,5% das mulheres que desejavam engravidar** após a embolização (Cardiovascular and Interventional Radiology, 2020), com taxas de perda gestacional e de complicações obstétricas próximas às da população geral da mesma faixa etária. Nada disso significa que a embolização seja sempre a escolha certa para quem quer engravidar. A miomectomia continua sendo uma excelente opção, sobretudo diante de poucos miomas bem delimitados que deformam a cavidade, e parte das diretrizes ainda a coloca como preferência nesse cenário específico. O que a evidência atual sustenta é que a embolização deixou de ser um caminho fechado para quem deseja gestação: preserva o útero, tem gestações e nascimentos documentados em série grande, e pode ser a melhor alternativa quando os miomas são múltiplos, quando a miomectomia seria uma cirurgia extensa ou quando já houve cirurgia uterina prévia. A decisão é individual e precisa envolver o ginecologista: idade, reserva ovariana, tempo de tentativa, número e posição dos miomas e cirurgias anteriores pesam tanto quanto a técnica escolhida. ## Como é a recuperação de cada tratamento? | Técnica | Anestesia | Internação | Retorno às atividades | | --- | --- | --- | --- | | Embolização | Local com sedação | Cerca de 1 dia | 1 a 2 semanas | | Ablação por radiofrequência | Geral ou sedação | Curta, por vezes no mesmo dia | Poucos dias a 1 semana | | Histeroscopia | Geral ou sedação | Geralmente no mesmo dia | Poucos dias | | Miomectomia laparoscópica | Geral | 1 a 2 dias | 2 a 4 semanas | | Miomectomia aberta | Geral | 2 a 3 dias | 4 a 6 semanas | | Histerectomia | Geral | 1 a 3 dias | 4 a 6 semanas | São faixas médias, não promessas: a recuperação real varia com o caso, o porte do procedimento e as condições clínicas de cada paciente. ## Quando procurar avaliação? Vale marcar uma consulta se você tem sangramento menstrual intenso ou prolongado, anemia sem causa definida, dor pélvica persistente, aumento do volume abdominal, sintomas urinários associados ao período menstrual, ou se já recebeu o diagnóstico de mioma e não teve as opções de tratamento apresentadas por inteiro. Procure atendimento imediato em caso de sangramento muito intenso com tontura, desmaio, palidez ou falta de ar, ou dor pélvica súbita e forte. ## Tratamento de mioma em São Paulo Na Endovascular São Paulo, a avaliação de mioma começa pelo mapeamento por imagem e pela conversa sobre o que incomoda e o que a paciente deseja para o futuro reprodutivo. A embolização das artérias uterinas e a ablação por radiofrequência são realizadas pela equipe endovascular e de radiologia intervencionista, sempre em articulação com o ginecologista que acompanha o caso — e, quando a melhor indicação é histeroscopia, miomectomia ou histerectomia, esse encaminhamento é feito com a mesma clareza. Atendemos nas unidades do Jardim Paulista e do Jardim Anália Franco, com procedimentos realizados em hospitais de referência de São Paulo. [Conheça a página sobre embolização de mioma](https://endovascularsp.com.br/embolizacao-de-mioma) ou [veja os convênios atendidos](https://endovascularsp.com.br/convenios). ## Leve este guia com você Preparamos uma versão em PDF deste conteúdo, em formato de ebook, para você ler com calma ou levar impresso à consulta com o seu ginecologista. [Baixar o ebook gratuito](https://endovascularsp.com.br/ebook-mioma) Referências 1. [Munro MG, et al. FIGO classification system (PALM-COEIN) for causes of abnormal uterine bleeding. Int J Gynaecol Obstet. 2011.](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21345435/) 2. [Manyonda I, et al. Uterine-Artery Embolization or Myomectomy for Uterine Fibroids (FEMME trial). N Engl J Med. 2020.](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32726530/) 3. [de Bruijn AM, et al. Uterine artery embolization vs hysterectomy: 10-year outcomes from the randomized EMMY trial. Am J Obstet Gynecol. 2016.](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27393268/) 4. [Miller CE, et al. Three-Year Results of the SONATA Pivotal Trial of Transcervical Fibroid Ablation. 2020.](https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC7548023/) 5. [Pisco JM, et al. Spontaneous Pregnancy with a Live Birth after Conventional and Partial Uterine Fibroid Embolization. Radiology. 2017. (coorte de Lisboa, 359 mulheres)](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28608747/) 6. [Ghanaati H, et al. Pregnancy and its Outcomes in Patients After Uterine Fibroid Embolization: A Systematic Review and Meta-Analysis. Cardiovasc Intervent Radiol. 2020.](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32458009/) 7. [NICE. Heavy menstrual bleeding: assessment and management (NG88).](https://www.nice.org.uk/guidance/ng88) 8. [Tratamento endovascular da miomatose uterina: uma revisão sistemática. J Vasc Bras.](https://www.jvascbras.org/article/doi/10.1590/1677-5449.190149) # Síndrome de May-Thurner (Síndrome de Cockett): por que só a perna esquerda incha URL: https://endovascularsp.com.br/sindrome-de-may-thurner A síndrome de May-Thurner é a compressão da veia ilíaca comum esquerda pela artéria ilíaca comum direita, que cruza sobre ela e a aperta contra a coluna. Quando essa compressão ainda não formou coágulo, chamamos de síndrome de May-Thurner. Quando ela já trombosou, ou deixou uma sequela depois de uma trombose, o mesmo quadro costuma ser chamado de síndrome de Cockett — é a mesma anatomia, em dois momentos clínicos diferentes. Na prática, os dois nomes também circulam como sinônimos em parte da literatura, e é comum ver um citado entre parênteses do outro. O sinal mais característico é o inchaço desproporcional da perna esquerda, e o diagnóstico é feito por imagem — com destaque para o ultrassom intravascular (IVUS), que mostra a compressão por dentro da veia. O tratamento, quando indicado, é o stent venoso: minimamente invasivo, por punção, sem cortes. ## O que é a síndrome de May-Thurner (ou síndrome de Cockett)? A artéria ilíaca comum direita, no seu trajeto normal, passa por cima da veia ilíaca comum esquerda e a comprime contra a coluna vertebral. Esse cruzamento é uma variação anatômica presente em boa parte da população — a compressão em si não é rara. O problema aparece quando essa compressão repetida, ao longo dos anos, machuca a parede interna da veia e forma uma cicatriz fibrosa (um "esporão") que estreita ainda mais a passagem do sangue. Chamamos esse quadro de **síndrome de May-Thurner** quando a compressão ainda não formou coágulo. Quando a veia já trombosou — ou ficou com sequela depois de uma trombose venosa profunda —, o mesmo mecanismo costuma ser chamado de **síndrome de Cockett**. É a mesma anatomia de base, em dois estados clínicos diferentes; em parte da literatura internacional, os dois nomes também aparecem como sinônimos um do outro. Tratar a compressão antes que ela trombose é exatamente o que evita a evolução de uma para a outra. Os nomes vêm de quem descreveu o mecanismo: May e Thurner, em 1957, em um estudo com 430 dissecções de cadáver, encontraram o "esporão" fibroso característico em 22% dos casos. Cockett e Thomas, em 1965, correlacionaram essa mesma compressão com quadros clínicos de trombose venosa profunda iliofemoral. ## Por que só a perna esquerda incha? O cruzamento entre a artéria ilíaca direita e a veia ilíaca esquerda acontece de um lado só — por isso o inchaço característico dessa síndrome é praticamente sempre unilateral, na perna esquerda. A perna direita, sem esse ponto de compressão, costuma seguir normal, o que ajuda a diferenciar esse quadro de causas mais gerais de inchaço nas duas pernas. ## Quais são os sintomas? Nem toda compressão dá sintoma. Quando dá, os mais comuns são: - **Inchaço desproporcional na perna esquerda**, que piora ao longo do dia ou ao ficar muito tempo em pé ou sentado - **Peso, cansaço ou dor** na perna esquerda - **Varizes atípicas** ou que aparecem predominantemente à esquerda - **Trombose venosa profunda iliofemoral esquerda** — às vezes é o primeiro sinal, especialmente em mulheres jovens sem outro fator de risco evidente - Sinais de **síndrome pós-trombótica** — inchaço crônico, alterações de pele e, em casos mais avançados, úlceras — em quem já teve uma trombose nessa região. ## Toda compressão precisa de tratamento? Não. Estudos de imagem em pessoas completamente assintomáticas encontram algum grau de compressão da veia ilíaca esquerda em mais de um terço dos casos — a compressão anatômica, isoladamente, é comum e não define doença. O que indica investigação e, se necessário, tratamento é a presença de sintomas, de trombose ou de sequela pós-trombótica relevante — não o achado isolado num exame de imagem feito por outro motivo. ## Como é feito o diagnóstico? A investigação costuma começar pelo **ultrassom Doppler venoso**, que avalia o fluxo e pode sugerir a compressão. Para confirmar e planejar o tratamento, usamos **angiotomografia ou angiorressonância**, que mostram a anatomia do cruzamento arteriovenoso com mais detalhe. Quando o cateterismo é indicado, o exame mais preciso é o **ultrassom intravascular (IVUS)**: uma sonda percorre a veia por dentro e mede a compressão diretamente, em corte transversal — algo que nenhum exame externo consegue fazer com a mesma exatidão. É esse exame que confirma o grau da compressão e orienta o tamanho do stent, quando o tratamento é indicado. ## Como é o tratamento com stent venoso? O **stent venoso** é hoje o tratamento mais usado para a compressão sintomática. Por uma punção — geralmente na veia da perna ou atrás do joelho —, um cateter leva o stent até o ponto de compressão. Ao ser liberado, ele se expande e passa a sustentar a parede da veia por dentro, restaurando a passagem do sangue no local onde a artéria comprimia contra a coluna. É um procedimento minimamente invasivo, sem cortes, geralmente realizado com sedação e anestesia local. Quando há trombose associada, o tratamento pode incluir também a remoção do coágulo antes do implante do stent, e anticoagulação por um período definido conforme o caso. ## Recuperação e acompanhamento A recuperação do implante de stent venoso costuma ser rápida, com retorno às atividades habituais em poucos dias. O acompanhamento no pós-operatório inclui ultrassom para confirmar que o stent permanece aberto e funcionando, e a duração da anticoagulação — quando indicada — é definida caso a caso, conforme o histórico de trombose e os fatores de risco de cada paciente. ## Quando procurar um cirurgião vascular? Vale investigar quando há inchaço persistente e desproporcional na perna esquerda, sem outra explicação clara, especialmente se surgiu na gravidez, no pós-parto ou depois de longos períodos de imobilidade. Também vale investigar após uma trombose venosa profunda iliofemoral esquerda — é um dos cenários em que essa síndrome mais aparece, e identificá-la muda a conduta de tratamento e prevenção de novos episódios. ## Tratamento da síndrome de May-Thurner e Cockett em São Paulo A Clínica Endovascular São Paulo realiza o diagnóstico por imagem — incluindo ultrassom intravascular (IVUS) — e o tratamento com stent venoso da síndrome de May-Thurner e da síndrome de Cockett, com equipe de cirurgiões vasculares titulados. O planejamento é sempre individualizado, com discussão transparente das opções. O stent implantado é permanente — é o que sustenta a veia por dentro e mantém o resultado ao longo do tempo, não um corpo estranho a ser retirado depois. Veja também o panorama completo das [síndromes venosas abdominais](https://endovascularsp.com.br/sindromes-venosas) que tratamos, incluindo síndrome de Nutcracker e varizes pélvicas. Se o que você tem são varizes comuns nas pernas — não relacionadas a essa compressão —, veja nosso [guia sobre varizes](https://endovascularsp.com.br/varizes). ## Perguntas frequentes **May-Thurner e Cockett são a mesma doença?** É a mesma compressão anatômica — a artéria ilíaca comum direita comprimindo a veia ilíaca comum esquerda contra a coluna. Em parte da literatura, os dois nomes são usados como sinônimos. Na nossa prática, reservamos 'May-Thurner' para a compressão ainda sem trombose e 'Cockett' para quando ela já trombosou ou deixou sequela pós-trombótica — mas o mecanismo de base é o mesmo, e o guia trata dos dois estados em conjunto. **Por que só a perna esquerda incha?** Porque a compressão acontece exatamente no cruzamento entre a artéria ilíaca comum direita e a veia ilíaca comum esquerda — uma variação anatômica presente em boa parte da população. O retorno do sangue da perna esquerda fica dificultado nesse ponto, e o inchaço aparece desse lado. A perna direita, sem essa compressão, costuma ficar normal. **Toda pessoa com a compressão anatômica tem sintoma?** Não. Estudos de imagem em pessoas sem sintoma nenhum encontram algum grau de compressão da veia ilíaca esquerda em mais de um terço dos casos. Ter a variação anatômica não significa ter a doença — o que define a necessidade de tratamento é a presença de sintomas ou de trombose, não o achado isolado de imagem. **Como se diagnostica a síndrome de May-Thurner ou Cockett?** Começa pelo ultrassom Doppler venoso, que pode sugerir o diagnóstico. A confirmação e o planejamento do tratamento costumam usar angiotomografia ou angiorressonância, e, quando o cateterismo é indicado, o ultrassom intravascular (IVUS) — que mede a compressão por dentro da veia, com mais precisão do que qualquer exame externo. **O tratamento é sempre com stent?** Não necessariamente. Compressões sem sintoma relevante e sem trombose costumam apenas ser acompanhadas. Quando há sintomas importantes, trombose ou sequela pós-trombótica significativa, o stent venoso é o tratamento mais usado hoje — ele expande a veia comprimida e restaura o fluxo, por punção. **Quem tem essa compressão tem mais risco de trombose na gravidez?** A gravidez já aumenta o risco de trombose venosa por conta própria, e a compressão anatômica da veia ilíaca esquerda soma a esse risco — por isso a maioria dos casos de trombose venosa profunda relacionada a essa síndrome ocorre em mulheres, e frequentemente do lado esquerdo. Vale investigar quando há inchaço muito assimétrico na gestação ou no pós-parto. Referências 1. [May R, Thurner J. The cause of the predominantly sinistral occurrence of thrombosis of the pelvic veins. Angiology. 1957;8:419-427.](https://doi.org/10.1177/000331975700800505) 2. [Cockett FB, Thomas ML. The iliac compression syndrome. Br J Surg. 1965;52(10):816-821.](https://doi.org/10.1002/bjs.1800521028) 3. [Kibbe MR, et al. Iliac vein compression in an asymptomatic patient population. J Vasc Surg. 2004;39:937-943.](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/15111841/) 4. [Neglén P, Hollis KC, Olivier J, Raju S. Stenting of the venous outflow in chronic venous disease: long-term stent-related outcome, clinical, and hemodynamic result. J Vasc Surg. 2007;46(5):979-990.](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/17980284/) 5. [Mangla A, Hamad H. May-Thurner Syndrome. StatPearls [Internet]. Atualizado em 2024.](https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK554377/) # Anos de dor pélvica sem diagnóstico: o guia sobre varizes pélvicas e congestão venosa URL: https://endovascularsp.com.br/varizes-pelvicas Se você sente dor pélvica crônica há meses ou anos, já fez exames que 'não mostraram nada' e ninguém deu uma resposta definitiva, vale considerar uma causa que raramente entra na investigação inicial: as varizes pélvicas, também chamadas de síndrome da congestão pélvica. São veias dilatadas na pelve — muitas vezes ao redor do útero e dos ovários — que represam sangue em vez de drená-lo direito, causando dor que piora ao ficar muito tempo em pé, durante ou depois da relação sexual e no período pré-menstrual. Respondem por 16 a 31% dos casos de dor pélvica crônica, mas seguem subdiagnosticadas porque nem sempre aparecem nos exames pedidos primeiro. O diagnóstico é feito por ultrassom Doppler e confirmado por angiotomografia ou angiorressonância, e o tratamento — quando indicado — é a embolização: um procedimento minimamente invasivo, por punção, com bons resultados descritos na literatura. ## Não é coisa da sua cabeça Se você já ouviu que "está tudo normal" nos exames, mas a dor continua, não é raro. Dor pélvica crônica atinge uma parcela significativa das mulheres em idade reprodutiva, e até 60% delas nunca recebem um diagnóstico específico — parte porque a causa é vascular, não ginecológica, e fica fora dos exames pedidos primeiro. As varizes pélvicas são exatamente esse tipo de causa: reconhecida na literatura médica, mas pouco investigada na prática. ## O que são varizes pélvicas (síndrome da congestão pélvica)? São veias dilatadas e com refluxo na pelve — principalmente as veias gonadais e as veias ao redor do útero — que represam sangue em vez de drená-lo de volta à circulação. Esse acúmulo de sangue gera uma sensação de peso e dor pélvica crônica, definida como dor com mais de 6 meses de duração. A síndrome da congestão pélvica responde por 16% a 31% dos casos de dor pélvica crônica (Corrêa et al., 2019). É diagnosticada com mais frequência entre a terceira e a quarta década de vida — em geral, em mulheres que já tiveram uma ou mais gestações, já que cada gestação aumenta a pressão sobre as veias pélvicas. ## Quais são os sintomas? - **Dor pélvica crônica**, com mais de 6 meses de duração, que piora ao ficar muito tempo em pé ou sentada - Dor que piora **durante ou depois da relação sexual** (dispareunia) - Dor que se intensifica no **período pré-menstrual** - Sensação de **peso ou pressão na pelve**, às vezes irradiando para a região lombar - **Varizes visíveis** na vulva, na virilha, nos glúteos ou na parte interna da coxa. ## Varizes na vulva ou na virilha na gravidez: quando investigar É comum surgirem varizes na vulva ou na virilha durante a gravidez — o aumento do volume sanguíneo e a compressão do útero sobre as veias pélvicas favorecem isso. Na maior parte dos casos, elas regridem entre 3 e 4 meses depois do parto, com o uso de meias de compressão nesse período. **O que raramente é dito:** quando essas varizes não desaparecem depois desse prazo, vale investigar a congestão pélvica como causa persistente — não é só uma questão estética que "não tem mais jeito", é um sinal de que o refluxo venoso continua ativo. ## Por que seu ginecologista pode não ter visto isso Não é falha de ninguém — é uma questão de qual exame investiga qual parte do problema. O ultrassom pélvico transvaginal de rotina foi desenhado para avaliar o útero, os ovários e a anatomia ginecológica; ele não mapeia refluxo em veias gonadais e pélvicas com a mesma precisão de um **ultrassom Doppler vascular dirigido**. Em relatos reais de pacientes, é comum a investigação ginecológica não encontrar nada, e a avaliação vascular ser o que finalmente identifica a causa. ## Como é feito o diagnóstico? O primeiro exame é o **ultrassom Doppler pélvico e transvaginal**, dirigido especificamente para avaliar refluxo nas veias gonadais e pélvicas — peça esse exame por nome, não apenas "ultrassom pélvico". Para confirmar o diagnóstico e planejar o tratamento, usamos **angiotomografia ou angiorressonância**, que mapeiam a extensão das varizes e ajudam a identificar se há uma causa associada, como a compressão da veia renal esquerda — a [síndrome de Nutcracker](https://endovascularsp.com.br/sindrome-de-nutcracker). ## Como funciona a embolização de varizes pélvicas? Por uma punção — sem cortes —, um cateter fino é guiado até as veias gonadais e pélvicas dilatadas. Ali, são liberadas **molas (coils)** ou outro material embolizante que bloqueia o fluxo nas veias doentes, interrompendo o refluxo que causava a dor. É um procedimento minimamente invasivo, feito com sedação e anestesia local, com alta no mesmo dia ou no dia seguinte na maioria dos casos. A literatura descreve melhora da dor em cerca de **90% das pacientes** acompanhadas por um ano após a embolização (Guirola et al., 2018), e séries de casos com seguimento mais longo mostram resultado mantido (Kim et al., 2006) — os resultados variam conforme cada caso. ## Recuperação e acompanhamento A recuperação costuma ser rápida, com retorno às atividades habituais em poucos dias. O acompanhamento no pós-operatório inclui reavaliação clínica da dor e, quando indicado, ultrassom de controle — a melhora dos sintomas costuma ser progressiva nas semanas seguintes ao procedimento, não imediata. ## Quando procurar um cirurgião vascular? Vale buscar avaliação vascular quando a dor pélvica persiste por mais de 6 meses sem diagnóstico definitivo, especialmente se piora ao ficar em pé, na relação sexual ou no período pré-menstrual — ou quando varizes na vulva ou na virilha aparecidas na gravidez não desaparecem meses depois do parto. É uma investigação complementar à ginecológica, não uma substituição dela. ## Tratamento de varizes pélvicas em São Paulo A Clínica Endovascular São Paulo realiza o diagnóstico por imagem — incluindo Doppler dirigido, angiotomografia e angiorressonância — e o tratamento por embolização das varizes pélvicas, com equipe de cirurgiões vasculares titulados. O planejamento é individualizado, em conjunto com o ginecologista de cada paciente quando aplicável. A embolização atua só nas veias gonadais e varizes pélvicas — não no útero nem nos ovários —, por punção, com sedação e anestesia local. Veja também o panorama completo das [síndromes venosas abdominais](https://endovascularsp.com.br/sindromes-venosas) que tratamos, incluindo a [síndrome de May-Thurner e Cockett](https://endovascularsp.com.br/sindrome-de-may-thurner), que em alguns casos coexiste com a congestão pélvica. Se o que você tem são varizes comuns nas pernas, sem dor pélvica associada, veja nosso [guia sobre varizes](https://endovascularsp.com.br/varizes). ## Perguntas frequentes **Dor pélvica crônica pode ser varizes pélvicas?** Pode. As varizes pélvicas (síndrome da congestão pélvica) respondem por 16 a 31% dos casos de dor pélvica crônica na literatura médica, mas costumam ficar de fora da investigação inicial porque os exames ginecológicos de rotina nem sempre mostram veias dilatadas na pelve. **Por que meu ginecologista pode não ter visto isso?** Porque as varizes pélvicas não são uma doença ginecológica — são uma condição vascular. O ultrassom pélvico transvaginal de rotina é ótimo para avaliar útero e ovários, mas não foi desenhado para mapear refluxo em veias gonadais e pélvicas, que exige um Doppler vascular dirigido. Não é falha de ninguém: é uma questão de qual especialista, com qual exame, investiga cada parte do problema. **Varizes na vulva ou na virilha na gravidez são normais?** É comum aparecerem varizes vulvares ou na virilha durante a gravidez, por causa do aumento de volume sanguíneo e da compressão das veias pélvicas pelo útero. Na maioria dos casos, regridem em 3 a 4 meses após o parto com o uso de meias de compressão. Quando não desaparecem depois desse período, vale investigar congestão pélvica — é um sinal que a concorrência raramente conecta, mas que muda a conduta. **Como é feito o diagnóstico das varizes pélvicas?** Começa pelo ultrassom Doppler pélvico e transvaginal, dirigido para avaliar refluxo nas veias gonadais e pélvicas — diferente do ultrassom ginecológico de rotina. A confirmação e o planejamento do tratamento usam angiotomografia ou angiorressonância, que mapeiam a extensão das varizes antes da embolização. **Como funciona a embolização de varizes pélvicas?** Por uma punção, um cateter fino é guiado até as veias gonadais e pélvicas dilatadas, onde são liberadas molas (coils) ou outro material embolizante que bloqueia o refluxo. O procedimento não exige cortes, é feito com sedação e anestesia local, e estudos publicados descrevem melhora da dor em cerca de 90% das pacientes acompanhadas por um ano. **Varizes pélvicas têm relação com varizes nas pernas?** São condições diferentes, mas podem estar relacionadas: em algumas mulheres, o mesmo refluxo venoso pélvico alimenta varizes atípicas nas pernas, na vulva ou nos glúteos. Se o que você tem são varizes comuns na perna, sem dor pélvica associada, veja nosso guia específico sobre varizes. **Compressão da veia renal (Nutcracker) pode causar varizes pélvicas?** Sim, em alguns casos. A compressão da veia renal esquerda (síndrome de Nutcracker) pode represar sangue que acaba drenando pelas veias gonadais, alimentando varizes pélvicas do lado esquerdo. É um dos motivos pelos quais o mapeamento por imagem antes da embolização é importante — identifica se há uma causa associada que muda o planejamento. Referências 1. [Corrêa MP, Bianchini L, Saleh JN, Noel RS, Bajerski JC. Síndrome da congestão pélvica e embolização de varizes pélvicas. J Vasc Bras. 2019;18:e20190061.](https://doi.org/10.1590/1677-5449.190061) 2. [Borghi C, Dell'Atti L. Pelvic congestion syndrome: the current state of the literature. Arch Gynecol Obstet. 2016;293:291-301.](https://doi.org/10.1007/s00404-015-3895-7) 3. [Kim HS, Malhotra AD, Rowe PC, Lee JM, Venbrux AC. Embolotherapy for pelvic congestion syndrome: long-term results. J Vasc Interv Radiol. 2006;17(2 Pt 1):289-297.](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/16517774/) 4. [Guirola JA, et al. A Randomized Trial of Endovascular Embolization Treatment in Pelvic Congestion Syndrome: Fibered Platinum Coils versus Vascular Plugs with 1-Year Clinical Outcomes. J Vasc Interv Radiol. 2018;29(1):45-53.](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29174618/) # Embolização de Varicocele: tratamento sem cirurgia, coberto pelo convênio URL: https://endovascularsp.com.br/embolizacao-de-varicocele A embolização de varicocele é um procedimento minimamente invasivo, feito por punção, que trata a varicocele bloqueando por dentro a veia responsável pelo represamento de sangue — sem cortes e sem os dias de afastamento típicos da cirurgia. É indicada tanto para quem já tem indicação de tratamento (dor, alteração no espermograma, dificuldade para engravidar) quanto para quem já operou e a varicocele voltou, situação em que vale investigar uma causa que a primeira cirurgia pode não ter considerado. O procedimento consta no Rol de Procedimentos da ANS e tem cobertura obrigatória pelos planos de saúde hospitalares e de referência. Como em qualquer escolha entre duas técnicas, embolização e cirurgia têm vantagens e desvantagens próprias — a melhor opção depende do caso, avaliado em consulta. ## Achado num exame de rotina, ou a varicocele voltou depois da cirurgia? Boa parte de quem chega até este guia está em uma de duas situações bem diferentes. A primeira: a varicocele apareceu num exame físico ou de imagem de rotina, sem queixa nenhuma — entre 2% e 10% dos homens com varicocele relatam dor, então descobrir a condição sem sintoma é mais comum do que se pensa. A segunda: já foi operado, e a varicocele voltou, ou nunca melhorou de fato. As duas situações levam à mesma pergunta — vale tratar, e se sim, como — mas a segunda merece uma investigação própria, que esta página também aborda mais abaixo. ## O que é varicocele, rapidamente Varicocele é a dilatação das veias do plexo pampiniforme, a rede venosa que envolve o testículo. Ocorre quase sempre à esquerda, por uma predisposição anatômica na forma como a veia espermática esquerda drena. O sangue que deveria retornar à circulação represa nessas veias dilatadas, o que pode gerar desconforto, sensação de peso no testículo, alteração de parâmetros no espermograma ou, em alguns casos, atrofia testicular progressiva. Nem toda varicocele exige tratamento — a decisão depende dos sintomas, do espermograma e dos planos reprodutivos de cada paciente. ## Cirurgia ou embolização: como cada uma funciona As duas técnicas têm o mesmo objetivo — interromper o refluxo na veia espermática dilatada —, mas por caminhos diferentes. A **varicocelectomia cirúrgica** liga ou secciona essa veia por um acesso na virilha, no abdome (via laparoscópica) ou, na técnica considerada padrão-ouro, por microcirurgia subinguinal com magnificação óptica. A **embolização** é feita por punção de uma veia periférica: um cateter fino é guiado por imagem até a veia espermática, onde molas (coils) ou outro material embolizante bloqueiam o fluxo por dentro — sem cortes, com sedação e anestesia local. Um estudo prospectivo que comparou as duas técnicas diretamente encontrou vantagens práticas para a embolização: nenhuma complicação registrada no grupo embolizado, contra 3 casos (2 infecções de ferida operatória, 1 hematoma escrotal) no grupo cirúrgico; afastamento médio do trabalho de 1,5 dia contra 6,8 dias; e dor pós-procedimento menor (1,5 vs. 2,1 em escala de 5 pontos) (Bou Nasr et al., 2017). A taxa de gravidez do casal, no mesmo estudo, foi semelhante entre os grupos (33,3% vs. 36,7%) — a diferença prática entre as técnicas está mais na recuperação do que no resultado reprodutivo. ## Quando o tratamento é indicado — e o papel do grau da varicocele Ao exame físico, a varicocele é classificada em três graus: **grau I**, palpável apenas durante a manobra de Valsalva (esforço); **grau II**, palpável mesmo sem esforço, mas não visível; e **grau III**, visível a olho nu através da pele do escroto. O grau ajuda a orientar a investigação, mas a indicação de tratamento não depende só dele — depende também de haver dor, alteração relevante no espermograma associada a dificuldade para engravidar, ou assimetria e atrofia testicular progressiva. Varicocele subclínica (não palpável, achado só em ultrassom) raramente é indicação isolada de tratamento. ## Varicocele, fertilidade e a alternativa à FIV A varicocele é uma das causas tratáveis mais comuns de infertilidade masculina, e uma revisão sistemática de estudos com embolização por coils mostrou melhora significativa em dois parâmetros seminais: a concentração espermática subiu, em média, de 10,8 para 28,3 milhões/ml, e a motilidade, de 28,8% para 42,8% (Belczak et al., 2021). A morfologia espermática não teve dado suficiente nos estudos avaliados para uma conclusão — por isso não citamos número para esse parâmetro específico. Isso não é promessa de gravidez — a fertilidade depende de múltiplos fatores, do casal como um todo, não só do parâmetro seminal. Mas para o casal que já está no caminho da reprodução assistida, **tratar a varicocele preserva a via natural** e pode evitar, em casos selecionados, a necessidade de recorrer à fertilização in vitro antes de investigar e corrigir a causa vascular. ## Sua varicocele voltou depois da cirurgia? Vale investigar uma causa que pode ter passado despercebida Uma varicocele que reaparece depois de uma cirurgia bem feita não é, necessariamente, uma falha da técnica — em parte dos casos, existe uma causa associada que não foi investigada na primeira avaliação. Uma delas é a [síndrome de Nutcracker](https://endovascularsp.com.br/sindrome-de-nutcracker), a compressão da veia renal esquerda entre duas artérias, que pode represar sangue por uma via alternativa e alimentar a varicocele mesmo depois da veia espermática original ter sido tratada. Se sua varicocele voltou, ou nunca melhorou de fato, vale mapear essa possibilidade por imagem antes de decidir o próximo passo — no homem, o Nutcracker costuma se manifestar exatamente assim, como varicocele recidivante à esquerda; na mulher, o mesmo mecanismo causa congestão pélvica, um tema que tratamos em detalhe no [guia sobre síndromes venosas abdominais](https://endovascularsp.com.br/sindromes-venosas). Como em qualquer escolha entre duas técnicas, há uma troca a considerar. A revisão sistemática mais robusta sobre o tema, com mais de 5 mil participantes, ainda considera incerto se a embolização tem taxa de recidiva maior que a cirurgia — os estudos disponíveis não permitem afirmar essa diferença com segurança (Persad et al., 2021). Uma meta-análise mais recente, ainda não confirmada por outras revisões, sugere que pode haver, sim, uma chance um pouco maior de a varicocele reaparecer após a embolização — mas encontrou, na mesma comparação, bem menos complicações e menos hidrocele do que na cirurgia (Chen et al., 2025). Não existe técnica sem contrapartida: para alguns pacientes, evitar complicação cirúrgica e voltar mais rápido às atividades pesa mais; para outros, minimizar ao máximo a chance de um segundo procedimento é a prioridade. Essa ponderação é feita na consulta, de forma individual — não há uma resposta universal. ## Embolização de varicocele é coberta pelo convênio A embolização de varicocele consta no Rol de Procedimentos da ANS e tem cobertura obrigatória pelos planos de saúde hospitalares e de referência. A cobertura não se estende, hoje, a planos estritamente ambulatoriais, e como qualquer procedimento do rol, está sujeita a análise e autorização da operadora, conforme o plano contratado. ## Como é feito o procedimento Por uma punção — geralmente na virilha ou no braço —, um cateter fino é guiado por imagem até a veia espermática dilatada. Ali, molas (coils) ou outro agente embolizante bloqueiam o fluxo na veia doente, interrompendo o refluxo. É feito com sedação e anestesia local, sem necessidade de internação prolongada — a maioria dos pacientes tem alta no mesmo dia. ## Tratamento de varicocele em São Paulo A Clínica Endovascular São Paulo realiza o diagnóstico por imagem e o tratamento por embolização de varicocele, com equipe de cirurgiões vasculares titulados. O planejamento é individualizado, incluindo a investigação de causas associadas em casos de recidiva pós-cirúrgica. O procedimento diagnóstico é realizado na estrutura própria da clínica. O tratamento minimamente invasivo é feito em centro de hemodinâmica, nos principais hospitais de São Paulo. O acesso é pelo braço — uma punção venosa, como a de uma coleta de sangue, sem nenhum corte — e pode ser feito com anestesia local e sedação. ## Perguntas frequentes **Qual a diferença entre embolização e cirurgia de varicocele?** As duas bloqueiam o fluxo da veia espermática dilatada, por caminhos diferentes: a cirurgia (varicocelectomia) liga essa veia por um corte na virilha ou no abdome, com anestesia geral ou raquidiana; a embolização passa um cateter fino por uma veia periférica, guiado por imagem, e libera um material que bloqueia o fluxo por dentro, sem cortes, com sedação e anestesia local. Um estudo comparativo prospectivo registrou recuperação mais rápida com embolização: em média 1,5 dia de afastamento do trabalho contra 6,8 dias após a cirurgia (Bou Nasr et al., 2017). **A embolização de varicocele dói?** É feita com sedação e anestesia local, então o desconforto durante o procedimento costuma ser mínimo. No mesmo estudo comparativo, a dor pós-procedimento média foi de 1,5 em uma escala de 5 pontos após a embolização, contra 2,1 após a cirurgia (Bou Nasr et al., 2017) — a maioria dos pacientes retoma a rotina em poucos dias. **Embolização de varicocele preserva a fertilidade?** A embolização preserva a via natural: não remove nem interrompe estruturas além da veia doente. Uma revisão sistemática mostrou melhora significativa da concentração e da motilidade espermática após o procedimento (Belczak et al., 2021). Isso não é garantia de gravidez — a fertilidade depende de múltiplos fatores —, mas pode evitar, em casos selecionados, a necessidade de recorrer à fertilização in vitro antes de tratar a causa vascular. **A embolização de varicocele é coberta pelo convênio?** Consta no Rol de Procedimentos da ANS (Anexo I, RN 465/2021 + RN 678/2026) e tem cobertura obrigatória pelos planos de saúde hospitalares e de referência. A cobertura não se estende a planos estritamente ambulatoriais, e está sujeita a análise e autorização da operadora, conforme o plano contratado. **A varicocele pode voltar depois do tratamento?** Sim — qualquer tratamento de varicocele, cirúrgico ou por embolização, tem uma taxa de recidiva, e a comparação entre as técnicas ainda gera debate na literatura médica atual. Se sua varicocele voltou depois de uma cirurgia, vale investigar se existe uma causa associada que não foi considerada na primeira avaliação — é o assunto da seção sobre recidiva mais abaixo nesta página. **Qual a taxa de sucesso da embolização de varicocele?** Estudos publicados descrevem taxa de sucesso técnico entre 90% e 96%, dependendo do material e da técnica usados (Makris et al., 2018; de Grae et al., 2025). Sucesso técnico significa que a veia foi bloqueada como planejado; o sucesso clínico — melhora do sintoma ou do parâmetro que motivou o tratamento — foi de 93,75% dos casos tecnicamente bem-sucedidos numa coorte com 8 anos de seguimento médio (de Grae et al., 2025). **Toda varicocele precisa de tratamento?** Não. A varicocele por si só nem sempre causa sintomas — entre 2% e 10% dos homens com varicocele relatam dor, e muitos descobrem a condição em exame de rotina, sem queixa. O tratamento costuma ser considerado quando há dor, alteração relevante no espermograma associada a dificuldade para engravidar, ou assimetria/atrofia testicular. A decisão é individualizada, feita em consulta com avaliação clínica e de imagem. Referências 1. [Makris GC, Efthymiou E, Little M, Boardman P, Anthony S, Uberoi R, Tapping C. Safety and effectiveness of the different types of embolic materials for the treatment of testicular varicoceles: a systematic review. Br J Radiol. 2018;91(1088):20170445.](https://doi.org/10.1259/bjr.20170445) 2. [de Grae MNM, Al-khattab M, Alkadhimi A, Springael M, O'Sullivan G. A fifteen-year retrospective analysis of varicocele embolization: evaluating success, recurrence rates and embolic agents. CVIR Endovasc. 2025;8:59.](https://doi.org/10.1186/s42155-025-00575-6) 3. [Bilreiro C, Donato P, Costa JF, Agostinho A, Carvalheiro V, Caseiro-Alves F. Varicocele embolization with glue and coils: A single center experience. Diagn Interv Imaging. 2017;98(7-8):529-534.](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28185841/) 4. [Persad E, O'Loughlin CAA, Kaur S, Wagner G, Matyas N, Hassler-Di Fratta MR, Nussbaumer-Streit B. Surgical or radiological treatment for varicoceles in subfertile men. Cochrane Database Syst Rev. 2021;4:CD000479.](https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8408310/) 5. [Chen H, Liu K, Liu M, Jin T, Zhou L. Comparison of sclero-embolization and surgical ligation for varicocele treatment: a systematic review and meta-analysis. World J Urol. 2025;43(1):627.](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41137990/) 6. [Belczak SQ, Stefaniak V, Góes LG, Coelho F, de Araújo WJB, da Silva NAC. Improvement of semen parameters after coil embolization of varicoceles: a systematic review. J Vasc Bras. 2021;20:e20200137.](https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8147887/) 7. [Bou Nasr E, Binhazzaa M, Almont T, Rischmann P, Soulie M, Huyghe E. Subinguinal microsurgical varicocelectomy vs. percutaneous embolization in infertile men: Prospective comparison of reproductive and functional outcomes. Basic Clin Androl. 2017;27:11.](https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC5463394/) 8. [Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, Anexo I, vigente (RN 465/2021 + RN 678/2026), p. 169.](https://www.ans.gov.br/images/stories/Legislacao/rn/Anexo_I_Rol_2021RN_465.2021_RN678.2026.pdf) # Síndrome do Quebra-Nozes (Nutcracker): a causa que ninguém procura quando é dor no testículo ou sangue na urina URL: https://endovascularsp.com.br/sindrome-de-nutcracker A síndrome de Nutcracker (ou síndrome do Quebra-Nozes) é a compressão da veia renal esquerda entre duas estruturas vizinhas — geralmente a artéria mesentérica superior e a aorta. Essa compressão represa sangue que precisa encontrar um caminho alternativo para escoar, e é aí que a síndrome se manifesta de duas formas bem diferentes: na mulher, como dor pélvica crônica e varizes atípicas (o mesmo quadro da congestão pélvica); no homem, como varicocele à esquerda — inclusive varicocele que reaparece depois de uma cirurgia bem feita, porque a causa nunca foi a veia espermática, e sim a compressão renal por trás dela. Nem toda compressão anatômica causa sintoma: estudos de imagem encontram o achado em cerca de 4% dos exames abdominais, mas a maioria é incidental, sem repercussão clínica. O diagnóstico é feito por Doppler renal e confirmado por angiotomografia ou angiorressonância, e o tratamento varia da conduta conservadora ao stent venoso, conforme a gravidade. ## Dor no testículo, sangue na urina, ou a varicocele voltou: pode ser Nutcracker É uma das causas menos procuradas na investigação inicial. Quem pesquisa "dor no testículo esquerdo" ou "sangue na urina sem dor" dificilmente encontra a síndrome de Nutcracker como possibilidade — mesmo sendo uma causa real e bem descrita na literatura médica. O resultado é um atraso diagnóstico comum: pacientes investigados por urologia, ginecologia ou nefrologia, com exames "normais" para a especialidade que os avaliou, sem que ninguém tenha olhado especificamente para a veia renal esquerda. ## O que é a síndrome de Nutcracker (Quebra-Nozes) É a compressão da veia renal esquerda entre duas estruturas vizinhas. Na variante mais comum (anterior), a veia é comprimida entre a artéria mesentérica superior e a aorta — como uma noz entre dois braços de um quebra-nozes, o que dá nome à síndrome. Numa variante mais rara (posterior ou retroaórtica), a veia passa atrás da aorta e é comprimida contra a coluna. Em ambos os casos, o sangue que deveria escoar normalmente pela veia renal encontra resistência e busca vias alternativas — é nessas vias alternativas que aparecem os sintomas. ## Nutcracker × varicocele: como diferenciar A varicocele comum tem origem na própria veia espermática — sem causa associada, e não costuma voltar depois de uma cirurgia bem indicada e bem feita. A varicocele por Nutcracker é diferente: a veia espermática esquerda desagua na veia renal esquerda, então, quando essa veia está comprimida, o sangue pode refluir por ali e formar (ou re-formar) a varicocele, mesmo depois de a veia espermática original ter sido tratada. Dois sinais levantam a suspeita: **varicocele que reaparece depois de uma cirurgia tecnicamente correta**, e **varicocele associada a sangue na urina ou dor lombar à esquerda** — combinação que a varicocele comum não costuma apresentar. ## Na mulher: dor pélvica e varizes atípicas A veia gonadal esquerda também desagua na veia renal esquerda — pelo mesmo mecanismo do homem, a compressão pode represar sangue e alimentar varizes pélvicas, causando o quadro de congestão pélvica: dor pélvica crônica, sensação de peso e varizes em locais atípicos, como vulva, glúteo ou parte interna da coxa. Tratamos esse quadro em detalhe, incluindo os critérios diagnósticos, no [guia sobre varizes pélvicas](https://endovascularsp.com.br/varizes-pelvicas). O Nutcracker é uma das causas associadas a investigar quando a congestão pélvica não tem outra explicação evidente. ## No homem: varicocele secundária e recidiva pós-cirúrgica No homem, o quadro mais característico é a varicocele à esquerda — muitas vezes descoberta quando ela reaparece depois de uma varicocelectomia ou embolização bem-sucedidas. Não é sinal de falha da técnica: é sinal de que a causa nunca foi só a veia espermática. Tratamos a embolização de varicocele e essa investigação de causa secundária em detalhe no [guia sobre embolização de varicocele](https://endovascularsp.com.br/embolizacao-de-varicocele). ## Nem toda compressão é síndrome Um estudo que avaliou 1.000 tomografias de abdome encontrou o achado anatômico da compressão da veia renal esquerda em 4,1% dos exames — mas, entre esses, apenas 8,8% tinham sangue na urina ou proteína na urina, e 5,5% tinham sinais de varicocele ou congestão pélvica (de Macedo et al., 2018, citando Poyraz et al.). Ou seja: a compressão anatômica é mais comum do que os sintomas — a maioria dos casos é um achado incidental, sem repercussão clínica, e não precisa de tratamento. ## Como é feito o diagnóstico O primeiro exame é o **Doppler renal**, que avalia o fluxo na veia renal esquerda no ponto de compressão. Os critérios usados incluem um aumento de até 5 vezes na velocidade do fluxo no ponto comprimido em relação ao fluxo antes dele — critério com sensibilidade de 80% e especificidade próxima de 95% — e um gradiente de pressão entre a veia renal e a veia cava inferior igual ou maior que 3 mmHg (de Macedo et al., 2018). A confirmação e o planejamento do tratamento usam **angiotomografia ou angiorressonância**, que medem o ângulo entre a artéria mesentérica e a aorta — um ângulo menor que 45° é compatível com a compressão — e mapeiam vias de circulação colateral que o corpo desenvolveu para compensar. ## Tratamento: da conduta conservadora ao stent venoso Casos leves, especialmente em pacientes jovens com hematúria isolada, costumam ser acompanhados de forma conservadora — uma revisão da literatura descreve resolução completa do sintoma em cerca de 75% desses pacientes ao longo de 24 meses de observação (de Macedo et al., 2018). Quando o tratamento é indicado, por sintoma persistente ou relevante, a primeira opção costuma ser o **stent venoso**, que alivia a compressão por dentro da veia, por punção — uma série com 61 pacientes e seguimento médio de 5,5 anos registrou melhora boa ou excelente em 59 deles, com uma taxa de migração do stent de 7,3% (de Macedo et al., 2018, citando Chen et al.). Casos que não respondem ao stent têm opções cirúrgicas, como a **transposição da veia renal**, reservadas para quando o tratamento endovascular não é suficiente. ## Tratamento da síndrome de Nutcracker em São Paulo A Clínica Endovascular São Paulo realiza o diagnóstico por imagem — incluindo Doppler dirigido, angiotomografia e angiorressonância — e o tratamento por stent venoso da síndrome de Nutcracker, com equipe de cirurgiões vasculares titulados. Veja também o panorama completo das [síndromes venosas abdominais](https://endovascularsp.com.br/sindromes-venosas) que tratamos. O procedimento diagnóstico é realizado na estrutura própria da clínica. O tratamento — minimamente invasivo ou cirúrgico — é feito em centro de hemodinâmica, nos principais hospitais de São Paulo. ## Perguntas frequentes **Nutcracker pode causar varicocele?** Sim. A compressão da veia renal esquerda pode represar sangue que acaba drenando pela veia espermática esquerda, dilatando-a e formando uma varicocele secundária. É uma das causas de varicocele que costuma passar despercebida na avaliação inicial, principalmente quando a varicocele reaparece depois de uma cirurgia tecnicamente correta. **Nutcracker pode causar dor pélvica na mulher?** Sim. Na mulher, o mesmo represamento de sangue pode drenar pela veia gonadal esquerda, alimentando varizes pélvicas e causando o quadro de congestão pélvica — dor pélvica crônica, sensação de peso e varizes atípicas. É o mesmo mecanismo do homem, só que a via de drenagem afetada é outra. **Como diferenciar Nutcracker de varicocele comum?** A varicocele comum tem origem na própria veia espermática, sem causa associada. A varicocele por Nutcracker tem uma causa por trás: a compressão da veia renal esquerda. Dois sinais de alerta pedem investigação da compressão renal: varicocele que reaparece depois de uma cirurgia bem feita, e varicocele associada a sangue na urina (hematúria) ou dor lombar do lado esquerdo. **Sangue na urina sem dor pode ser Nutcracker?** Pode. A hematúria (microscópica ou visível) é um dos sinais clássicos da síndrome de Nutcracker, causada pelo aumento de pressão nas pequenas veias que drenam para o sistema coletor renal. Em uma revisão da literatura, cerca de 75% dos pacientes jovens com hematúria por Nutcracker tiveram resolução completa do sintoma com conduta conservadora ao longo de 24 meses (de Macedo et al., 2018). **Toda compressão da veia renal esquerda precisa de tratamento?** Não. Um estudo com 1.000 tomografias de abdome encontrou o achado anatômico da compressão em 4,1% dos exames — a grande maioria sem repercussão clínica (de Macedo et al., 2018, citando Poyraz et al.). O tratamento é considerado quando há sintoma relevante (dor, hematúria persistente, varicocele ou congestão pélvica sintomáticas), não pelo achado de imagem isolado. **Como é feito o tratamento da síndrome de Nutcracker?** Casos leves são acompanhados de forma conservadora, com boa taxa de resolução da hematúria em jovens. Quando o tratamento é indicado, a primeira opção costuma ser o stent venoso, que alivia a compressão por dentro da veia — uma série com 61 pacientes e seguimento médio de 5,5 anos registrou melhora boa ou excelente em 59 deles (de Macedo et al., 2018, citando Chen et al.). Casos que não respondem ao stent têm opções cirúrgicas, como a transposição da veia renal. **Varicocele recidivante depois da cirurgia pode ser Nutcracker?** É uma das causas que deve entrar na investigação. Se a varicocelectomia foi tecnicamente bem feita e a varicocele voltou mesmo assim, vale mapear a veia renal esquerda por imagem — a compressão pode continuar alimentando a dilatação por uma via diferente da que foi tratada na cirurgia. Referências 1. [de Macedo GL, dos Santos MA, Sarris AB, Gomes RZ. Diagnosis and treatment of the Nutcracker syndrome: a review of the last 10 years. J Vasc Bras. 2018;17(3):220-228.](https://doi.org/10.1590/1677-5449.012417) # Oxigenoterapia hiperbárica para feridas e doenças vasculares URL: https://endovascularsp.com.br/oxigenoterapia-hiperbarica A oxigenoterapia hiperbárica é um tratamento em que o paciente respira oxigênio puro dentro de uma câmara pressurizada, o que aumenta muito a quantidade de oxigênio dissolvida no sangue e disponível para os tecidos. Na medicina vascular, ela é um tratamento complementar: ajuda a cicatrizar feridas complexas, pé diabético e lesões pós-operatórias em casos selecionados. Não substitui a correção da circulação — quando há obstrução arterial ou refluxo venoso, é isso que precisa ser tratado primeiro. ## Como funciona a oxigenoterapia hiperbárica? Em condições normais, o oxigênio é transportado quase todo pela hemoglobina das hemácias. Dentro da câmara hiperbárica, o paciente respira oxigênio puro sob pressão maior que a atmosférica — e isso faz uma quantidade muito maior de oxigênio se dissolver diretamente no plasma, chegando a tecidos que a circulação normal alcança com dificuldade. Em uma ferida que não cicatriza, essa oferta extra de oxigênio favorece processos que dependem dele: a formação de colágeno, o crescimento de novos vasos e a ação das células de defesa contra infecção. ## Quando ela é indicada em pacientes vasculares? - **Feridas crônicas que não cicatrizam** apesar do tratamento adequado da causa - **Pé diabético** com lesão de difícil cicatrização, dentro de um plano que inclui controle glicêmico e avaliação da circulação - **Retalhos e enxertos em risco**, ou áreas operadas com cicatrização comprometida - **Lesões por radioterapia** em tecidos previamente irradiados - **Infecções graves de partes moles**, como terapia adjuvante ao tratamento cirúrgico e antibiótico. ## Por que fazer com uma equipe vascular por trás? A maior parte das feridas que chegam à câmara hiperbárica tem causa circulatória. Quando a indicação vem de uma equipe que investigou a circulação com ultrassom Doppler e, se necessário, tratou a obstrução arterial ou o refluxo venoso antes, o tratamento entra no momento certo — e não como tentativa isolada. É o que acontece no nosso caso: a avaliação e a indicação são feitas pela equipe da [Clínica Endovascular São Paulo](https://endovascularsp.com.br/), e as sessões acontecem na Oxy Prime, no mesmo endereço — Av. República do Líbano, 577. O paciente não precisa se deslocar entre serviços, e a equipe que trata a circulação acompanha a evolução da cicatrização. ## Como começa o tratamento? - Avaliação vascular com exame clínico e ultrassom Doppler quando indicado, para entender a causa da ferida - Tratamento da causa circulatória, se houver obstrução ou refluxo - Indicação da hiperbárica com protocolo definido para o seu caso, e relatório para o convênio - Sessões na Oxy Prime, com reavaliação periódica da ferida pela equipe vascular. Veja também nossa página sobre [úlceras e feridas vasculares](https://endovascularsp.com.br/ulceras) e sobre doença arterial periférica. ## Perguntas frequentes **A câmara hiperbárica cura feridas sozinha?** Não. Ela é um tratamento complementar. Se a ferida não cicatriza porque falta sangue chegando à perna (obstrução arterial) ou porque o sangue não retorna (refluxo venoso), é essa causa que precisa ser corrigida — com angioplastia, cirurgia ou tratamento venoso. A hiperbárica potencializa a cicatrização depois que a circulação está adequada, ou em situações específicas definidas pela avaliação. **Quantas sessões são necessárias?** Varia conforme a indicação e a resposta de cada paciente. Protocolos para feridas complexas costumam envolver sessões diárias por várias semanas. O número exato é definido na avaliação e reavaliado ao longo do tratamento — desconfie de quem promete um número fixo antes de examinar. **Como é a sessão? É desconfortável?** O paciente fica deitado ou sentado dentro da câmara, respirando normalmente, por cerca de 90 a 120 minutos. A sensação mais comum é a pressão nos ouvidos durante a compressão e a descompressão, semelhante à de um avião — a equipe orienta manobras simples para equalizar. É possível conversar com a equipe durante toda a sessão. **Quem não pode fazer oxigenoterapia hiperbárica?** Existem contraindicações que precisam ser avaliadas antes, como pneumotórax não tratado, algumas doenças pulmonares, certos medicamentos e situações otológicas. Por isso o tratamento exige avaliação médica prévia e não é indicado por conta própria. **O convênio cobre?** A oxigenoterapia hiperbárica tem indicações reconhecidas e a cobertura depende do plano e do diagnóstico documentado. Nossa equipe avalia o caso, emite o relatório com a indicação e orienta o processo de autorização. **Onde o tratamento é realizado?** Na Oxy Prime, no mesmo endereço da Clínica Endovascular São Paulo — Av. República do Líbano, 577. A indicação e o acompanhamento clínico são feitos pela nossa equipe vascular, em conjunto com a equipe da medicina hiperbárica. --- # Aneurisma de aorta abdominal: por que é silencioso e quem deve fazer o ultrassom URL: https://endovascularsp.com.br/blog/aneurisma-de-aorta-abdominal-quem-deve-fazer-ultrassom Na maior parte dos casos o aneurisma de aorta abdominal não dá sintoma nenhum até atingir um tamanho grande — e é por isso que ele é perigoso: quando aparece o primeiro sinal, muitas vezes já é a ruptura. O exame que muda esse cenário é simples: um ultrassom de abdome, sem radiação, sem contraste e em poucos minutos. As diretrizes recomendam pelo menos um rastreamento em homens a partir dos 65 anos, especialmente quem fuma ou já fumou. Quem tem hipertensão, colesterol alto, doença cardiovascular ou parente de primeiro grau com aneurisma também deve conversar sobre o exame — inclusive mulheres. Autoria de Dra. Andrea Klepacz — Cirurgiã Vascular | CRM 128.575 | RQE 51.419 · Revisão de Prof. Dr. Igor Rafael Sincos — Médico | CRM-SP 117.876 | Cirurgia Vascular RQE 52745 | Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular RQE 527451 · Publicado em 29 de agosto de 2026. ## O que é, exatamente, um aneurisma de aorta abdominal A aorta é a maior artéria do corpo: sai do coração e desce pelo tórax e pelo abdome, distribuindo sangue para todos os órgãos. No abdome, ela tem em média cerca de 2 cm de diâmetro em um adulto. Aneurisma é uma dilatação localizada dessa parede. Por convenção, fala-se em aneurisma de aorta abdominal quando o diâmetro chega a 3 cm ou mais. A parede dilatada não é apenas mais larga: ela é mais fina e mais frágil, e tende a continuar cedendo ao longo dos anos. O problema não é a dilatação em si — é o que ela pode virar. Uma aorta muito dilatada pode romper, e a ruptura provoca uma hemorragia interna maciça. É por isso que a condição é frequentemente descrita como silenciosa: ela não avisa antes. ## Por que ele não dá sintoma A aorta abdominal fica no fundo do abdome, atrás dos órgãos e à frente da coluna. Ela cresce devagar, ao longo de anos, sem comprimir nada e sem inflamar nada. Não há dor, não há mudança no intestino, não há alteração na urina. O corpo simplesmente não tem como sinalizar. Quando algum sintoma aparece, costuma ser inespecífico: uma dor lombar ou abdominal que vai e vem, uma sensação de pulsação no abdome — algo que a pessoa percebe deitada, sobretudo quem é magro. Nada disso é característico o bastante para levar alguém ao pronto-socorro, e nada disso aparece na maioria dos casos. O resultado é que boa parte dos diagnósticos é incidental: o aneurisma aparece num ultrassom pedido para investigar a vesícula, numa tomografia feita por outro motivo, num exame de rotina. É um achado de sorte — e a proposta do rastreamento é justamente tirar a sorte da equação. ## Os sinais que exigem pronto-socorro imediato Se o aneurisma rompe, o quadro é súbito e inconfundível. Procure atendimento de emergência — não é caso de esperar ou de marcar consulta: - Dor abdominal ou lombar intensa, de início súbito, muitas vezes descrita como uma dor que "rasga" e que irradia para as costas ou para a virilha. - Queda de pressão, palidez, suor frio, desmaio ou sensação de que vai desmaiar. - Massa pulsátil dolorosa no abdome, especialmente associada aos sinais acima. ## Quem tem mais risco O aneurisma de aorta abdominal é mais comum em homens acima de 65 anos, sobretudo entre quem tem histórico de tabagismo. O cigarro é o fator de risco mais forte e o mais modificável: ele agride diretamente a parede arterial e acelera a dilatação. Os demais fatores que aumentam a chance de ter um aneurisma: - Tabagismo atual ou passado — o fator isolado mais relevante. - Idade acima de 65 anos. - Sexo masculino: o aneurisma é várias vezes mais frequente em homens. - História familiar: ter pai, mãe ou irmão com aneurisma de aorta aumenta o risco de forma independente. - Hipertensão arterial e colesterol elevado. - Doença aterosclerótica já conhecida — coronária, carotídea ou das artérias das pernas. ## E as mulheres? O aneurisma é bem menos frequente em mulheres, e por isso elas não entram nos programas de rastreamento populacional. Mas menos frequente não é o mesmo que irrelevante: quando a mulher tem aneurisma, a aorta dela é naturalmente mais fina, a dilatação se torna proporcionalmente mais avançada com um diâmetro menor, e o risco de ruptura para um mesmo tamanho é maior. Na prática, isso significa que uma mulher com tabagismo, hipertensão ou história familiar de aneurisma merece a mesma conversa sobre o exame — só que a indicação passa a ser individual, discutida com o médico, e não uma regra automática por idade. ## O exame que resolve: ultrassom de abdome O rastreamento do aneurisma de aorta abdominal é feito com ultrassonografia abdominal. É um exame de poucos minutos, sem radiação, sem contraste, sem preparo complexo e amplamente disponível — inclusive na rede pública. Para essa finalidade específica, ele mede o diâmetro da aorta com precisão suficiente para decidir o que fazer em seguida. As recomendações internacionais convergem em um ponto: homens a partir dos 65 anos que fumam ou já fumaram devem fazer pelo menos um ultrassom de rastreamento. A força-tarefa americana de prevenção (USPSTF) e as diretrizes europeias da ESVS trabalham com essa faixa; a diretriz brasileira da SBACV segue a mesma direção. Vale sublinhar o "pelo menos um": um único exame normal aos 65 anos já reduz de forma importante a chance de morrer de ruptura de aneurisma ao longo da vida, porque um aneurisma que ainda não existe nessa idade dificilmente vai crescer o suficiente para romper depois. É um exame barato resolvendo um problema caro. ## Achou um aneurisma. E agora? Encontrar um aneurisma não significa cirurgia. Significa que agora existe um número para acompanhar — e o acompanhamento é definido pelo tamanho. Aneurismas pequenos entram em vigilância ativa: ultrassons periódicos, em geral a cada 6 a 12 meses conforme o diâmetro, para medir a velocidade de crescimento. Em paralelo, entram as medidas que efetivamente retardam a evolução: parar de fumar — a intervenção que mais muda o ritmo de crescimento —, controlar a pressão arterial e tratar o colesterol. Muitos pacientes atravessam anos de acompanhamento sem nunca precisar de tratamento. Outros chegam ao limiar de indicação e são operados de forma programada, com o caso estudado, a anatomia mapeada e a equipe preparada — cenário completamente diferente de uma cirurgia de emergência por ruptura. ## Quando o tratamento entra em cena O momento de tratar é definido principalmente pelo diâmetro — em linhas gerais, 5,5 cm em homens e cerca de 5,0 cm em mulheres —, além do crescimento rápido e do surgimento de sintomas. Os critérios completos, incluindo o que muda quando o aneurisma cresce rápido, estão detalhados em outro artigo deste blog: “Qual o tamanho de aneurisma que precisa operar?”. Há duas vias de tratamento. O reparo endovascular (EVAR) é feito por punção nas artérias da virilha, sem abrir o abdome, com a colocação de uma endoprótese que reveste o trecho doente por dentro; depende de a anatomia do aneurisma permitir. A cirurgia aberta substitui o segmento dilatado por um enxerto. Nenhuma das duas é superior em todos os cenários: a escolha depende da anatomia, da idade e das condições clínicas de cada paciente. ## O ponto central O aneurisma de aorta abdominal é um bom exemplo de doença em que o desfecho depende menos do tratamento e mais do momento do diagnóstico. Roto, é uma emergência de altíssima gravidade. Detectado antes, vira um número em acompanhamento — e, quando chega a hora, um procedimento planejado. Se você é homem, tem 65 anos ou mais e fumou em algum momento da vida, o ultrassom de abdome é uma conversa que vale ter na próxima consulta. Se tem história familiar de aneurisma, também — independentemente do sexo. ## Perguntas frequentes **Aneurisma de aorta abdominal dói?** Na maioria das vezes, não. A dilatação cresce lentamente e sem comprimir estruturas, por isso não gera dor. Quando há dor abdominal ou lombar súbita e intensa, o cenário a descartar com urgência é a ruptura. **Quem deve fazer o ultrassom de rastreamento?** As diretrizes recomendam pelo menos um ultrassom de abdome em homens a partir dos 65 anos, especialmente quem fuma ou já fumou. Pessoas com parente de primeiro grau com aneurisma de aorta devem discutir o exame com o médico, independentemente do sexo. **O ultrassom detecta aneurisma com precisão?** Para a aorta abdominal, sim: a ultrassonografia mede o diâmetro com precisão adequada para rastreamento e acompanhamento. A angiotomografia costuma entrar depois, quando o aneurisma se aproxima do tamanho de tratamento e é preciso planejar o procedimento. **Existe remédio que faça o aneurisma diminuir?** Não. Nenhum medicamento reverte a dilatação. O que os remédios e a interrupção do tabagismo fazem é retardar o crescimento e reduzir o risco cardiovascular global — o que é relevante, mas não substitui o acompanhamento por imagem. **Aneurisma de aorta abdominal é hereditário?** Há um componente familiar bem estabelecido. Ter pai, mãe ou irmão com aneurisma de aorta aumenta o risco de forma independente dos demais fatores, e é motivo suficiente para investigar mesmo abaixo dos 65 anos. ## Fontes 1. [Dra. Andrea Klepacz na Veja Saúde: "Aneurisma de aorta abdominal: a bomba-relógio silenciosa que pode ser detectada a tempo"](https://saude.abril.com.br/medicina/aneurisma-de-aorta-abdominal-a-bomba-relogio-silenciosa-que-pode-ser-detectada-a-tempo/) 2. [USPSTF. Screening for Abdominal Aortic Aneurysm: Recommendation Statement. 2019.](https://www.uspreventiveservicestaskforce.org/uspstf/recommendation/abdominal-aortic-aneurysm-screening) 3. [Wanhainen A, et al. ESVS 2024 Clinical Practice Guidelines on the Management of Abdominal Aorto-Iliac Artery Aneurysms.](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38307694/) 4. [Diretrizes da SBACV — Aneurisma da aorta abdominal. J Vasc Bras. 2023.](https://doi.org/10.1590/1677-5449.202300402) --- # Mulheres com desejo gestacional podem fazer a embolização de artéria uterina? URL: https://endovascularsp.com.br/blog/desejo-gestacional-embolizacao-arteria-uterina Sim. A embolização das artérias uterinas preserva o útero e há gestações e nascimentos documentados em séries grandes. Numa coorte portuguesa com 359 mulheres que não conseguiam engravidar, 149 engravidaram e 131 tiveram filhos após o procedimento, com probabilidade de gravidez espontânea de 40,1% em dois anos. A miomectomia continua sendo excelente opção em cenários específicos — mas a embolização deixou de ser um caminho fechado para quem deseja gestação. Autoria de Prof. Dr. Igor Rafael Sincos — Médico | CRM-SP 117.876 | Cirurgia Vascular RQE 52745 | Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular RQE 527451 · Publicado em 29 de agosto de 2026. ## Por que essa pergunta gerou tanta confusão Durante muito tempo, a resposta padrão foi um "não" categórico. As primeiras recomendações internacionais, do início dos anos 2000, listavam o desejo de engravidar como contraindicação relativa à embolização — não porque houvesse evidência de dano, mas porque ainda não havia evidência suficiente de segurança. Ausência de dados foi lida como dado negativo. Duas décadas depois, o cenário mudou. Existem hoje coortes grandes, com seguimento longo, e revisões sistemáticas que reuniram dezenas de estudos. A pergunta continua legítima, mas a resposta ficou mais precisa — e bem mais favorável do que a de vinte anos atrás. ## Nem todo mioma atrapalha a fertilidade Antes de falar de tratamento, vale separar o que realmente interfere. Os miomas submucosos, que se projetam para dentro da cavidade uterina, são os que têm mais probabilidade de reduzir as chances de gravidez e aumentam o risco de perda gestacional. Os subserosos, que crescem para fora do útero, em geral não interferem. Os intramurais ficam num meio-termo, e o impacto depende de quanto deformam a cavidade. Ou seja: a primeira pergunta não é "qual tratamento", e sim "esse mioma está mesmo atrapalhando?". Tratar um mioma que não interfere na fertilidade não aumenta a chance de engravidar — só expõe a paciente aos riscos de um procedimento. ## O que mostra a coorte portuguesa O maior conjunto de dados sobre gestação após embolização vem de Lisboa. Uma coorte do Hospital de São Luís com a Universidade Nova de Lisboa acompanhou 359 mulheres com miomas que não conseguiam engravidar, por uma mediana de quase seis anos, e publicou os resultados na revista Radiology em 2017. Depois da embolização, 149 dessas mulheres engravidaram e 131 tiveram filhos — 150 bebês ao todo. Para 85,5% delas, era a primeira gestação da vida. A probabilidade de gravidez espontânea foi de 29,5% em um ano e 40,1% em dois anos; a de gravidez com nascimento vivo, 24,4% e 36,7% respectivamente. É importante entender o desenho do estudo para dimensionar o achado: não se trata de mulheres com fertilidade normal que fizeram o procedimento. São mulheres que já não conseguiam engravidar antes dele. ## Dois achados que contrariam o senso comum O primeiro diz respeito justamente ao tipo de mioma mais temido nesse contexto: ter um mioma submucoso dominante associou-se a maior chance de gravidez espontânea após a embolização — o oposto do receio habitual. A leitura provável é que, nesses casos, o mioma era de fato a causa da dificuldade, e tratá-lo removeu o obstáculo. O segundo é técnico. Em 160 das pacientes foi realizada a chamada embolização parcial, em que apenas os pequenos vasos que alimentam o mioma são ocluídos, preservando os vasos maiores, com o objetivo explícito de proteger a fertilidade. Nesse grupo, as complicações foram menores que na embolização convencional: 14,6% contra 23,1%. ## E fora de Portugal? Os resultados não são um caso isolado de um único serviço. Uma revisão sistemática com metanálise publicada na Cardiovascular and Interventional Radiology em 2020 reuniu 24 estudos e encontrou gestação em 40,5% das mulheres que desejavam engravidar após a embolização. As taxas de perda gestacional e de complicações obstétricas descritas nessas séries ficaram próximas às da população geral de mesma faixa etária — um ponto relevante, porque a preocupação não era apenas engravidar, mas levar a gestação adiante com segurança. ## Então a embolização é sempre a melhor escolha? Não. E é importante dizer isso com a mesma clareza. A miomectomia — a retirada cirúrgica do mioma com preservação do útero — continua sendo uma excelente opção, especialmente diante de poucos miomas bem delimitados que deformam a cavidade uterina. Parte das diretrizes ainda a coloca como preferência nesse cenário específico, e há literatura comparativa favorável a ela em desfechos reprodutivos. O que a evidência atual sustenta é mais modesto e mais útil: a embolização deixou de ser um caminho fechado. Ela preserva o útero, tem gestações e nascimentos documentados em série grande, e pode ser a melhor alternativa quando os miomas são múltiplos, quando a miomectomia seria uma cirurgia extensa, ou quando já houve cirurgia uterina prévia — situação em que operar de novo traz riscos adicionais. ## Como decidir no seu caso A decisão precisa envolver o ginecologista que acompanha você e considerar um conjunto de fatores, não apenas o mioma isolado: idade, reserva ovariana, há quanto tempo você tenta engravidar, número e posição exata dos miomas, e cirurgias uterinas anteriores. O exame que melhor orienta essa conversa é a ressonância magnética, que mapeia com precisão quantos miomas existem, onde estão e como são irrigados. Chegar à consulta com esse mapa em mãos encurta muito o caminho até uma decisão bem fundamentada. ## Perguntas frequentes **A embolização de mioma causa menopausa precoce?** É uma preocupação legítima, e o risco existe mas é baixo, concentrado em mulheres acima dos 45 anos. Nas séries com mulheres mais jovens em idade reprodutiva, os marcadores de reserva ovariana se mantiveram estáveis após o procedimento. Esse ponto deve ser discutido individualmente, considerando sua idade. **Quanto tempo esperar para tentar engravidar depois da embolização?** Não há um prazo único estabelecido. Na prática, costuma-se aguardar alguns meses até que a redução dos miomas se estabilize e a menstruação normalize, com o momento definido em conjunto com o ginecologista. Na coorte portuguesa, a maior parte das gestações ocorreu nos dois primeiros anos. **O parto precisa ser cesárea depois da embolização?** Não necessariamente. Diferentemente da miomectomia, que pode deixar uma cicatriz na parede do útero e indicar cesárea em gestações futuras, a embolização não abre o útero. A via de parto é decidida pelo obstetra conforme a evolução da gestação. **Qual a diferença entre embolização convencional e parcial?** Na convencional, os ramos das artérias uterinas que alimentam os miomas são ocluídos de forma ampla. Na parcial, apenas os pequenos vasos do mioma são bloqueados, preservando os vasos maiores, com o objetivo de proteger a irrigação do útero e a fertilidade. Na coorte portuguesa, a técnica parcial teve menos complicações. ## Fontes 1. [Pisco JM, et al. Spontaneous Pregnancy with a Live Birth after Conventional and Partial Uterine Fibroid Embolization. Radiology, 2017.](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28608747/) 2. [Ghanaati H, et al. Pregnancy and its Outcomes in Patients After Uterine Fibroid Embolization: A Systematic Review and Meta-Analysis. Cardiovasc Intervent Radiol, 2020.](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32458009/) 3. [Manyonda I, et al. Uterine-Artery Embolization or Myomectomy for Uterine Fibroids (FEMME trial). N Engl J Med, 2020.](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32726530/) 4. [Guia completo: tratamento de mioma uterino — Endovascular São Paulo](https://endovascularsp.com.br/tratamento-de-mioma) --- # Qual o tamanho de aneurisma que precisa operar? URL: https://endovascularsp.com.br/blog/qual-tamanho-aneurisma-precisa-operar Em linhas gerais, o aneurisma da aorta abdominal tem indicação de tratamento quando atinge 5,5 cm de diâmetro em homens e cerca de 5,0 cm em mulheres. Também há indicação quando o aneurisma cresce rapidamente (mais de 0,5 a 1,0 cm por ano) ou passa a causar sintomas, independentemente do tamanho. Esses são os critérios gerais das diretrizes internacionais — mas a decisão final é sempre individualizada, considerando a localização do aneurisma, a anatomia e as condições clínicas de cada paciente. Autoria de Prof. Dr. Igor Rafael Sincos — Médico | CRM-SP 117.876 | Cirurgia Vascular RQE 52745 | Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular RQE 527451 · Publicado em 13 de julho de 2026. ## Por que existe um "tamanho de corte" para operar? Toda decisão em medicina compara riscos. No aneurisma, a pergunta é: o risco de ruptura já supera o risco do procedimento? Estudos de longo prazo mostraram que aneurismas abdominais menores que 5,5 cm têm risco anual de ruptura baixo — menor que o risco de uma cirurgia desnecessária. A partir desse diâmetro, a curva se inverte: o risco de ruptura cresce de forma acelerada a cada centímetro. É por isso que as diretrizes da European Society for Vascular Surgery (ESVS) e das principais sociedades da especialidade, incluindo a SBACV no Brasil, convergem nesse limiar. Em mulheres, a aorta é naturalmente mais fina — por isso um aneurisma de 5,0 cm em uma mulher representa, proporcionalmente, uma dilatação mais avançada do que em um homem, e o limiar de indicação tende a ser menor. ## O tamanho não é o único critério Três outras situações indicam tratamento mesmo abaixo do tamanho de corte: - Crescimento rápido: um aneurisma que aumenta mais de 0,5 a 1,0 cm em um ano demonstra que a parede arterial está cedendo rapidamente — comportamento mais importante que o número absoluto. - Sintomas: dor abdominal ou lombar atribuível ao aneurisma é sinal de alerta e transforma um caso "de acompanhamento" em caso de tratamento com prioridade. - Localização e morfologia: aneurismas torácicos, ilíacos, esplênicos e renais têm limiares próprios. Aneurismas saculares podem ter indicação mais precoce que os fusiformes. Na artéria esplênica, mulheres em idade fértil e gestantes merecem consideração especial pelo maior risco de ruptura nesse grupo. ## Meu aneurisma é menor que isso. E agora? Aneurisma pequeno não é sinônimo de "nada a fazer" — é indicação de vigilância ativa: exames de imagem periódicos (em geral ultrassonografia a cada 6–12 meses, conforme o tamanho) para medir a velocidade de crescimento; parar de fumar, que é o fator que mais acelera o crescimento do aneurisma; e controlar pressão arterial e colesterol. Muitos pacientes passam anos em acompanhamento seguro sem nunca precisar de cirurgia. Outros chegam ao limiar de indicação e são tratados de forma programada — cenário muito mais seguro do que uma cirurgia de emergência por ruptura. ## Chegou no tamanho de operar: quais são as opções? As duas vias de tratamento são o reparo endovascular (EVAR/TEVAR, por punção na virilha, sem necessidade de abrir o abdome ou o tórax, quando a anatomia permite) e a cirurgia aberta (substituição do trecho doente por um enxerto). Nenhuma é superior em todos os casos: a escolha depende da anatomia do aneurisma, da idade e do perfil clínico de cada paciente. ## Perguntas frequentes **Aneurisma de 3 cm ou 4 cm precisa operar?** Em geral, não. Aneurismas abdominais entre 3,0 e 5,4 cm costumam ser acompanhados com exames periódicos, desde que estáveis e assintomáticos. O intervalo dos exames é definido pelo tamanho. **Aneurisma de 5,5 cm pode esperar?** A partir desse diâmetro, o risco de ruptura passa a superar o risco do tratamento na maioria dos pacientes. A avaliação deve ser feita sem demora — o planejamento programado é sempre mais seguro que a emergência. **O tamanho do aneurisma diminui com remédio?** Não existe medicamento que reduza o aneurisma. Os remédios (e principalmente parar de fumar) atuam para retardar o crescimento e proteger as artérias, mas não revertem a dilatação. --- # Dor na perna ao caminhar: o que pode ser (e por que não é só cansaço) URL: https://endovascularsp.com.br/blog/dor-na-perna-ao-caminhar-o-que-pode-ser Existe um padrão específico de dor na perna que merece atenção: uma dor ou cãibra que aparece sempre depois de caminhar uma certa distância, obriga a pessoa a parar, passa em poucos minutos de repouso e volta quando a caminhada é retomada — sempre na mesma distância aproximada. Esse padrão chama-se claudicação intermitente, e é o sintoma mais característico da doença arterial obstrutiva periférica (DAOP): o estreitamento das artérias das pernas por acúmulo de placas de gordura. Ele importa além da perna porque é sinal de que esse mesmo processo pode estar afetando as artérias do coração e do cérebro. Autoria de Dra. Andrea Klepacz — Cirurgiã Vascular | CRM 128.575 | RQE 51.419 · Revisão de Prof. Dr. Igor Rafael Sincos — Médico | CRM-SP 117.876 | Cirurgia Vascular RQE 52745 | Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular RQE 527451 · Publicado em 25 de agosto de 2026. ## O padrão de dor que diferencia isso de uma dor muscular comum Cansaço na panturrilha depois de uma caminhada longa é normal. O que chama atenção é um padrão bem mais específico: a dor aparece de forma previsível, sempre mais ou menos na mesma distância — pode ser depois de 200 metros, pode ser depois de dois quarteirões — e obriga a pessoa a parar de andar. Alguns minutos parado, e a dor passa completamente. Ao retomar a caminhada, ela volta a aparecer na mesma distância de antes. Esse comportamento reprodutível é a marca registrada da claudicação intermitente. A explicação é simples: os músculos da perna precisam de mais sangue durante o esforço do que em repouso. Quando uma artéria está estreitada por placas de aterosclerose, ela até consegue suprir a perna parada, mas não dá conta da demanda extra do exercício — daí a dor surgir só com o movimento e sumir com a parada. A localização mais comum é a panturrilha, mas dependendo de qual artéria está afetada, a dor também pode aparecer na coxa ou no glúteo. ## Por que isso é mais do que um problema de perna A aterosclerose — o acúmulo de placas de gordura na parede das artérias — não escolhe um único lugar do corpo. Quem tem esse processo instalado nas artérias das pernas, com frequência tem o mesmo processo em andamento nas artérias do coração e do cérebro, ainda que sem sintomas ali. Por isso, o diagnóstico de doença arterial periférica funciona como um alerta que vai além da perna: estudos populacionais mostram que quem tem DAOP tem risco significativamente maior de infarto e de AVC nos anos seguintes, mesmo controlando outros fatores de risco. Tratar a perna é importante para a qualidade de vida e para evitar complicações locais — mas investigar e tratar o risco cardiovascular do paciente como um todo é, muitas vezes, a parte mais importante do plano. ## Como se confirma o diagnóstico O exame de primeira linha é simples, indolor e de baixo custo: o índice tornozelo-braquial (ITB). Ele compara a pressão arterial medida no tornozelo com a pressão medida no braço, usando um aparelho de pressão comum e um Doppler portátil. Quando a pressão no tornozelo é proporcionalmente mais baixa que no braço, isso indica que existe alguma obstrução entre o coração e o pé. É um exame rápido de consultório, que na maioria das vezes já é suficiente para confirmar o diagnóstico e estimar a gravidade. Exames de imagem mais detalhados — como o eco-Doppler arterial ou a angiotomografia — entram depois, principalmente quando se considera algum tipo de procedimento. ## O tratamento nem sempre é cirúrgico Boa parte dos pacientes com claudicação intermitente melhora de forma expressiva sem passar por procedimento nenhum. As medidas com maior peso de evidência são: - Parar de fumar — isoladamente, é a intervenção que mais impacta a evolução da doença arterial periférica. Fumar mantém o processo de obstrução ativo e acelera seu avanço. - Exercício supervisionado — caminhar até o limite da dor, parar, e retomar, de forma estruturada e repetida, tem eficácia comprovada em aumentar a distância que a pessoa consegue caminhar sem dor. Parece contraintuitivo, mas é uma das terapias com mais respaldo em estudos clínicos. - Controle de colesterol, pressão arterial e diabetes, com medicação quando indicado — trata tanto a perna quanto o risco cardiovascular geral. - Antiagregantes plaquetários (como o AAS), quando prescritos pelo médico, para reduzir o risco de eventos cardiovasculares. ## Quando um procedimento entra em cena Angioplastia (com ou sem stent) ou cirurgia de revascularização são considerados quando os sintomas continuam limitando significativamente a vida do paciente mesmo após um período adequado de tratamento clínico e exercício supervisionado, ou quando a obstrução já é grave o suficiente para colocar o membro em risco. A decisão é sempre individualizada, considerando onde está a obstrução, a extensão do comprometimento arterial e as condições clínicas gerais do paciente. ## Sinais de que não dá para esperar Diferente da claudicação, que costuma evoluir aos poucos, alguns sinais indicam um estágio mais avançado da doença e pedem avaliação vascular sem demora: - Dor no pé mesmo em repouso, especialmente à noite, deitado - Ferida no pé ou no dedo que não cicatriza - Mudança de cor na perna ou no pé (muito pálido ou arroxeado) ou perna que fica fria de forma perceptível ## Perguntas frequentes **Toda dor na perna ao caminhar é doença arterial?** Não. Dor lombar que irradia para a perna (compressão de nervo, muito comum na coluna) e desconforto articular também podem surgir ao caminhar. A diferença costuma estar na velocidade do alívio: na claudicação por causa arterial, parar de andar já basta — a dor passa em poucos minutos, mesmo em pé. Nas causas de coluna, geralmente é preciso sentar ou se inclinar para frente para aliviar, e o alívio é mais lento. De qualquer forma, o diagnóstico diferencial é médico. **Fazer o índice tornozelo-braquial dói ou tem preparo especial?** Não. É um exame indolor, parecido com medir a pressão arterial normalmente, só que também no tornozelo. Não exige jejum nem preparo prévio. **Quem tem claudicação intermitente vai precisar de cirurgia?** Não necessariamente. Grande parte dos pacientes tem melhora relevante só com parar de fumar, exercício supervisionado e controle dos fatores de risco. Procedimento é considerado quando essas medidas não bastam ou quando a obstrução é mais grave. **Por que o médico investiga o coração se o problema é a perna?** Porque a aterosclerose costuma ser um processo sistêmico, não isolado numa única artéria. Encontrar obstrução na perna é motivo para avaliar o risco cardiovascular do paciente como um todo — é uma oportunidade de prevenção, não só um achado local. ## Fontes 1. [Dra. Andrea Klepacz na Jovem Pan: "Dor na perna ao caminhar: quando é sinal de alerta"](https://jovempan.com.br/saude/dor-na-perna-ao-caminhar-quando-e-sinal-de-alerta/) --- # Inchaço na perna: quando é sinal de alerta (e quando é só cansaço) URL: https://endovascularsp.com.br/blog/inchaco-na-perna-quando-e-sinal-de-alerta Inchaço na perna no fim do dia, dos dois lados e que melhora ao elevar as pernas ou dormir costuma ser só retenção — calor, ficar muito tempo em pé ou sentado, sal em excesso. Já um inchaço que aparece de um lado só e de forma súbita, que não melhora com repouso, que fica duro ou que vem acompanhado de dor, vermelhidão ou calor local é sinal de alerta e pede avaliação vascular sem demora. Entre as causas persistentes mais comuns estão a insuficiência venosa (varizes), o linfedema e o lipedema — três condições diferentes, com tratamentos diferentes, que costumam ser confundidas entre si. Autoria de Dra. Andrea Klepacz — Cirurgiã Vascular | CRM 128.575 | RQE 51.419 · Revisão de Prof. Dr. Igor Rafael Sincos — Médico | CRM-SP 117.876 | Cirurgia Vascular RQE 52745 | Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular RQE 527451 · Publicado em 30 de agosto de 2026. ## O inchaço que é só cansaço do dia Ficar de pé ou sentado por muitas horas, calor, viagens longas, TPM, gravidez e excesso de sal na alimentação são causas comuns de um inchaço leve, dos dois lados, que piora ao longo do dia e melhora com uma noite de sono ou ao elevar as pernas no sofá. Esse padrão — bilateral, que "afunda" quando você aperta a pele com o dedo (o chamado edema depressível) e que some ou reduz bastante pela manhã — não costuma indicar doença vascular. É desconfortável, mas não é, por si só, motivo de preocupação. ## Varizes e insuficiência venosa crônica Quando as válvulas das veias das pernas param de funcionar direito, o sangue tem dificuldade de retornar ao coração e se acumula nas pernas ao longo do dia — é a insuficiência venosa crônica, a mesma condição por trás das varizes. O padrão típico é um inchaço que piora conforme o dia avança, mais nítido ao redor do tornozelo, muitas vezes acompanhado de peso, cansaço nas pernas e veias visíveis (varizes ou vasinhos). Em fases mais avançadas, a pele pode escurecer perto do tornozelo — sinal de que o problema já dura algum tempo e merece avaliação, não só por estética. ## Linfedema: o inchaço que não afunda O sistema linfático drena um líquido rico em proteínas que os vasos venosos não dão conta de recolher sozinhos. Quando essa drenagem falha — por malformação presente desde o nascimento, ou mais comumente após cirurgia com retirada de linfonodos, radioterapia ou infecções de repetição — esse líquido se acumula e o tecido incha de um jeito diferente do inchaço comum. A pista mais característica é a textura: o linfedema tende a ser mais firme, não afunda tanto quando se aperta a pele, e com o tempo pode engrossar a pele dos dedos do pé (um sinal que os médicos chamam de sinal de Stemmer). Costuma ser assimétrico — mais numa perna do que na outra — e piora lentamente, ao longo de meses. ## Lipedema: quando o inchaço é, na verdade, gordura O lipedema não é bem um inchaço — é um acúmulo simétrico de gordura nas pernas (e às vezes nos braços) que poupa os pés, criando um contraste visual característico entre a perna volumosa e o pé fino. É quase exclusivo de mulheres e costuma começar ou piorar em momentos de mudança hormonal, como puberdade, gestação ou menopausa. Duas pistas ajudam a diferenciar do inchaço comum: a região costuma doer ao toque ou formar hematomas com facilidade, e o quadro não responde bem só a dieta e exercício — porque a causa não é simplesmente excesso de peso. É uma condição frequentemente confundida com obesidade ou linfedema, o que atrasa o diagnóstico correto por anos. ## Como se confirma a causa O primeiro passo é sempre o exame físico: como o inchaço se distribui, se afunda ou não, se poupa os pés, se há veias visíveis, mudança de cor ou de temperatura da pele. A partir daí, o eco-Doppler venoso é o exame de imagem mais usado para avaliar as veias das pernas e confirmar (ou descartar) insuficiência venosa e trombose. Quando o quadro sugere linfedema, exames complementares como a linfocintilografia podem entrar para mapear o sistema linfático. Para o lipedema, o diagnóstico é principalmente clínico — não existe um exame de sangue ou de imagem isolado que o confirme sozinho. (Vídeo nesta seção: "Inchaço nas pernas: quando esse sintoma pode ser um sinal de alerta? — Dra. Andrea Klepacz") ## Sinais de que não dá para esperar A maioria das causas de inchaço nas pernas pode ser investigada com calma, numa consulta de rotina. Mas alguns sinais pedem avaliação vascular sem demora, porque podem indicar trombose venosa profunda — um coágulo que obstrui a veia e, mais raramente, pode se deslocar para o pulmão: - Inchaço que aparece de repente, em uma perna só - Dor, vermelhidão ou sensação de calor na perna inchada - Perna que fica visivelmente mais grossa que a outra em poucos dias - Falta de ar associada ao inchaço da perna — procure emergência imediatamente ## Perguntas frequentes **Inchaço na perna sempre indica problema vascular?** Não. A causa mais comum é retenção por ficar muito tempo parado, calor ou excesso de sal — um inchaço leve, dos dois lados, que melhora com repouso e elevação das pernas. Inchaço unilateral, súbito, persistente ou que vem com dor e vermelhidão é que pede avaliação. **Qual a diferença entre linfedema e inchaço por varizes?** O inchaço da insuficiência venosa costuma afundar quando se aperta a pele e piora ao longo do dia, melhorando com repouso. O linfedema é mais firme, não afunda tanto, tende a ser assimétrico e não melhora só com elevar a perna — precisa de avaliação e tratamento específicos. **Lipedema tem cura com dieta?** Não. Como a causa não é simplesmente excesso de peso, dieta e exercício sozinhos não revertem o lipedema, embora ajudem na saúde geral. O tratamento costuma envolver uma abordagem combinada, incluindo cuidados vasculares e, em casos selecionados, lipoaspiração especializada. **Inchaço em uma perna só é sempre trombose?** Não necessariamente, mas é o sinal que mais justifica procurar avaliação rápida. Inchaço súbito e unilateral, principalmente com dor, vermelhidão ou calor local, deve ser investigado sem demora para descartar trombose venosa profunda. ## Fontes 1. [Dra. Andrea Klepacz no SBT News: "Quando o inchaço nas pernas pode ser um sinal de alerta"](https://sbtnews.sbt.com.br/noticia/saude/quando-o-inchaco-nas-pernas-pode-ser-um-sinal-de-alerta) --- # Recuperação do tratamento de varizes: o que esperar por técnica URL: https://endovascularsp.com.br/blog/recuperacao-do-tratamento-de-varizes-o-que-esperar Depois da termoablação por laser ou radiofrequência, a caminhada é imediata e o retorno a atividades leves costuma ocorrer em 1 a 2 dias — parte do medo costuma vir de comparar com a cirurgia convencional, que tem prazos mais longos. A meia de compressão é usada por um período definido pela equipe, hematomas e sensação de repuxamento são esperados e regridem nas primeiras semanas, e o retorno ao trabalho depende mais do tipo de atividade do que da técnica escolhida. Autoria de Prof. Dr. Igor Rafael Sincos — Médico | CRM-SP 117.876 | Cirurgia Vascular RQE 52745 | Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular RQE 527451 · Publicado em 6 de setembro de 2026. ## Por que o medo da recuperação atrasa o tratamento Muita gente adia a avaliação de varizes não pela dor do procedimento, mas pela dúvida sobre quanto tempo vai ficar parada — e essa dúvida, sem resposta, costuma imaginar um cenário pior do que a realidade das técnicas minimamente invasivas usadas hoje. ## O que é esperado nos primeiros dias Depois da termoablação, você caminha no mesmo dia — e isso faz parte do tratamento: a movimentação ajuda a circulação e reduz o risco de trombose. A meia de compressão é usada por um período definido pela equipe, em geral de alguns dias a algumas semanas, e hematomas, endurecimento no trajeto da veia e sensação de repuxamento são esperados e regridem ao longo das primeiras semanas. ## Retorno às atividades, por técnica Os prazos abaixo são as faixas citadas pelas diretrizes europeia, americana e brasileira — a liberação real é sempre definida na consulta de retorno, individualmente: - Laser endovenoso ou radiofrequência: retorno a atividades leves em cerca de 1 a 2 dias - Escleroterapia com espuma: retorno quase imediato - Cirurgia convencional (safenectomia): dias a cerca de 2 semanas ## Retorno ao trabalho, por tipo de atividade O retorno ao trabalho depende muito mais do tipo de atividade do que da técnica em si. Prazos que orientamos na consulta de retorno, ajustados caso a caso: - Escritório, home office, atividades leves: 1 a 2 dias - Trabalho longos períodos em pé (comércio, sala cirúrgica): poucos dias, com meia de compressão e pausas - Esforço físico intenso ou levantamento de peso: liberação progressiva, geralmente após 2 a 3 semanas ## Quando procurar a equipe antes do retorno agendado Procure a equipe antes do retorno agendado se aparecer dor intensa e progressiva na panturrilha, inchaço súbito de toda a perna, febre, vermelhidão que se espalha ou falta de ar — sinais que precisam ser avaliados sem esperar. Se a dúvida sobre a recuperação era o que faltava para agendar a avaliação, a técnica certa para o seu caso é definida pelo mapeamento com ultrassom Doppler, não escolhida antes da avaliação. --- # Vasinhos no rosto, na testa ou no nariz: quando o problema é vascular URL: https://endovascularsp.com.br/blog/vasinhos-rosto-testa-nariz-telangiectasia-facial Vasinhos no rosto, na testa ou no nariz costumam ser telangiectasias — vasos muito finos e dilatados, visíveis através da pele, o mesmo tipo de vaso tratado nas pernas com laser vascular. Nem toda marca vermelha ou toda olheira é vaso: a avaliação individual é o que diferencia o que responde ao laser vascular do que tem outra causa. Autoria de Prof. Dr. Igor Rafael Sincos — Médico | CRM-SP 117.876 | Cirurgia Vascular RQE 52745 | Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular RQE 527451 · Publicado em 10 de setembro de 2026. "Vasinho" costuma trazer à mente as pernas — mas o mesmo tipo de vaso aparece também na face: na testa, ao redor do nariz e na região dos olhos. Na linguagem técnica, essas linhas finas avermelhadas ou arroxeadas são telangiectasias: vasos sanguíneos muito finos e dilatados, visíveis através da pele. É o mesmo fenômeno das pernas, numa área diferente do corpo — e por isso pode ser tratado pela mesma plataforma de laser vascular, aplicada topicamente, sem cortes. ## O que é telangiectasia, e por que aparece no rosto A pele do rosto, sobretudo ao redor dos olhos e do nariz, é mais fina que a das pernas — o que torna vasos dilatados pequenos mais visíveis. Exposição solar acumulada, fragilidade capilar e fatores genéticos favorecem o aparecimento dessas telangiectasias com o tempo. Diferente das varizes das pernas, a telangiectasia facial isolada não costuma estar associada a refluxo venoso profundo. O tratamento, quando indicado, tem como alvo o vaso visível — os mesmos critérios técnicos usados para vasinhos das pernas, aplicados à face. ## Como é o tratamento A plataforma de laser vascular usada para os vasinhos e telangiectasias das pernas trata o mesmo tipo de vaso na face — testa, nariz, olheira vascular e outras áreas —, com o mesmo princípio técnico: aplicação tópica, sem punção e sem cortes. O número de sessões depende da avaliação individual de cada caso. (Vídeo nesta seção: "Vasos na face também têm tratamento") → Conheça o tratamento de varizes e vasinhos: https://endovascularsp.com.br/varizes ## Quem é candidato — e quem não é Nem toda marca vermelha ou toda olheira no rosto é vaso, e a distinção importa para saber se o laser vascular é o tratamento indicado. - Olheira: pode ter causa vascular (pele fina deixando o vaso aparente por baixo), estrutural (sombra por perda de volume na região) ou de pigmentação. Só a de causa vascular responde ao laser da mesma forma que os vasinhos das pernas — as outras têm abordagens diferentes. - Vermelhidão difusa e persistente, com sensibilidade, costuma ser quadro de rosácea — e rosácea é diagnóstico e tratamento dermatológico, não o vaso isolado tratado aqui. Vasos finos e localizados, sem essa vermelhidão de fundo, são o quadro que o laser vascular trata. ## Como é a avaliação A avaliação de vasos faciais segue os mesmos critérios técnicos usados para varizes e vasinhos das pernas: exame clínico para confirmar se o quadro é mesmo vascular, e se o laser é a opção indicada para o seu caso. ## Perguntas frequentes **Vasinho no rosto é a mesma coisa que varizes?** É o mesmo tipo de vaso — a telangiectasia —, numa área diferente do corpo. A face não desenvolve varizes propriamente ditas; a preocupação com refluxo venoso profundo das pernas não se aplica aqui. **Toda olheira é vaso?** Não. Olheira pode ter causa vascular (pele fina mostrando o vaso), estrutural (sombra por perda de volume) ou de pigmentação — só a de causa vascular responde ao laser vascular da mesma forma que os vasinhos. **Vermelhidão no rosto sempre é telangiectasia isolada?** Não quando é difusa e persistente, com sensibilidade — esse padrão costuma ser rosácea, e pede avaliação dermatológica. O laser vascular descrito aqui trata o vaso fino e localizado, não a rosácea. ## Fontes 1. [Huang YL, Chang SL, Ma L, Lee MC, Hu S. Clinical analysis and classification of dark eye circle. Int J Dermatol. 2014.](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23879616/) --- # Celulite ou lipedema? O que a avaliação vascular acrescenta ao diagnóstico URL: https://endovascularsp.com.br/blog/celulite-ou-lipedema-diagnostico-diferencial Celulite, gordura localizada e lipedema não são a mesma coisa — e o diagnóstico de lipedema é clínico, sem um exame isolado que confirme sozinho. A avaliação com cirurgião vascular soma um passo que a autoavaliação não alcança: diferenciar o lipedema de outras causas de inchaço e alteração nas pernas, como doença venosa crônica e linfedema, que podem se sobrepor a ele ou ser confundidas com ele. Autoria de Dra. Andrea Klepacz — Cirurgiã Vascular | CRM 128.575 | RQE 51.419 · Publicado em 10 de setembro de 2026. "Será que tenho lipedema?" é uma pergunta cada vez mais comum no consultório — e não é à toa. Com a doença ganhando visibilidade nas redes sociais, mulheres que antes conviviam anos sem diagnóstico agora têm nome para o que sentem. Mas o mesmo fenômeno trouxe um efeito colateral: características muito comuns do corpo feminino, como celulite e gordura localizada, começaram a ser confundidas com uma condição médica específica. ## O que diz quem estuda o tema Em setembro de 2026, a Dra. Andrea Klepacz — cirurgiã vascular da nossa equipe — escreveu sobre esse exato ponto na Veja Saúde: celulite, gordura localizada e lipedema não são a mesma coisa, e identificar-se com alguns itens de uma lista nas redes sociais não equivale a um diagnóstico. O diagnóstico de lipedema continua sendo clínico — não existe exame de sangue ou de imagem que, sozinho, confirme a doença —, e se apoia num conjunto de características avaliadas em consulta, ancorado no Consenso Brasileiro de Lipedema, publicado pela SBACV em 2025. → Ler o texto completo na Veja Saúde: https://saude.abril.com.br/medicina/celulite-ou-lipedema-como-diferenciar-antes-de-se-autodiagnosticar/ ## O que a avaliação vascular acrescenta Uma parte do diagnóstico diferencial cabe especificamente ao cirurgião vascular: separar o lipedema de outras causas de inchaço e alteração nas pernas que podem se sobrepor a ele, ou ser confundidas com ele. - Doença venosa crônica: costuma ser assimétrica — uma perna mais afetada que a outra —, piora ao longo do dia e melhora com repouso e elevação das pernas, diferente do lipedema, que é simétrico e não desaparece com o repouso. Varizes visíveis e alterações de pele perto do tornozelo também apontam para causa venosa. - Linfedema: pode envolver os pés, ao contrário do lipedema, que classicamente os poupa. - As três condições podem coexistir na mesma paciente — o que pede exame clínico direcionado e, quando indicado, ultrassom Doppler, para definir o que precisa de tratamento e em que ordem. É esse cruzamento entre lipedema, doença venosa e linfedema — fora do escopo do texto da Veja Saúde, que tem outro propósito — que a avaliação com cirurgião vascular acrescenta à investigação. Se a dúvida sobre celulite, gordura localizada ou lipedema ainda não foi respondida, o guia gratuito da clínica detalha o método 5E de avaliação e tratamento do lipedema — nutrição, metabolismo, saúde vascular, fortalecimento muscular e cuidado emocional. → Baixar o guia gratuito de lipedema: https://endovascularsp.com.br/ebook-lipedema ## Perguntas frequentes **Toda celulite é lipedema?** Não. Celulite (lipodistrofia ginoide) é extremamente comum e não significa ter lipedema. O diagnóstico de lipedema depende de um conjunto de características avaliadas clinicamente, não de uma característica isolada. **Existe exame que confirma lipedema?** Não existe um exame de sangue, marcador ou de imagem que, sozinho, confirme o diagnóstico. Ele continua sendo clínico; exames complementares servem principalmente para investigar diagnósticos diferenciais. **Lipedema, doença venosa e linfedema podem coexistir?** Sim, e é uma das razões para a avaliação ser feita por um cirurgião vascular — as três condições podem se sobrepor na mesma paciente, e cada uma pede uma parte diferente do tratamento. ## Fontes 1. [Klepacz A. Celulite ou lipedema? Como diferenciar antes de se autodiagnosticar. Veja Saúde, 09/09/2026.](https://saude.abril.com.br/medicina/celulite-ou-lipedema-como-diferenciar-antes-de-se-autodiagnosticar/) 2. [Consenso Brasileiro de Lipedema pela metodologia Delphi. J Vasc Bras. 2025;24:e20230183.](https://www.scielo.br/j/jvb/a/BjWVDJpPcdTPKx5MqJQ9NRs/?lang=pt)